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Brasileira revela abuso sexual por Jeffrey Epstein aos 14 anos e exige transparência em caso
Vítima identificada como "menor número 1" nos processos judiciais quebra silêncio após anos e participa de ato em Washington por liberação de documentos
America do Norte
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQNg3lw9c9dutE-7xlsU82fDvmMlnDzohFlObmkp18hJUoKcKRcEN06hpU&s=10
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■   Bernardo Cahue, 04/09/2025

Marina Lacerda, uma brasileira de 37 anos, revelou publicamente pela primeira vez ter sido vítima de abusos sexuais pelo financista Jeffrey Epstein quando tinha apenas 14 anos. Em entrevista à ABC News e em coletiva de imprensa em frente ao Congresso americano em Washington, ela detalhou como foi recrutada para massagens que se transformaram em violência sexual sistemática.

Nascida no Brasil, Lacerda vivia em situação precária em Nova York quando foi abordada por uma amiga do bairro que ofereceu US$ 300 para fazer massagens em "um cara". Sem saber do perigo, aceitou a proposta e assim começou seu calvário, que durou até os 17 anos, quando Epstein a dispensou por considerá-la "velha demais".

Emocionada, Marina descreveu a experiência como "do trabalho dos sonhos ao pior pesadelo". Ela relatou que Epstein a forçava a ter relações sexuais contra sua vontade: "Com Jeffrey Epstein, começa em algum lugar, mas depois termina com você fazendo sexo com ele, goste ou não".

A brasileira foi identificada nos processos judiciais como "vítima menor número 1" e já havia colaborado com as autoridades em 2008, quando o FBI investigou Epstein pela primeira vez. No entanto, somente em 2019, com a nova investigação, decidiu falar abertamente: "Eu teria me sentido muito melhor hoje se eu pudesse ter falado em 2008".

Além de Marina, outras oito mulheres acusaram Epstein de abuso durante o ato em Washington. Juntas, elas pressionam o Congresso americano a aprovar uma lei que obrigue a divulgação de todos os documentos não confidenciais do caso. O grupo também anunciou que está compilando uma lista confidencial de pessoas ligadas a Epstein que supostamente participaram dos abusos.

O caso Epstein continua a gerar controvérsia política. O ex-presidente Donald Trump, que foi amigo de Epstein, classificou as demandas por transparência como "uma farsa democrata que nunca acaba". Já as vítimas rebatem: "Transparência é justiça".

Ghislaine Maxwell, ex-companheira de Epstein, foi condenada à 20 anos de prisão por conspirar com o financista para abusar sexualmente de menores. Segundo a acusação, Maxwell recrutava, preparava e abusava de meninas menores de idade, algumas com apenas 14 anos.

Marina Lacerda enfatizou a importância de sua revelação pública: "Como imigrante do Brasil, eu me sinto empoderada sabendo que a menininha que lutava para sobreviver aos 14 e 15 anos finalmente tem uma voz". Sua coragem representa um passo significativo na busca por justiça e responsabilização no caso Epstein.

Com informações de: BBC News, U.S. Department of Justice, Agência do Poder, Gazeta do Povo, DW, Al Jazeera, Estadão. ■

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