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O diretor de Planejamento e Projetos do Instituto Rio Metrópole (IRM), Maurício Silva Knoploch dos Santos, pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), foi preso na manhã desta quinta-feira (9) durante a Operação Ouroboros, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), com apoio da Polícia Civil.
Maurício Knoploch estava foragido desde o início do dia e foi localizado e capturado pelos agentes. Com sua prisão, o número de detidos na operação chegou a seis. Entre os presos estão também o presidente do IRM, Davi Perini Vermelho, conhecido como “Didê”; o delegado da Polícia Civil Franquis Dias Nepomuceno; o procurador do Estado Marcelo Lopes da Silva; a ex-fiscal de contratos Caroline Soares Barros, apontada como a “Mulher da Mala”; e Amanda Íthala Santos da Paschoa, nora de Maurício Knoploch e cunhada do deputado Alexandre Knoploch.
O parlamentar Alexandre Knoploch, que é aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL) e frequentemente citado como um dos deputados indicados pelo clã Bolsonaro no estado, não é alvo da operação. A investigação, no entanto, atingiu diretamente seu núcleo familiar, com a prisão do pai e da cunhada.
O esquema criminoso investigado movimentou cerca de R$ 86,28 milhões entre julho de 2022 e maio de 2026 por meio de contratos fraudulentos firmados com o IRM, autarquia estadual vinculada ao governo do Rio de Janeiro. Ao todo, o MPRJ denunciou 11 pessoas à Justiça pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitação e contratações, e lavagem de dinheiro.
Segundo a denúncia, o Instituto Rio Metrópole foi “capturado por uma organização criminosa e transformado em uma máquina de desvio de dinheiro público”. Presidente, diretores, procurador e servidores ocuparam cargos estratégicos para fraudar licitações, dar aparência de legalidade aos contratos, impedir a fiscalização e garantir o fluxo de recursos desviados, convertendo a autarquia em um “instrumento de enriquecimento privado”.
O modus operandi do grupo funcionava da seguinte forma:
Em um dos episódios investigados, ocorrido em 9 de janeiro, Caroline Soares Barros teria retirado R$ 500 mil em uma agência bancária, sendo escoltada por funcionários da RioForte.
O papel de Maurício Knoploch no esquema, segundo o MPRJ, era central: como diretor de Planejamento e Projetos do IRM e integrante da Comissão Técnica de Licitação, ele atuava como articulador do direcionamento das licitações em favor das empresas contratadas.
Além das seis prisões, a Justiça expediu nove mandados de busca e apreensão, cumpridos em endereços na capital fluminense, em São Gonçalo e em Teresópolis. Medidas cautelares também foram aplicadas a outros investigados, como monitoramento eletrônico, comparecimento regular ao fórum e proibição de saída do país.
As investigações tiveram início após uma auditoria determinada pela gestão do governador em exercício, Ricardo Couto. Em coletiva de imprensa, o procurador-geral de Justiça do Rio, Antônio José Campos Moreira, destacou que o esquema é um retrato dos “antros de corrupção” que ainda persistem no estado.
Em nota, o governo do estado do Rio de Janeiro ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso.
Com informações de O Globo, Tempo Real RJ, A Tribuna RJ, CNN Brasil, Brasil 247, Veja, Diário do Rio, Band, R7, InfoMoney e Valor Econômico ■