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Bolsonaristas tumultuam evento de Flávio Bolsonaro no Ceará e a culpa cai novamente no PT
Deputado federal André Fernandes chamou ex-presidente de "nosso galego" em meio a racha com Michelle e atribuiu protestos contra Ciro e confusão a "petistas infiltrados"
Politica
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■   Bernardo Cahue, 11/07/2026

O lançamento oficial das pré-candidaturas do Partido Liberal (PL) no Ceará, realizado na noite desta sexta-feira (10) no bairro Maraponga, em Fortaleza, foi marcado por tumulto e tensão entre apoiadores. O evento, que contou com a presença do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), teve como objetivo principal lançar a pré-candidatura do deputado estadual Alcides Fernandes ao Senado e de dezenas de outros bolsonaristas para a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados.

No entanto, a atmosfera de campanha foi interrompida por protestos de parte do público presente, que demonstrou insatisfação com a aliança política costurada entre o bolsonarismo e o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo do Ceará. Manifestantes exibiram cartazes com os dizeres "Direita não vota na esquerda" e "Ciro, não", enquanto uma mulher chegou a gritar "Ciro, não" próximo ao palco.

O clima esquentou quando alguns presentes rasgaram os cartazes dos manifestantes, gerando um princípio de confusão na lateral do palco. Homens se peitaram, mas a briga foi contida por integrantes da própria plateia. Uma mulher que teve seu cartaz rasgado desferiu tapas nas costas do autor do ato, que não revidou. Em determinado momento, no entanto, um coro formado por apoiadores passou a entoar "Ciro, Ciro, Ciro", em apoio ao tucano, forçando uma pausa no discurso do senador Rogério Marinho.

Diante da confusão, o deputado federal André Fernandes (PL-CE), presidente do partido no estado e filho do pré-candidato Alcides Fernandes, subiu ao palco para conter os ânimos e atribuiu a responsabilidade pelo tumulto a adversários políticos. Em sua fala, afirmou categoricamente que havia "petistas infiltrados" no local tentando bagunçar o evento. "Eu sei que tem alguns petistas infiltrados. Não precisa nem olhar. Tem alguns petistas infiltrados querendo bagunçar o nosso evento. Faz o seguinte, ignora. Hoje é dia de festa, vamos derrubar o PT. Ignora. Entenda que a todo momento vai aparecer gente querendo dividir a oposição", discursou o parlamentar.

André Fernandes também utilizou seu discurso para xingar os manifestantes, afirmando que "quem dá moral para merda é mosca, não olha para petista que passa".

Paralelamente ao tumulto, o evento serviu como palco para uma nova demonstração do racha interno que divide a família Bolsonaro e o PL no Ceará. A ausência da vereadora Priscila Costa (PL), aliada da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e também pré-candidata ao Senado, foi um dos principais sinais da crise. Ela se encontrava em Lisboa para um seminário de mulheres conservadoras.

Em seu discurso, André Fernandes fez questão de exaltar a figura do ex-presidente Jair Bolsonaro, chamando-o de "nosso galego", um apelido frequentemente utilizado por Michelle Bolsonaro. "Eu só estou hoje aqui por causa de um homem: Jair Bolsonaro, que está sendo injustiçado nesse momento em casa. E que saudade eu tenho do nosso presidente… Eu fico olhando ali o rosto dele, nosso eterno presidente. Nosso galego! Não é de ninguém individual, não, tá? É o nosso galego", declarou. A referência foi interpretada como uma provocação direta à ex-primeira-dama, com quem André Fernandes se tornou rival após a deflagração da crise.

A rachadura no bolsonarismo cearense teve início após Michelle Bolsonaro criticar publicamente a articulação política de André Fernandes, que costurou uma aliança com Ciro Gomes para as eleições de 2026. A ex-primeira-dama acusou o deputado de desestimular a candidatura de Priscila Costa ao Senado — que seria a preferência de Jair Bolsonaro — e classificou a postura como uma "traição". O desentendimento rapidamente escalou para um confronto público com Flávio Bolsonaro, a quem Michelle acusou de desrespeito e silenciamento.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, fez acenos às mulheres em seu discurso e insuflou os apoiadores a "arrancar" o PT do poder, sem mencionar diretamente o nome de Ciro Gomes ou a crise familiar.

A disputa interna no PL gira em torno da definição das duas vagas ao Senado que estarão em jogo no Ceará, sendo considerada improvável a viabilidade de duas candidaturas do partido para o cargo.

Com informações de Estadão, O Povo, Revista Fórum, ND Mais ■

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