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Democratas dos EUA acusam Trump de usar guerra comercial para proteger Bolsonaro
Em carta, parlamentares americanos afirmam que tarifas contra o Brasil são "ilegais" e buscam interferir no sistema democrático brasileiro
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 12/09/2025

Um grupo de deputados democratas dos Estados Unidos publicou uma carta na quinta-feira (11) acusando o presidente Donald Trump de utilizar políticas tarifárias para "defender seu colega golpista", referindo-se ao ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro. O documento, divulgado horas após a condenação de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), alega que Trump impôs tarifas ilegais de 50% sobre produtos brasileiros para interferir no processo judicial que resultou na condenação do ex-líder brasileiro.

Contexto das tarifas e impacto bilateral

As acusações ocorrem no contexto de ampla política tarifária implementada por Trump desde seu retorno à presidência. Como detalhado pela BBC, Trump elevou a média tarifária dos EUA de menos de 2,5% no início de 2025 para mais de 18%, com o Brasil enfrentando uma das maiores taxas (50%) entre as principais economias.

Os democratas argumentam que essa "guerra comercial" imposta por Trump não apenas rompeu as relações EUA-Brasil, mas também foi implementada "às custas das famílias americanas impactadas pelo que são, na prática, impostos". O texto ainda alerta que os interesses económicos e de segurança nacional dos Estados Unidos sofreram danos colaterais, já que o Brasil exporta cada vez mais seus produtos para a China em detrimento dos EUA.

Disputa legal e política externa

A carta surge num momento crítico para a política comercial trumpista. Conforme reportado pelo New York Times, o Supremo Tribunal dos EUA concordou em analisar a legalidade das tarifas de Trump, que foram impostas com base numa lei de emergência económica (IEEPA) nunca antes utilizada para tal finalidade.

Especialistas questionam se a Lei de Poderes Económicos de Emergência Internacional (IEEPA) realmente concede ao presidente autoridade para impor tarifas dessa magnitude. Múltiplas instâncias judiciais já se pronunciaram contra a administração Trump, levando o caso à Suprema Corte.

Repercussão internacional e estratégia geopolítica

A acusação específica sobre a interferência de Trump em apoio a Bolsonaro reflete uma preocupação mais ampla com o uso de instrumentos económicos para fins geopolíticos pessoais. De acordo com a Reuters, Trump também utilizou políticas tarifárias para pressionar a Índia a reduzir compras de petróleo russo, enquanto ofereceu isenções a países que fecharam acordos comerciais com os EUA.

A carta dos democratas enfatiza: "O fato de Trump ter travado uma guerra comercial para defender seu colega golpista não só rompeu as relações EUA-Brasil, como também foi feito às custas das famílias americanas". Os parlamentares pedem que Trump "encerre imediatamente seus esforços para minar a democracia brasileira e ponha fim a essas tarifas ilegais que impactam a economia americana".

Impacto econômico das tarifas

Estudos económicos citados pelo New York Times indicam que as tarifas trumpistas funcionam efectivamente como um aumento de impostos para empresas e consumidores americanos. Analistas do Tax Foundation argumentam que o fim das tarifas equivaleria a um corte de impostos corporativos, pois muitas empresas americanas absorveram parte dos custos dessas medidas.

Empresas como a General Motors projectam que as tarifas lhes custarão US$ 5 bilhões apenas em 2025. O mercado laboral americano também já mostra sinais de desaceleração, com a economia acrescentando apenas 22.000 empregos em agosto.

Próximos passos e conclusão

A carta dos democratas representa mais um capítulo na intensa batalha política em torno da política comercial de Trump. Com a Supreme Court prestes a ouvir arguments sobre a legalidade das tarifas em novembro, o destino da agenda económica trumpista pode ser decidido nos próximos meses.

Os parlamentares democratas concluem seu apelo com um chamado à reconstrução da parceria EUA-Brasil: "Só então [com o fim das tarifas] poderemos trabalhar para reconstruir esta parceria crucial".

Com informações de: G1, GauchaZH, The New York Times, Reuters, BBC, Politico. ■

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