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Chefe jurídico do ICE em Minnesota se aposenta em meio a crise de imigração
Saída de Jim Stolley após 31 anos ocorre na mesma semana em que uma advogada federal foi removida do cargo após desabafar em tribunal sobre sobrecarga de trabalho e descumprimento de ordens judiciais
America do Norte
Foto: https://admin.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2026/01/Protestos-contra-o-ICE-se-espalham-nos-EUA.jpg?w=1024&h=630&crop=1
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■   Bernardo Cahue, 09/02/2026

O principal advogado do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em Minnesota, Jim Stolley, aposentou-se após 31 anos de serviço público. A saída foi confirmada pela porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS), Tricia McLaughlin, que afirmou que a aposentadoria já estava programada, mas não forneceu mais detalhes. A confirmação veio através de uma resposta automática no e-mail de Stolley: "Eu me aposentei do serviço público".

O fato ocorre no mesmo contexto em que a advogada federal Julie Le foi removida de seu cargo temporário no escritório do Procurador dos EUA no Distrito de Minnesota. A remoção aconteceu após ela fazer declarações extraordinárias em uma audiência judicial na terça-feira (3 de fevereiro), na qual afirmou ao juiz distrital Jerry Blackwell que o trabalho "é péssimo" e que gostaria de ser considerada em desacato ao tribunal para "poder dormir 24 horas seguidas".

Desabafo no Tribunal Revela Sistema Sobrecarregado

Durante a audiência, Julie Le descreveu um sistema de imigração à beira do colapso. Ela admitiu que o governo "não tem advogados suficientes no local" para lidar com a enxurrada de casos e que corrigir erros era como "arrancar dentes". Em menos de um mês, ela havia sido designada para 88 casos.

Le relatou que suas tentativas de garantir o cumprimento das ordens judiciais dentro de sua própria agência eram uma batalha constante: "São necessários 10 e-mails para que uma condição de liberdade seja corrigida. São necessárias duas escaladas e uma ameaça de que vou sair para que isso seja corrigido". Em um momento de franqueza, ela disse ao juiz: "O sistema é péssimo. Este trabalho é péssimo. E estou usando todas as minhas forças para conseguir o que você precisa".

Aposentadoria do Chefe Jurídico em Meio a Pressão Crescente

A aposentadoria de Jim Stolley, o principal conselheiro jurídico do ICE na região, marca uma perda significativa de experiência institucional. Embora oficialmente programada, sua saída ocorre em um momento de pressão judicial sem precedentes sobre a agência em Minnesota.

Na semana anterior, o juiz federal-chefe Patrick J. Schiltz emitiu uma ordem extraordinária, determinando que o diretor interino do ICE, Todd Lyons, comparecesse pessoalmente ao tribunal para explicar por que a agência não deveria ser responsabilizada por desrespeito à justiça. Schiltz escreveu que o ICE "provavelmente violou mais ordens judiciais em janeiro de 2026 do que algumas agências federais violaram em toda a sua existência".

Operação "Metro Surge" e Consequências

O caos descrito nos tribunais é um subproduto direto da "Operação Metro Surge", uma grande ofensiva de imigração lançada pela administração Trump em Minnesota em dezembro. A operação levou a milhares de prisões e sobrecarregou completamente o sistema judicial local.

A operação também gerou grande tensão civil. No mês anterior, dois cidadãos americanos, Renee Good e Alex Pretti, foram mortos a tiros por agentes federais em incidentes separados durante a operação em Minneapolis, gerando protestos generalizados e críticas. Em resposta à pressão, a administração anunciou na quarta-feira (4 de fevereiro) que reduziria a operação, incluindo a retirada de 700 agentes de aplicação da lei do estado "imediatamente". O presidente Donald Trump comentou sobre a decisão, dizendo: "Talvez possamos usar um toque um pouco mais suave, mas você ainda tem que ser duro".

Impacto Humano e Reação Legal

Os advogados de imigrantes descreveram um padrão preocupante de "detenção primeiro, busca de autoridade legal depois". Em um caso, um homem identificado como "Oscar" foi mantido detido por quase duas semanas após um juiz ter ordenado sua libertação, sendo inclusive transferido para o Texas.

Sua advogada, Kira Kelley, descreveu uma "experiência horrível", com seu cliente comendo o que ele considerava ser "comida de cachorro" e sendo "tratado como menos que humano". O juiz Jerry Blackwell destacou a gravidade da situação: "A detenção sem autoridade legal não é apenas um defeito técnico, é uma violação constitucional que recai injustamente sobre aqueles que não fizeram nada para justificá-la".

Com informações de: CNN, Associated Press (via Tribuna do Sertão), NBC News, G1 ■

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