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Os Estados Unidos realizaram, na noite de quarta-feira (8), uma nova e intensa rodada de ataques aéreos contra aproximadamente 90 alvos militares do Irã, concentrados ao longo da costa sul do país persa. A ação, confirmada pelo Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) na madrugada desta quinta-feira (9), representa a segunda noite consecutiva de bombardeios americanos em território iraniano e marca uma escalada significativa no conflito entre as duas nações.
Segundo o comunicado oficial das forças armadas americanas, os bombardeios visaram “degradar ainda mais a capacidade do Irã de atacar a navegação comercial e marinheiros civis inocentes no Estreito de Ormuz”. A operação atingiu uma ampla gama de instalações estratégicas, incluindo:
O CENTCOM divulgou imagens em preto e branco dos ataques, que pareciam mostrar alvos como uma pista de aeroporto e lançadores de mísseis sendo atingidos. Em nota, as forças americanas afirmaram que as operações recentes foram “bem-sucedidas” e que os EUA “permanecem vigilantes, letais e preparados para executar operações dirigidas pelo Comandante-em-Chefe”.
Esta nova ofensiva ocorre menos de 24 horas após uma primeira rodada de ataques, realizada na terça-feira (7), quando as forças americanas já haviam bombardeado cerca de 80 alvos militares no Irã, incluindo mais de 60 pequenas embarcações da Guarda Revolucionária Islâmica. Na ocasião, oito militares iranianos morreram nas cidades de Bandar Abbas e Bushehr.
O saldo dos dois dias de bombardeios americanos é severo. De acordo com o Ministério da Saúde do Irã, ao menos 14 pessoas morreram e 78 ficaram feridas. Do total de feridos, 47 ainda permanecem hospitalizados, conforme informou o porta-voz da pasta, Hossein Kermanpour. Entre as vítimas, estão três pessoas na periferia da cidade de Ahvaz, na província de Khuzestan, um bombeiro em Iranshahr e nove integrantes das forças armadas iranianas. Explosões foram ouvidas em diversas localidades, incluindo Jask, Bushehr, Bandar Abbas, Sirik e na ilha de Abu Musa. Em Bushehr, há relatos de cortes no fornecimento de energia elétrica.
A ofensiva americana teve início após o presidente dos EUA, Donald Trump, declarar encerrado o cessar-fogo temporário entre os dois países. Durante a cúpula da Otan em Ancara, na Turquia, Trump afirmou: “Para mim, acabou”, em referência ao acordo. O presidente americano justificou os ataques como “retribuição” pelo que chamou de violação do cessar-fogo por parte do Irã, que teria atacado três navios comerciais que navegavam no Estreito de Ormuz. Trump também ameaçou novas ofensivas, dizendo que os EUA “vão atacá-los com força” e que poderiam atingir sistemas de energia e água iranianos.
O governo iraniano reagiu com duras críticas. O Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou os ataques americanos como um “crime de guerra flagrante”, acusando Washington de violar os termos do acordo provisório. Autoridades iranianas também denunciaram que os bombardeios atingiram duas pontes nas províncias orientais ao longo da linha ferroviária que conecta Teerã à cidade sagrada de Mashhad, onde ocorrem as cerimônias fúnebres do ex-líder supremo Ali Khamenei, morto no início da guerra. O serviço ferroviário foi interrompido, e passageiros precisaram ser transportados por ônibus.
O Irã não tardou a responder militarmente. A Guarda Revolucionária Islâmica assumiu a autoria de ataques com mísseis e drones contra bases militares dos Estados Unidos no Kuwait, Bahrein e Qatar. Segundo a mídia estatal iraniana, os ataques atingiram um sistema Patriot de interceptação de mísseis no Kuwait, um sistema de alerta antecipado no Qatar e tanques de combustível no Bahrein. As forças de defesa do Bahrein afirmaram ter interceptado e destruído diversos drones e mísseis lançados pelo Irã. O Exército do Kuwait também confirmou que respondeu a ataques com mísseis e drones na madrugada de quinta-feira.
O conselheiro militar do líder supremo do Irã, Mohsen Rezarei, publicou um versículo do Alcorão em suas redes sociais e advertiu: “O inimigo agressor e seus cúmplices serão severamente punidos”. O porta-voz do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, também emitiu um alerta direto: “Hit, and you’ll be hit” (Acerte, e você será atingido), acrescentando que o Estreito de Ormuz só será aberto mediante as condições de Teerã, não sob ameaças de Washington.
O Estreito de Ormuz, corredor marítimo de cerca de 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico, é uma das rotas mais estratégicas do mundo para o comércio de petróleo e gás. Antes do conflito, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado no planeta passava pela região. A nova escalada de violência já afetou o tráfego na via, elevando as preocupações globais com a segurança energética.
O governo de Israel também se manifestou sobre a escalada, declarando estar pronto para atacar o Irã uma terceira vez, se necessário.
A sucessão de ataques dos últimos dias aprofunda a crise no Golfo Pérsico e coloca em xeque o frágil memorando de entendimento alcançado entre Washington e Teerã em junho. Com ambos os lados prometendo novas retaliações, a comunidade internacional acompanha com apreensão os desdobramentos de um conflito que ameaça a estabilidade de toda a região.
Com informações de G1, UOL, Folha de S.Paulo, Estadão, VEJA, Público (Portugal), DN (Portugal), TASS, The New York Times, Associated Press ■