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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou nas últimas horas a retórica bélica contra o Irã, com ameaças explícitas de uma nova rodada de ataques militares “muito mais violentos” e o anúncio de que o frágil cessar-fogo em vigor desde o início de abril está “em estado terminal” (life support). A escalada verbal ocorre em meio a um impasse nas negociações mediadas pelo Paquistão e a uma série de incidentes armados no Estreito de Ormuz, elevando a tensão na região do Golfo Pérsico a níveis críticos.
As novas provocações começaram em 29 de abril, quando Trump publicou em sua rede social Truth Social uma imagem gerada por inteligência artificial na qual aparece com óculos escuros e um fuzil, ao lado de explosões e da frase “Chega de bancar o bonzinho” (No more Mr. Nice Guy). Na mensagem, o presidente americano afirmou que o Irã “não consegue se organizar” e que os líderes iranianos “não sabem como assinar um acordo não nuclear”. A postagem foi interpretada por analistas como um sinal claro de que a Casa Branca avaliava a retomada dos bombardeios, mesmo durante o período de trégua.
No dia 7 de maio, Trump foi além, fazendo uma declaração direta e agressiva: “Se eles não assinarem o acordo RÁPIDO!, vou derrotá-los com muito mais força e muito mais violência do que antes”. A ameaça foi justificada por um confronto naval no Estreito de Ormuz, no qual três destróieres americanos foram atacados por barcos, mísseis e drones iranianos. O presidente americano afirmou que os atacantes foram “completamente destruídos” e que a resposta militar dos EUA foi devastadora. Em resposta, Teerã classificou a ação como uma violação do cessar-fogo e prometeu uma “resposta esmagadora”.
Em 10 de maio, Trump voltou a atacar o regime iraniano com uma declaração de tom pessoal: “O Irã vem brincando com os Estados Unidos há 47 anos. Eles não vão mais rir!”. A frase foi publicada após a mídia estatal iraniana informar que Teerã havia enviado ao Paquistão sua resposta à mais recente proposta de paz americana, que incluiria a “cessação imediata da guerra” e o “restabelecimento da segurança marítima” no Golfo.
A crise nuclear continua sendo o ponto central do impasse. Trump reafirmou em várias ocasiões que o Irã nunca terá uma arma nuclear. Em um giro tático, o presidente americano declarou, após viagem a Pequim, que aceitaria uma suspensão de 20 anos do programa de enriquecimento de urânio, desde que o compromisso iraniano fosse “real”. No entanto, ele condicionou que qualquer acordo deve incluir a destruição ou transferência do estoque de urânio altamente enriquecido. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, respondeu que o tema do enriquecimento “atualmente não está na agenda de discussões” e que a “primeira frase” da contraproposta iraniana foi considerada “inaceitável” por Trump por tocar no tema nuclear.
Paralelamente, as opções militares estão sendo avaliadas a todo vapor. Segundo reportagem do site Axios e da agência Reuters, Trump já convocou reuniões com seu conselho de segurança nacional para discutir a retomada de ações armadas. As opções em cima da mesa incluem:
Fontes citadas pela imprensa norte-americana indicam que Trump acredita que manter o bloqueio naval é “menos arriscado” do que reiniciar bombardeios em larga escala, pois a pressão econômica está “estressando a economia iraniana” e colocando o país em um “estado de colapso”. No entanto, analistas destacam que o chamado “geopolítico de risco” de Trump, marcado por insultos e ultimatos públicos, parece ter atingido um limite com o Irã, que se recusa a ceder.
As consequências econômicas do impasse já são sentidas globalmente. O fechamento virtual do Estreito de Ormuz para a maior parte do tráfego comercial desencadeou uma crise energética global, com os preços do petróleo oscilando em torno de US$ 109 o barril. A Aramco, gigante saudita do petróleo, alertou que “a interrupção no fornecimento de energia é a maior que o mundo já experimentou”. Além disso, há o temor de uma crise humanitária devido à escassez de fertilizantes, o que pode forçar 45 milhões de pessoas adicionais à fome.
No campo político doméstico, a guerra no Oriente Médio se tornou um passivo eleitoral para Trump, que enfrenta críticas do alto preço da gasolina e baixos índices de aprovação, às vésperas das eleições de meio de mandato em novembro. O Partido Republicano luta para manter o controle do Congresso, enquanto a oposição democrata questiona a constitucionalidade do conflito, que qualifica como uma “guerra de escolha” sem aprovação legislativa.
Diante do cenário de impasse, o Paquistão continua atuando como mediador, e Israel já sinalizou publicamente que a guerra “não acabou”. Por enquanto, a comunidade internacional aguarda os próximos passos da Casa Branca, enquanto Trump declara que não será “muito mais paciente” e que a única saída para o Irã é fechar um acordo rapidamente.
Com informações de G1, UOL, BBC News Brasil, CBN, ANSA Brasil, CNN Brasil, Reuters, Associated Press (AP), The Wall Street Journal, Axios, The Washington Examiner, The Standard, Dawn, The New Arab, Ynetnews, The Times of Israel, Mid-Day, Jang, Blick, AA.com.tr, Politis, SOFX, ANI News, Tri-City Herald, L'Orient Today, The National, Jewish Ledger, CGTN, Tabnak, Euronews Persa, Khabar Online ■