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A festa é em Praia, na Ilha de Santiago, e se espalha por todo o arquipélago. Cabo Verde, o pequeno país de pouco mais de meio milhão de habitantes, escreveu nesta sexta-feira (26) o capítulo mais bonito de sua história no futebol. Ao empatar sem gols com a Arábia Saudita no NRG Stadium, em Houston, pela terceira e última rodada do Grupo H, a seleção comandada por Pedro Bubista garantiu vaga inédita na segunda fase da Copa do Mundo de 2026 e, de quebra, conquistou o direito de enfrentar ninguém menos que a atual campeã Argentina, de Lionel Messi. O confronto dos 16 avos de final está marcado para a próxima sexta-feira, 3 de julho, às 19h (horário de Brasília), no Hard Rock Stadium, em Miami Gardens.
Com o resultado, Cabo Verde terminou a fase de grupos invicto, mas sem nenhuma vitória: foram três empates — 0 a 0 contra a Espanha, 2 a 2 contra o Uruguai e 0 a 0 novamente com a Arábia Saudita. Os três pontos somados, combinados com a derrota do Uruguai por 1 a 0 para a Espanha no outro jogo da chave, foram suficientes para os Tubarões Azuis ultrapassarem a Celeste e garantirem a segunda colocação do Grupo H, atrás apenas da líder Espanha, que fechou com 7 pontos. O Uruguai, com 2 pontos, foi eliminado precocemente, assim como a lanterna Arábia Saudita, também com 2 pontos, mas com saldo negativo.
A classificação histórica foi construída sobre uma base sólida: a entrega, a dedicação e a defesa implacável do goleiro Vozinha, que se tornou o grande símbolo da campanha cabo-verdiana. Aos 40 anos, Josimar – nome dado em homenagem ao lateral brasileiro da Copa de 1986 – saiu do anonimato para se transformar em um fenômeno das redes sociais, saltando de 50 mil para 20 milhões de seguidores. Em cada partida, suas defesas “atrapalhadas”, seus dribles com os pés e sua alegria contagiante cativaram torcedores ao redor do mundo. Contra a Arábia Saudita, mais uma vez ele foi decisivo, especialmente ao defender uma cabeçada de Kanno nos acréscimos do primeiro tempo, mantendo o zero no placar.
A trajetória de Cabo Verde nesta Copa do Mundo é feita de superação e resiliência. Na estreia, os Tubarões Azuis surpreenderam o mundo ao segurar a Espanha, atual campeã da Europa, em um 0 a 0 que já anunciava o espírito de luta da equipe. Na segunda rodada, vieram os gols: Kevin Pina marcou o primeiro gol da história de Cabo Verde em Copas do Mundo, e o time buscou um heroico empate por 2 a 2 contra o Uruguai, bicampeão mundial. O país seguiu os ensinamentos do próprio hino nacional: “a esperança é do tamanho do mar”.
Diante da Arábia Saudita, a estratégia foi clara: controlar o jogo, segurar a posse de bola e administrar o resultado. E assim foi feito. Cabo Verde foi superior durante boa parte do primeiro tempo, com destaque para as arrancadas de Semedo pela esquerda, que obrigaram o goleiro saudita Al-Owais a fazer grande defesa. Na volta do intervalo, Jamiro Monteiro quase abriu o placar aos dois minutos, mas finalizou sem força. Apesar da pressão saudita na etapa final, a defesa cabo-verdiana, liderada por Vozinha, manteve a solidez e garantiu o empate que valeu a classificação.
Agora, o desafio é de proporções gigantescas. Cabo Verde enfrentará a Argentina, líder invicta do Grupo J, que venceu Áustria e Argélia por 2 a 0 e 3 a 0, respectivamente, todos os gols marcados por Lionel Messi. O craque argentino, de 39 anos, ultrapassou Miroslav Klose e se tornou o maior artilheiro da história das Copas do Mundo. O duelo entre o “escudo” Vozinha e a “lança” Messi já é um dos mais aguardados da segunda fase. A pergunta que ecoa nas redes sociais é: “ninguém no mundo conseguiu parar o Messi. Será que o Vozinha vai conseguir?”.
Para os analistas, a Argentina é ampla favorita. Como observou o comentarista PVC, “o Messi é favoritíssimo. A Argentina é muito favorita para eliminar Cabo Verde. Zebra existe para acontecer, mas a Argentina é muitíssimo favorita”. No entanto, Cabo Verde chega confiante na força de sua marcação, nos lampejos ofensivos de Semedo, Livramento e Ryan Mendes, e no toque refinado de Jamiro Monteiro. O país, que ocupa a 135ª posição no IDH e a 64ª no ranking da Fifa, não tem nada a perder diante da tricampeã mundial.
Os cabo-verdianos, que falam português como os brasileiros, levaram para os Estados Unidos não apenas seu futebol, mas também sua cultura de união e solidariedade, celebrada pela expressão em crioulo “Nu sta djunto, Kabu Verdi” — “Estamos juntos, Cabo Verde”. O estádio NRG, em Houston, ficou mais colorido do que nunca, com a torcida inclinada a Cabo Verde, que celebrou a classificação como uma verdadeira volta olímpica.
A partida contra a Argentina será realizada na próxima sexta-feira, 3 de julho, às 19h (horário de Brasília), no Hard Rock Stadium, em Miami. Será um duelo inédito entre as duas seleções, que nunca se enfrentaram na história. Para a Argentina, a missão é defender o título conquistado em 2022 e seguir em busca do bicampeonato. Para Cabo Verde, o sonho é continuar escrevendo sua história de superação e, quem sabe, protagonizar uma das maiores zebras do futebol mundial.
Enquanto a bola não rola, a festa já começou. Das ilhas do arquipélago à diáspora espalhada pelo mundo, os cabo-verdianos celebram a conquista de um povo que, contra todas as expectativas, provou que “pequenas ilhas” podem abrigar “grandes sonhos”. E, no próximo fim de semana, todos os olhos estarão voltados para Miami, onde Vozinha e seus companheiros tentarão segurar Messi e fazer ainda mais história.
Com informações de Placar, Correio do Povo, CNN Portugal, Lance!, GZH, O Povo, BBC News Brasil, UOL Esporte, InfoMoney, Sporting News, El Norte de Castilla, La100, El Territorio, Prensa Libre, Rionegro, Bnews, Nacion, Olympics.com, FIFA.com, ge.globo.com ■