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EUA impõem sanções a brasileiros e empresas por suposta ligação com o PCC
Departamento do Tesouro norte-americano bloqueia bens de dois cidadãos e quatro empresas acusados de integrar rede de lavagem de dinheiro da facção; medida é a primeira após classificação do PCC como organização terrorista
America do Norte
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSnCxKPeHwdkt0-oA44AeTfZ3hB1uJ3qDRCj3WfSCvP6zD_mHROMycUuSU&s=10
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■   Bernardo Cahue, 03/07/2026

O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira (1º de julho de 2026), sanções econômicas contra dois cidadãos brasileiros e quatro empresas — três sediadas no Brasil e uma em Portugal — por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida, formalizada pelo Departamento do Tesouro norte-americano por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), representa a primeira rodada de sanções contra alvos relacionados à facção brasileira desde que Washington classificou o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais, em maio de 2026.

Em comunicado oficial, o governo Trump classificou o PCC como a "maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental" e afirmou que a facção representa uma "ameaça significativa à segurança nacional dos EUA", além de acusá-la de utilizar o sistema financeiro norte-americano para lavagem de dinheiro.

Alvos das sanções

Os indivíduos sancionados são:

  • Victor Henrique de Oliveira Shimada – apontado pelo Tesouro americano como o "elo central" entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais de drogas.
  • Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira – descrita como parente e secretária de Shimada, responsável por prestar apoio logístico na coleta de grandes quantias em espécie.

As empresas sancionadas são:

  • Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda (São Paulo) – empresa de serviços financeiros.
  • Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda (São Paulo) – empresa de serviços financeiros.
  • Wave Construções Inteligentes Ltda (São Paulo) – construtora.
  • Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda (Portugal) – empresa de transporte e armazenagem com sede perto de Lisboa.

Todas as empresas sancionadas são pertencentes a Victor Shimada.

Acusações dos EUA

Segundo as investigações conduzidas pela Força-Tarefa de Segurança Interna (HSTF), em parceria com o Escritório de Campo do FBI em Miami e a Seção de Lavagem de Dinheiro, Narcóticos e Confisco do Departamento de Justiça dos EUA, Shimada teria lavado mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) em recursos ilícitos gerados em diversas cidades americanas, utilizando criptomoedas para transferir os valores de volta ao Brasil em nome do PCC.

O esquema, que segundo as autoridades americanas operava desde pelo menos dezembro de 2022, alcançava 12 estados norte-americanos: Flórida, Nova York, Illinois, Ohio, Geórgia, Minnesota, Califórnia, Colorado, Texas, Washington, Kansas e Carolina do Norte. Em janeiro de 2026, outros seis brasileiros integrantes da mesma rede foram presos nos EUA e aguardam julgamento em agosto, podendo enfrentar até 20 anos de prisão.

Stella Stefanie, também conhecida como "Prima" e "Lara Croft", teria atuado como secretária de Shimada e intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro, prestando serviços logísticos essenciais para as operações de lavagem de dinheiro.

Fundamento legal

As sanções foram aplicadas com base em duas ordens executivas:

  • A Ordem Executiva 14059, do governo Biden, que tem como objetivo combater a produção e proliferação de drogas.
  • A Ordem Executiva 13224, do governo Bush, que autoriza sanções contra pessoas ou organizações consideradas terroristas e seus apoiadores — emendada por Trump em seu segundo mandato para incluir cartéis de drogas, entre eles o CV e o PCC.

Efeitos das sanções

Como resultado das medidas, estão bloqueados todos os bens das pessoas e empresas alvo que estejam nos EUA ou sob controle de cidadãos norte-americanos. Além disso, instituições financeiras e outras pessoas podem ser sancionadas por se envolverem em certas transações ou atividades com os alvos.

Antecedentes de Shimada no Brasil

Victor Shimada já possuía antecedentes criminais no Brasil. Em janeiro de 2025, foi colocado em prisão domiciliar sob suspeita de usar uma de suas empresas para lavar dinheiro desviado de um clube de futebol, em esquema de fraude publicitária. Em 2024, foi incluído em denúncia do Ministério Público de São Paulo por suspeitas de irregularidades no contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas VaideBet, sendo acusado de lavar R$ 35 milhões por meio de contas em criptomoeda.

O promotor Lincoln Gakiya, que investiga o PCC há décadas, afirmou à BBC News Brasil desconhecer a suposta relação dos sancionados com a facção criminosa, mas ressaltou que não tem conhecimento das investigações conduzidas pelo FBI e pelo Departamento de Justiça dos EUA a partir de alvos em Miami.

Contexto e desdobramentos

Esta é a terceira vez que o PCC é alvo do Tesouro americano — as anteriores ocorreram em 2021 e 2024 —, mas a primeira desde a designação da facção como organização terrorista estrangeira (FTO). A classificação de CV e PCC como terroristas foi uma das bandeiras eleitorais do senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que recebeu agradecimento formal do secretário de Estado Marco Rubio por seu apoio à medida.

O subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira, Gene Lange, afirmou que a medida busca "barrar o avanço do PCC dentro dos Estados Unidos e impedir que o crime organizado do Hemisfério Ocidental se instale em solo americano". O governo dos EUA sinalizou que novos alvos brasileiros ligados ao PCC ou ao Comando Vermelho devem ser adicionados à lista de sanções.

Com informações de G1, Folha de S.Paulo, Agência Brasil, UOL, Poder360, BBC News Brasil, CNN Brasil, Valor International e Global Sanctions ■

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