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Uefa, Concacaf e AFC iniciam conversas para torneios próprios e elevam pressão contra Infantino
Três confederações que representam 143 das 211 federações filiadas à Fifa acusam presidente de "quebra de confiança" e "engano" e avaliam competições alternativas caso boicote seja concretizado
Europa
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■   Bernardo Cahue, 11/08/2026

A crise no comando do futebol mundial atingiu um novo patamar nesta semana. Uefa, Concacaf e Confederação Asiática de Futebol (AFC) iniciaram conversas preliminares sobre a possibilidade de organizar competições entre si caso decidam levar adiante o boicote aos eventos promovidos pela Fifa. As três entidades, que juntas representam mais da metade das associações filiadas à entidade máxima do futebol, intensificaram a pressão pela saída do presidente Gianni Infantino.

O movimento ocorre depois que a Uefa e suas 55 associações-membro aprovaram, em reunião emergencial no dia 30 de julho, o boicote a todas as competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, como protesto contra o plano de Infantino de vender uma participação nos direitos comerciais do torneio a investidores privados. A proposta, batizada de FIFA Forward Enterprise (FFE), previa a criação de uma empresa para operar os torneios da entidade com a venda de cerca de 20% a investidores. O projeto era bancado por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Horas depois do anúncio da Uefa, a Concacaf — que reúne 41 federações da América do Norte, Central e Caribe, incluindo Estados Unidos, Canadá e México, sedes da Copa do Mundo de 2026 — também rejeitou o plano. A AFC, com 47 associações filiadas, manifestou solidariedade às demais confederações e pediu uma "revisão urgente" da governança da Fifa.

O ponto central da discórdia está na condução do processo. Em carta aberta divulgada na última segunda-feira, assinada pelos presidentes Aleksander Ceferin (Uefa), Victor Montagliani (Concacaf) e Salman Bin Ibrahim Al Khalifa (AFC), as três confederações afirmam que a tentativa de negociar uma participação na Copa do Mundo representou uma "profunda falha de julgamento" e não apenas um erro de procedimento.

Segundo o documento, a proposta foi apresentada em um calendário reduzido, sem consulta adequada às associações-membro e com prazo artificialmente curto para que os integrantes pudessem analisar devidamente os termos. As entidades também questionaram uma reunião realizada no Marrocos, da qual apenas um dirigente eleito teria participado, sem a presença de membros do Conselho da Fifa ou representantes das associações.

As confederações criticaram duramente a resposta da Fifa, que reconheceu erros no processo, mas classificou o problema como uma falha de comunicação. "O que a Fifa trata como uma falha de comunicação foi uma falha de julgamento", diz o comunicado. "Uma proposta avançada em um cronograma comprimido, sem consulta significativa e empurrada para um prazo antes que as associações-membro pudessem revisar adequadamente seus termos não é o produto de uma supervisão — é o produto de um projeto destinado a limitar o escrutínio".

Em trecho da carta, as entidades afirmam que a questão não envolve dinheiro ou controle de recursos, mas a integridade do jogo e daqueles que são eleitos para liderá-lo. "A liderança no futebol não é uma propriedade. Não se trata de deter — ou exigir — poder. É um dever de serviço à família do futebol que lhes confiou essa autoridade". "Quando a confiança é quebrada por meio de engano, quando um indivíduo se coloca acima do coletivo que lhe confiou autoridade, esse dever foi abandonado".

Diante do impasse, as três confederações começaram a avaliar alternativas. Segundo apuração da agência PA, a decisão de realizar discussões preliminares entre Uefa, Concacaf e AFC sobre a coordenação de torneios próprios tem como objetivo garantir que os jogadores sob suas jurisdições tenham oportunidades significativas de competir. As conversas estão em estágio inicial e ainda não há detalhes sobre como seriam esses torneios ou quando começariam.

O primeiro grande torneio que seria impactado por um boicote é a Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil, embora haja torneios de categorias de base programados para os próximos meses. A Polônia está marcada para sediar a Copa do Mundo Feminina Sub-20 a partir de 5 de setembro.

As confederações esperam que Infantino renuncie ao cargo em vez de tentar conquistar um terceiro mandato completo à frente da Fifa nas eleições de março de 2027. Juntas, Uefa, Concacaf e AFC somam 143 dos 211 votos da entidade, o que lhes confere poder de veto em qualquer decisão relevante.

A Fifa, por sua vez, emitiu um comunicado no último sábado advertindo os críticos de Infantino, afirmando que "não apoiará, facilitará nem tolerará qualquer processo relacionado à eleição do presidente da Fifa que seja inconsistente com os Estatutos da Fifa". O presidente italiano, que foi secretário-geral da Uefa antes de ser eleito para comandar a Fifa em 2016, já retirou a proposta do FIFA Forward Enterprise, mas segue sob forte pressão das confederações.

A crise expõe a maior ruptura na governança do futebol mundial em décadas, com as principais confederações do planeta unidas contra a liderança da entidade máxima. Como afirmaram Uefa, Concacaf e AFC em sua carta aberta: "O crescimento na última década foi real. Mas esse progresso nunca foi obra de um único indivíduo".

Com informações de O Globo, ge.globo, ESPN, Los Angeles Times, The Independent, OneFootball, Diário do Centro do Mundo, Jang.com.pk, BBC, Yahoo Sports, LA Magazine, Ambito, Record, TVI, Abril Abril, CBN, Infomoney, Calciomercato, Kompas, CNN Indonésia, Swissinfo, Deccan Chronicle, BDNews24, AzerTag, Threads, Facebook, YouTube ■

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