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Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) identificou uma série de irregularidades no Instituto Léo Moura Sports (ILM), organização não governamental que leva o nome do ex-jogador de futebol. Entre 2020 e 2022, o instituto recebeu aproximadamente R$ 45 milhões em repasses da Secretaria Especial do Esporte, à época vinculada ao Ministério da Cidadania, para a implantação de núcleos do projeto "Passaporte para a Vitória" em municípios do Rio de Janeiro, Amapá, Pará e Acre.
O relatório da CGU, publicado em fevereiro de 2024, analisou quatro dos 16 termos de fomento firmados entre o instituto e o governo federal no período. Somente esses quatro termos, que viabilizaram a implementação do projeto em 32 cidades fluminenses e 20 no Amapá, totalizaram R$ 25,2 milhões. Os auditores compararam os preços praticados pelo ILM com orçamentos aprovados pelo Ministério das Cidades para serviços e materiais equivalentes e constataram um cenário de graves desvios.
Entre as principais irregularidades apontadas pela CGU, destacam-se:
Um dos exemplos mais emblemáticos do sobrepreço identificado pela CGU envolve as chuteiras de futebol de campo. O instituto adquiriu cada par por R$ 89, enquanto a mediana de preço apurada pela auditoria foi de R$ 63. Considerando o total de 27.375 unidades adquiridas, o sobrepreço nesse item isolado ultrapassou R$ 710 mil. As caneleiras de proteção, por sua vez, foram contratadas por R$ 46,80 cada, com preço de referência muito inferior apurado pela CGU.
A auditoria também apontou fragilidades na atuação do próprio Ministério da Cidadania na celebração e no acompanhamento das parcerias firmadas com a organização. Segundo o relatório, o ministério falhou em realizar pesquisas de preço amplas para os materiais esportivos adquiridos, tendo obtido apenas uma única cotação para verificar a adequabilidade dos valores. "Entende-se que houve falhas na pesquisa de preços realizada pelo Ministério, seja pela limitada amplitude da pesquisa realizada, seja por não ter sido verificada adequadamente a equivalência das descrições dos itens que constavam na planilha de custos dos termos de fomento analisados. Consequentemente, o Ministério da Cidadania assumiu o risco de aprovar orçamentos incompatíveis com o preço de mercado", apontou o documento.
Diante das conclusões do relatório, a CGU recomendou ao Ministério do Esporte que suspendesse os pagamentos relativos aos projetos e cobrasse do Instituto Léo Moura Sports a devolução de R$ 2,7 milhões em decorrência do superfaturamento. O órgão também recomendou a identificação, em todos os termos de fomento celebrados com o ILM, dos itens com sobrepreço para obtenção de ressarcimento, além da abertura de processo administrativo para avaliar o descumprimento dos planos de trabalho.
Em nota, o Ministério do Esporte informou que "determinou a suspensão imediata da liberação de recursos e do estabelecimento de novas parcerias com o referido Instituto" e que "a restituição dos valores superfaturados, apontados no relatório da CGU, será cobrada assim que concluída a fase de prestação de contas". A pasta também afirmou que os parlamentares que destinaram emendas ao instituto foram orientados a substituir a destinação dos recursos.
O Instituto Léo Moura Sports foi procurado por equipes de reportagens mas não respondeu aos questionamentos.
Com informações de G1, O Globo, Estadão, UOL, Metrópoles, Terra■