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Teimosia de Ancelotti com Neymar sela hexa-eliminação do Brasil
Com a Noruega letal nas transições e Haaland solto na área, a Seleção Brasileira pagou caro pela falta de ajustes táticos e pela insistência em um plano que já não funcionava
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 05/07/2026

O sonho do hexacampeonato chegou ao fim da maneira mais dolorosa possível para a torcida brasileira. Neste domingo (5), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, o Brasil foi derrotado por 2 a 1 pela Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 e deu adeus à competição de forma precoce. Mais do que o placar, o que ficou foi a sensação de que Carlo Ancelotti, técnico multicampeão, repetiu erros já conhecidos e insiste em soluções que, na prática, se mostraram ineficazes.

O jogo começou com um Brasil que, no papel, parecia ter tudo para dominar. Ancelotti escalou o time com Rayan como titular no lugar de Raphinha, que ainda se recuperava de uma lesão muscular. O jovem atacante, de apenas 19 anos, vinha sendo a aposta do treinador para dar dinamismo ao setor direito do ataque.

O primeiro tempo foi de estudo, com poucas emoções e um equilíbrio que não assustava ninguém. A Noruega, comandada por um Erling Haaland cirúrgico, esperava o momento certo para atacar. Nesse meio tempo, o Brasil ainda teve um pênalti marcado, discutido após análise do VAR, que Bruno Guimarães desperdiçou.

Aos 34 minutos do segundo tempo, Haaland aproveitou a primeira falha da defesa brasileira e não perdoou. O gol abriu o placar e expôs uma fragilidade que Ancelotti, durante a semana, havia minimizado em entrevistas. “Não acredito que exista um plano anti-Haaland. Não preciso dizer aos nossos jogadores como devem defender”, declarou o italiano. As palavras soaram como uma sentença quando, aos 44 minutos, o camisa 9 norueguês voltou a aparecer para ampliar a vantagem e decretar a eliminação brasileira.

Se o desempenho de Haaland foi implacável, as escolhas de Ancelotti foram, no mínimo, questionáveis. Dois pontos, em especial, chamaram a atenção e são alvo de críticas contundentes:

  • A substituição equivocada de Rayan: O jovem atacante, que começou a partida como titular, foi mantido em campo em uma posição que contrastava com seu apoio tático defensivo. A aposta, que havia sido aprovada por Ancelotti em jogos anteriores, mostrou-se frágil diante de uma defesa experiente e bem postada, apesar de ter sido na prática a principal arma anti-Haaland.
  • A insistência em Neymar no banco: O camisa 10, que não era titular desde o início da Copa, permaneceu no banco de reservas pela quinta partida consecutiva. Ancelotti justificou a decisão alegando que queria preservar Neymar para momentos decisivos, como prorrogação ou disputa de pênaltis. O problema é que, com o Brasil perdendo, a entrada do craque só ocorreu tardiamente, quando o time já não conseguia mais impor seu jogo. A insistência em deixar o principal armador do elenco fora de campo, mesmo diante da necessidade de criar jogadas, evidenciou uma teimosia tática que custou caro.

O último ato: Neymar, o único jogador especialista em bolas paradas entre todos os jogadores convocados, marcou de pênalti o gol de honra do Brasil já nos acréscimos do segundo tempo, quando não havia mais tempo de reação.

Os números confirmam o drama. A eliminação representa o pior desempenho do Brasil em Copas do Mundo desde 1990, quando caiu nas oitavas de final para a Argentina. Desde então, a Seleção sempre havia alcançado, no mínimo, as quartas de final. Em 36 anos, esta é a campanha mais precoce e frustrante da equipe canarinho.

A atuação de Ancelotti à beira do gramado, conhecida por sua postura serena e pela famosa sobrancelha levantada, contrastou com a agitação necessária para mudar o rumo da partida. Enquanto o técnico italiano mantinha a calma, Haaland aproveitava cada espaço deixado pela defesa brasileira. A falta de um plano específico para conter o atacante norueguês, somada à demora para ajustar o time, transformou o que poderia ser uma virada em mais uma página triste da história do futebol brasileiro.

Agora, resta a reflexão: será que a confiança excessiva em um esquema tático e a resistência em utilizar Neymar como titular ou em substituir Rayan mais cedo foram os fatores que condenaram o Brasil? A resposta, infelizmente para os torcedores, veio com o apito final e os dois gols de Haaland.

Com informações de ge.globo.com, ESPN.com.br, UOL.com.br, Extra.globo.com, Lance.com.br, Alô Alô Bahia, Goal.com, Sporting News, CNN Brasil, O Globo, R7.com, Terra.com.br, Exame.com, Diário do Centro do Mundo, FMRural.com.br, A Bola, GP1.com.br, O Tempo, Vietnam.vn, TyC Sports, Bolavip, Andina.pe ■

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