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A federação formada por PP, Republicanos e União Brasil, que atua em aliança com o PL na busca pela maior bancada da Câmara dos Deputados e do Senado, enfrenta uma profunda crise interna após uma sequência de eventos que abalaram a articulação política no Rio de Janeiro. A desistência da pré-candidatura ao Senado pelo ex-governador Cláudio Castro (PL), somada às prisões de Rodrigo Bacellar (União Brasil) e Márcio Canella (União Brasil), expôs rachas e disputas de poder, com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no centro das tensões.
A crise teve seu estopim no fim de maio, quando Cláudio Castro, então pré-candidato ao Senado, anunciou sua desistência. O ex-governador, que vinha sendo alvo de duas operações da Polícia Federal em menos de duas semanas, decidiu se dedicar integralmente à sua defesa jurídica. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Castro afirmou que os últimos dias haviam sido "muito difíceis" e que a decisão foi a "mais difícil" de sua vida. A pressão interna no PL aumentou após a segunda ação da PF, que apurava transferências bilionárias do Rioprevidência para o Banco Master. A cúpula partidária já considerava a candidatura inviável.
O vácuo deixado por Castro rapidamente se transformou em um campo de batalha. Fontes ligadas à federação revelam que Flávio Bolsonaro tentou forçar a candidatura do deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) ou mesmo a sua própria, visando o foro privilegiado para evitar uma possível prisão em instância estadual, ainda relacionada ao inquérito das "rachadinhas" de seus tempos de deputado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A estratégia, no entanto, encontrou forte resistência.
Os partidos da federação — PP, Republicanos e União Brasil — que até então flertavam com o apoio a Flávio Bolsonaro, anunciaram publicamente a retirada do suporte ao senador, acusando-o de traição. O movimento aprofundou o isolamento de Flávio, que já vinha perdendo espaço nos bastidores. O próprio Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e ex-ministro de Jair Bolsonaro, também deixou de falar em apoiar o senador, em mais um duro golpe na articulação do clã Bolsonaro.
Enquanto a federação tentava consensuar um nome para a vaga, um novo fato agravou a crise. Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e que se apresentava como pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, foi preso em flagrante pela Polícia Federal. A prisão ocorreu na sexta fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma rede de lavagem de dinheiro em postos de gasolina. Segundo a PF, o grupo investigado movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. Canella foi detido após agentes encontrarem um fuzil na mala de seu carro. Ele responderá por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. O ex-prefeito passou a noite no Presídio José Frederico Marques, no Rio de Janeiro, aguardando audiência de custódia.
A prisão de Canella não foi um caso isolado. Semanas antes, em março, Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Alerj, também foi preso preventivamente pela PF. A nova prisão de Bacellar ocorreu no âmbito da investigação que apura obstrução de justiça e compartilhamento de informações à facção criminosa Comando Vermelho. Esta foi a segunda vez que Bacellar foi preso no mesmo inquérito. Ele é acusado de ter alertado o ex-deputado TH Joias sobre uma operação da PF que o prenderia. A prisão de Bacellar se deu um dia após ele perder o mandato e, por consequência, o foro por prerrogativa de função.
Com a sucessão de baixas, a indefinição no PL é total. Integrantes da legenda no Rio pressionam Flávio Bolsonaro para definir rapidamente um nome para o Senado. Estão na corrida o senador Carlos Portinho e o deputado Carlos Jordy. No entanto, a demora em bater o martelo tem gerado preocupação, e o próprio Flávio Bolsonaro decidiu adiar a escolha para perto das convenções, temendo novas operações judiciais contra o indicado. A cautela aumentou ainda mais após a operação contra Márcio Canella, que já havia sido definido por Flávio como pré-candidato.
A situação expõe não apenas a fragilidade da aliança entre as legendas de direita, mas também o desgaste da imagem de Flávio Bolsonaro como articulador. A acusação de traição por parte dos partidos aliados e a retirada de apoio de Tarcísio de Freitas indicam que o senador perdeu a capacidade de comandar o bloco, justamente no momento em que mais precisava de unidade para as eleições de 2026.
Com informações de G1, Folha de S.Paulo, Valor Econômico, O Globo, Veja, Diário do Rio, Tempo Real RJ ■