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Trump seca a torneira de estados democratas durante shutdown
Congelamento de US$ 26 bilhões é encarado como retaliação política e afeta projetos de transporte e energia verde; paralisação do governo entra em sua segunda semana
America do Norte
Foto: https://medias.revistaoeste.com/wp-content/uploads/2025/10/donald-trump-reproducao-casa-branca.jpg
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■   Bernardo Cahue, 08/10/2025

Em uma manobra de forte impacto político, a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, congelou US$ 26 bilhões em fundos federais destinados a estados governados por democratas. A ação ocorre durante o shutdown (paralisação do governo), o 15º desde 1981, que começou em 1º de outubro e já entra em sua segunda semana sem perspectiva imediata de acordo.

O congelamento dos recursos é parte da estratégia do governo republicano de, nas palavras do próprio Trump, aproveitar uma "oportunidade sem precedentes" para cortar programas e agências favorecidas pelo Partido Democrata. O presidente chegou a declarar que "um monte de coisa boa pode vir dos shutdowns", acrescentando que "podemos nos livrar de muitas coisas que não queríamos, e seriam coisas dos democratas".

Onde Os Cortes Atingem

Os cortes anunciados pelo diretor do Escritório de Orçamento da Casa Branca, Russell T. Vought, atingem dois grupos principais de projetos :

  • US$ 18 bilhões para projetos de trânsito em Nova York, estado que abriga os principais líderes democratas no Congresso, Chuck Schumer e Hakeem Jeffries. Os valores são destinados a iniciativas como a expansão do Metrô da Segunda Avenida e a construção de um túnel ferroviário sob o Rio Hudson.
  • US$ 8 bilhões para iniciativas de energia verde em 16 estados administrados por democratas, incluindo Califórnia e Illinois. Os programas cancelados envolvem investimentos em hidrogênio limpo e outras tecnologias energéticas.

Alvo Democrata, Dano Bipartidário

Apesar do foco declarado em estados democratas, a tesourada orçamentária também atingiu projetos em 28 distritos eleitorais representados por republicanos na Câmara, de acordo com dados divulgados por democratas do Comitê de Apropriações. Entre os afetados estão legisladores republicanos considerados politicamente vulneráveis nas próximas eleições, representando distritos na Arizona, Colorado e Nova York.

O representante republicano Mike Lawler, cujo distrito no Vale do Hudson foi impactado, reconheceu publicamente o problema. "Estou em Nova York e sou republicano, e obviamente esse cancelamento de projeto impacta o meu distrito, então não são apenas os democratas sendo afetados", disse ele à CNN.

Justificativa e Reação

A administração Trump justificou o congelamento dos fundos para projetos de infraestrutura em Nova York e Chicago alegando a necessidade de revisar se os contratos envolvem "práticas inconstitucionais" relacionadas a diversidade. Líderes democratas, no entanto, rejeitam o argumento e acusam o presidente de usar a população como "peões" em uma chantagem política.

O governador de Nova York, Kathy Hochul, classificou a ação como uma tentativa de travar "guerras culturais" e afirmou que o estado cumpriu sua parte e está pronto para construir.

O Shutdown e Seus Impactos

A paralisação do governo federal, que completa nearly uma semana, já causa efeitos concretos :

  • Cerca de 750 mil servidores federais foram afastados sem remuneração, enquanto outros, como militares e agentes de fronteira, trabalham sem receber.
  • O vice-presidente J.D. Vance alertou que a administração pode ser forçada a recorrer a demissões em massa se a paralisação se estender.
  • Os viajantes começam a sentir os impactos, com atrasos em aeroportos de grandes cidades como Houston, Newark, Las Vegas e Nashville devido a escassez de controladores de voo.

O impasse no Senado continua, com os democratas tendo bloqueado o projeto de lei de financiamento de curto prazo apoiado pelos republicanos. Uma nova votação está prevista para os próximos dias, em uma tentativa de reabrir o governo.

Com informações de: CBN, The New York Times, UOL, Democrats-Appropriations.House.gov, Poder360, CNN, NPR, Wikinews, Veja, CNBC. ■

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