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Milei confirma viagem ao Brasil para apoiar Flávio e tentar visitar Jair
Presidente argentino afirmou que virá ao país no dia 25 de julho para a convenção do PL em São Paulo e pretende fazer uma parada em Brasília para visitar Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar
Politica
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■   Bernardo Cahue, 11/07/2026

O presidente da Argentina, Javier Milei, confirmou nesta sexta-feira (10) que virá ao Brasil no dia 25 de julho para participar da convenção nacional do Partido Liberal (PL), que deve oficializar a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Em entrevista à rádio argentina Now 97.9 FM, Milei disse que, além do compromisso em São Paulo, pretende fazer uma parada em Brasília para “cumprimentar” o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O encontro com o ex-mandatário, no entanto, não está garantido. Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar em sua residência na capital federal e está com restrições para receber visitantes. Segundo ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apenas familiares, advogados, médicos e integrantes da equipe de saúde do ex-presidente estão autorizados a visitá-lo. Qualquer visita de Milei dependerá, portanto, de autorização expressa do magistrado.

Milei é aliado declarado da família Bolsonaro e já afirmou publicamente que Jair Bolsonaro sofre “perseguição judicial” no Brasil. A aproximação entre o argentino e o bolsonarismo é um dos temas que a campanha de Flávio Bolsonaro pretende explorar como demonstração de alinhamento entre os dois líderes da direita internacional. No mês passado, o senador esteve em Buenos Aires e se reuniu com Milei na Quinta de Olivos, residência oficial da Presidência argentina. Após o encontro, Milei publicou em sua conta na rede social X uma foto ao lado de Flávio com a mensagem: “Se viene la marea azul para Brasil de la mano de Flávio Bolsonaro” (“Vem aí a maré azul para o Brasil pelas mãos de Flávio Bolsonaro”).

A viagem de Milei ao Brasil faz parte de uma turnê mais ampla pela América Latina, que inclui ainda a participação na posse da presidente eleita do Peru, Keiko Fujimori, no dia 28 de julho, e na posse do presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, em 7 de agosto. O presidente argentino também deve se reunir com o presidente do Equador, Daniel Noboa.

O gesto de Milei ocorre em um contexto de fortalecimento da direita na região, com as recentes vitórias eleitorais de Fujimori no Peru e de Espriella na Colômbia. O presidente argentino, que historicamente viajou pouco a países vizinhos desde que assumiu o cargo, intensificou sua presença na América Latina após esses resultados. Milei não mencionou nenhuma visita ao presidente Lula (PT), com quem mantém uma relação delicada devido ao histórico de ataques ao petista.

Caso a visita a Jair Bolsonaro seja autorizada por Alexandre de Moraes, Milei se tornará o primeiro chefe de Estado estrangeiro a encontrar o ex-presidente desde que ele passou a cumprir a medida restritiva. O encontro teria forte peso simbólico e reforçaria o apoio explícito do governo argentino à candidatura de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais brasileiras previstas para outubro.

A decisão sobre a autorização ou não da visita caberá exclusivamente ao ministro do STF, que é o responsável por monitorar o cumprimento das condições impostas à prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. Até o momento, não há informação oficial sobre se a defesa do ex-presidente ou o governo argentino formalizaram algum pedido nesse sentido.

Com informações de O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, CNN Brasil e TMC ■

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