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Preços do petróleo disparam após novos ataques e sanções dos EUA ao Irã
Escalada militar no Estreito de Ormuz e reimposição de sanções revivem temores de interrupção no fornecimento global da commodity; Brent se aproxima dos US$ 80 por barril
Oriente-Medio
Foto: https://admin.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2026/03/navio-golfo-estreito-ormuz-e1773689305405.jpg?w=1200&h=630&crop=1
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■   Bernardo Cahue, 08/07/2026

Os preços do petróleo registraram uma forte alta nesta quarta-feira (8), após os Estados Unidos lançarem uma nova série de ataques contra o Irã e reimporam sanções às exportações de petróleo do país iraniano. A ofensiva militar e as medidas econômicas foram uma resposta direta aos ataques iranianos contra três navios comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio global de energia.

O barril do petróleo Brent, referência global, disparou 6,85% nas primeiras horas do pregão, atingindo US$ 79,24 por barril. Por volta das 6h40 (horário de Brasília), a commodity era cotada a US$ 78,58, com alta de 5,95%. Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate), referência americana, avançava 5,81% no mesmo horário, para US$ 74,54 por barril. A disparada representa o maior valor da commodity desde 17 de junho, quando o preço foi a US$ 80,03.

O movimento ascendente dos preços foi desencadeado por uma combinação de fatores geopolíticos. Na terça-feira (7), o Departamento do Tesouro dos EUA revogou a Licença Geral X, que havia suspendido temporariamente as sanções sobre a venda de petróleo iraniano por 60 dias como parte de um acordo de cessar-fogo. A nova licença, batizada de X1, restabeleceu as penalidades que limitam a produção, venda, entrega e comercialização de petróleo bruto, derivados e produtos petroquímicos de origem iraniana.

Horas antes da decisão econômica, os EUA realizaram ataques aéreos contra mais de 80 alvos no Irã. O Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou que as ações visaram "impor custos pesados pelo direcionamento e ataque a tripulações de navios comerciais formados por civis inocentes em uma via navegável internacional". Segundo o comunicado, foram atacados sistemas de defesa aérea, redes de comando e controle, instalações de radar costeiro, capacidades de mísseis antinavio e mais de 60 pequenas embarcações do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica.

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que o acordo de cessar-fogo com o Irã "acabou". Durante discurso na cúpula da Otan em Ancara, na Turquia, o presidente norte-americano afirmou não querer mais negociar com os iranianos, chamando-os de "pessoas violentas e cruéis".

Em resposta à ofensiva americana, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado 85 instalações militares estratégicas dos EUA no Bahrein e no Kuwait, em uma operação conjunta com mísseis e drones. O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou a decisão americana, acusando os EUA de violarem o memorando de entendimento que previa o fim da guerra.

Os novos ataques a embarcações na região geraram preocupações imediatas sobre a segurança da navegação. Pelo menos quatro petroleiros e navios transportadores de gás deram meia-volta e desistiram de cruzar o Estreito de Ormuz até a manhã desta quarta-feira, segundo dados de rastreamento marítimo. Uma embarcação que transportava GNL (gás natural liquefeito) do Catar corria risco de explodir, e outro navio de petróleo bruto da Arábia Saudita sofreu danos nas proximidades do estreito.

O Catar e a Arábia Saudita responsabilizaram o Irã pelos ataques, incluindo um contra um navio-tanque de GNL qatari, que foi atingido por um drone, causando um incêndio em sua sala de máquinas. O Irã, por sua vez, não assumiu a responsabilidade pelos ataques às embarcações.

A escalada das hostilidades expõe a fragilidade do cessar-fogo firmado entre os dois países no final de junho e interrompe um breve período de alívio nos mercados globais de energia. O barril Brent, que havia recuado para patamares próximos aos níveis pré-guerra, voltou a subir com força. Durante o pico do conflito, a commodity chegou a ser negociada a quase US$ 126 por barril.

Analistas avaliam que os desdobramentos mais recentes devem restaurar parte do prêmio geopolítico que havia se dissipado nas últimas semanas. "A renovada escalada reacendeu as preocupações com interrupções no fornecimento através do Estreito de Ormuz, com ataques a múltiplos navios comerciais destacando a vulnerabilidade contínua da infraestrutura energética regional", afirmou Soojin Kim, analista de pesquisa do MUFG.

Dados divulgados nesta semana mostraram que os estoques de petróleo da Reserva Estratégica dos Estados Unidos caíram ao menor nível desde 1983, deixando os mercados mais vulneráveis a futuros choques de oferta. A incerteza sobre o futuro do conflito e a possibilidade de novas interrupções na rota de Ormuz, por onde transita cerca de 20% da produção mundial de petróleo, mantêm os investidores em estado de alerta.

O governo americano não sinalizou imediatamente por quanto tempo as sanções seriam reimpostas ou sob quais condições consideraria suspendê-las novamente. A notificação publicada pelo Departamento do Tesouro concedeu aos compradores de petróleo iraniano até 17 de julho para encerrar as transações em andamento.

O premiê iraniano e porta-voz do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou os EUA de violarem o acordo intermediário entre os países. "A era da intimidação e da extorsão acabou. Não leva a lugar nenhum. Não nos dobramos", afirmou em publicação nas redes sociais.

Com informações de Metrópoles, Folha de S.Paulo, CNN Brasil, O Globo, UOL Economia, Reuters, AFP, The National, CNN Internacional ■

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