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A estreia da seleção do Irã na Copa do Mundo de 2026, realizada na noite de segunda-feira (15) em Los Angeles, terminou com um empate de 2 a 2 contra a Nova Zelândia em campo — mas, fora das quatro linhas, o placar foi de humilhação e cerceamento. A delegação iraniana enfrentou uma série de obstáculos migratórios e logísticos que escancaram um tratamento desigual e discriminatório por parte das autoridades dos Estados Unidos, país anfitrião do torneio ao lado de México e Canadá.
Segundo relatos do técnico Amir Ghalenoei, a equipe recebeu das autoridades americanas uma "ordem de saída imediata" dos EUA assim que a partida foi encerrada. O planejamento inicial da comissão técnica previa que os jogadores pernoitassem em Los Angeles para descansar e realizar a recuperação física no dia seguinte, procedimento padrão em competições internacionais. Mas os iranianos foram impedidos de permanecer em território americano sequer por uma noite.
O capitão Taremi, principal estrela da seleção iraniana, classificou a situação como "um desastre" e cobrou publicamente uma posição da Fifa. "O certo era dormirmos aqui, fazermos a recuperação amanhã. Temos que deixar o país agora. Isso não é bom para a gente, não é bom para o futebol. Numa Copa você tem que se preparar bem, há muito estresse. Não temos esse suporte", desabafou o atacante. Taremi também denunciou que parte do estafe da seleção — incluindo o presidente da federação, o vice-presidente e o assessor de imprensa — teve vistos negados e não pode entrar nos Estados Unidos.
O técnico Amir Ghalenoei foi ainda mais incisivo ao relatar as dificuldades ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, que visitou o vestiário iraniano após o jogo. "Nós fomos o time mais agredido na Copa do Mundo, por causa das condições e do efeito que criaram para nós, e isso foi uma injustiça para este time. Precisávamos ter vindo para cá com pelo menos duas semanas, dada a distância entre o Irã e aqui, que é de dez horas e meia. Mas eles tiraram isso de nós. Eles não queriam nem que nós viéssemos para cá dois dias antes", afirmou Ghalenoei. O treinador declarou que a seleção iraniana é "talvez a mais oprimida da história da Copa do Mundo".
As restrições impostas aos iranianos, no entanto, não são um episódio isolado. Elas fazem parte de um padrão sistemático de dificuldades imposto pela burocracia americana à delegação:
Diante dos questionamentos da imprensa sobre as retenções e restrições, um porta-voz do Departamento de Estado americano afirmou que os EUA "não permitirão que a seleção iraniana abuse do sistema de vistos para infiltrar terroristas nos EUA sob falsos pretextos". A declaração, além de estigmatizar toda uma delegação esportiva, politiza a competição e transforma atletas em alvos de suspeição por sua nacionalidade — algo inédito e chocante na história das Copas do Mundo.
A situação pode configurar violação do regulamento da própria Fifa, que exige que os países anfitriões garantam condições equânimes de participação a todas as seleções classificadas. Até o momento, porém, a entidade máxima do futebol mundial limitou-se a promessas de "intervir" feitas por Infantino no vestiário iraniano, sem medidas concretas anunciadas.
O Irã ainda tem dois compromissos pela fase de grupos em solo americano: enfrenta a Bélgica no domingo (21), novamente em Los Angeles, e o Egito no dia 27, em Seattle. A menos que a Fifa e as autoridades americanas reconsiderem as condições impostas, a delegação iraniana continuará sendo submetida a um calvário logístico que compromete não apenas o desempenho esportivo, mas a dignidade de seus atletas.
O que se vê, na prática, é a instrumentalização de um evento esportivo global como palco de animosidades geopolíticas. A Copa do Mundo, que deveria ser um símbolo de união e celebração do esporte, torna-se vitrine de um tratamento que flerta com a xenofobia e a discriminação institucionalizada. Enquanto os jogadores iranianos suam a camisa em campo, fora dele são tratados como suspeitos — e a Fifa, mais uma vez, parece assistir de braços cruzados.
Com informações de G1, ge.globo, UOL Esporte, Estadão ■