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Pai de deputado aliado de Flávio Bolsonaro é preso pela PF
Operação Ouroboros, do Ministério Público do Rio de Janeiro com apoio da Polícia Civil, prendeu seis pessoas, entre elas Maurício Knoploch, pai do deputado Alexandre Knoploch (PL), em operação que desmonta esquema de R$ 86 milhões no Instituto Rio Metrópole
Politica
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■   Bernardo Cahue, 10/07/2026

O diretor de Planejamento e Projetos do Instituto Rio Metrópole (IRM), Maurício Silva Knoploch dos Santos, pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), foi preso na manhã desta quinta-feira (9) durante a Operação Ouroboros, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), com apoio da Polícia Civil.

Maurício Knoploch estava foragido desde o início do dia e foi localizado e capturado pelos agentes. Com sua prisão, o número de detidos na operação chegou a seis. Entre os presos estão também o presidente do IRM, Davi Perini Vermelho, conhecido como “Didê”; o delegado da Polícia Civil Franquis Dias Nepomuceno; o procurador do Estado Marcelo Lopes da Silva; a ex-fiscal de contratos Caroline Soares Barros, apontada como a “Mulher da Mala”; e Amanda Íthala Santos da Paschoa, nora de Maurício Knoploch e cunhada do deputado Alexandre Knoploch.

O parlamentar Alexandre Knoploch, que é aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL) e frequentemente citado como um dos deputados indicados pelo clã Bolsonaro no estado, não é alvo da operação. A investigação, no entanto, atingiu diretamente seu núcleo familiar, com a prisão do pai e da cunhada.

O esquema criminoso investigado movimentou cerca de R$ 86,28 milhões entre julho de 2022 e maio de 2026 por meio de contratos fraudulentos firmados com o IRM, autarquia estadual vinculada ao governo do Rio de Janeiro. Ao todo, o MPRJ denunciou 11 pessoas à Justiça pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitação e contratações, e lavagem de dinheiro.

Segundo a denúncia, o Instituto Rio Metrópole foi “capturado por uma organização criminosa e transformado em uma máquina de desvio de dinheiro público”. Presidente, diretores, procurador e servidores ocuparam cargos estratégicos para fraudar licitações, dar aparência de legalidade aos contratos, impedir a fiscalização e garantir o fluxo de recursos desviados, convertendo a autarquia em um “instrumento de enriquecimento privado”.

O modus operandi do grupo funcionava da seguinte forma:

  • Contratos direcionados: empresas eram previamente escolhidas para firmar contratos com o IRM, com valores superfaturados.
  • Repasse para entidade de fachada: parte dos recursos pagos às contratadas era transferida para o Brazilian Institute of Organics (Instituto BIO), apontado pelo MP como uma organização sem estrutura operacional compatível com os serviços contratados.
  • Saque em espécie: após as transferências, o dinheiro era sacado em espécie para dificultar o rastreamento dos valores desviados.
  • Escolta armada: os saques milionários contavam com escolta armada de empresas de vigilância, como a RioForte, controlada pelo delegado Franquis Dias Nepomuceno.

Em um dos episódios investigados, ocorrido em 9 de janeiro, Caroline Soares Barros teria retirado R$ 500 mil em uma agência bancária, sendo escoltada por funcionários da RioForte.

O papel de Maurício Knoploch no esquema, segundo o MPRJ, era central: como diretor de Planejamento e Projetos do IRM e integrante da Comissão Técnica de Licitação, ele atuava como articulador do direcionamento das licitações em favor das empresas contratadas.

Além das seis prisões, a Justiça expediu nove mandados de busca e apreensão, cumpridos em endereços na capital fluminense, em São Gonçalo e em Teresópolis. Medidas cautelares também foram aplicadas a outros investigados, como monitoramento eletrônico, comparecimento regular ao fórum e proibição de saída do país.

As investigações tiveram início após uma auditoria determinada pela gestão do governador em exercício, Ricardo Couto. Em coletiva de imprensa, o procurador-geral de Justiça do Rio, Antônio José Campos Moreira, destacou que o esquema é um retrato dos “antros de corrupção” que ainda persistem no estado.

Em nota, o governo do estado do Rio de Janeiro ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso.

Com informações de O Globo, Tempo Real RJ, A Tribuna RJ, CNN Brasil, Brasil 247, Veja, Diário do Rio, Band, R7, InfoMoney e Valor Econômico ■

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