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O Jornal Nacional (JN) da TV Globo protagonizou, na edição de 1º de setembro de 2026, o que críticos e analistas já classificam como um dos episódios mais explícitos de seletividade editorial na história recente do telejornalismo brasileiro. Em um movimento que escancarou o alinhamento narrativo do principal noticiário do país, a emissora dedicou cerca de meia hora de sua cobertura para expor supostas mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — um verdadeiro linchamento midiático que durou, segundo críticos, “quase meia hora detonando Moraes”.
O levantamento do portal NaTelinha foi categórico: foram seis reportagens com denúncias contra Alexandre de Moraes no Caso Master, totalizando cerca de 30 minutos de exposição negativa. A primeira delas, sobre uma suposta edição no contrato de R$ 130 milhões entre o escritório da esposa de Moraes e Vorcaro, durou 9 minutos e meio. A segunda, com uma série de prints de mensagens enviadas por Vorcaro, estendeu-se por 13 minutos. Na sequência, vieram mais quatro reportagens complementares, somando minutos adicionais de ataques ao ministro.
No mesmo dia, o JN dedicou ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) uma única reportagem de 2 minutos e meio, sobre pagamentos de R$ 73 milhões do Banco Master à produtora do filme sobre a história de Jair Bolsonaro. A disparidade é estarrecedora: 12 vezes mais tempo contra Moraes do que contra Flávio, e, no cômputo geral, a cobertura contra Moraes foi 15 vezes maior do que a dedicada ao candidato bolsonarista.
O que o JN e sua principal colunista, Malu Gaspar — apelidada de “esponja oficial” dos vazamentos contra Moraes— não disseram com a mesma ênfase é igualmente grave. No mesmo dia 1º de setembro, a newsletter Noites Húngaras revelou que o próprio André Mendonça, relator do caso Master, teve um encontro secreto de duas horas com Daniel Vorcaro em 14 de março de 2025, no Instituto ITER, fundado pelo próprio ministro. O encontro foi articulado pelo advogado Ciro Rocha Soares, que enviou a Vorcaro um áudio dizendo: “Fala, Vorcarinho, trabalhando por você!”.
A reação da Globo às revelações sobre Mendonça foi, no mínimo, reveladora de seu viés. Enquanto a cobertura contra Moraes ocupou meia hora com acusações e insinuações, a emissora tratou o envolvimento de Mendonça com apenas 2 minutos de justificativa, exibindo uma nota do relator afirmando que havia encontrado Vorcaro, mas apenas para “ouvi-lo”. Nas redes sociais, a reação foi imediata e contundente:
O padrão seletivo, batizado por críticos como “Vaza-Malu”, expôs uma engrenagem de vazamentos direcionados em que a principal repórter do Grupo Globo se tornou a receptora oficial de informações contra Moraes, enquanto Mendonça — igualmente implicado — foi tratado como “relator zeloso” ou “vítima da mesma crise”. Em suas participações na GloboNews, Malu Gaspar classificou a tensão entre Mendonça e Moraes como “petardo atômico, guerra nuclear” e afirmou, sem hesitação: “Quem parece ter defendido os interesses de Vorcaro é o ministro Moraes” — uma frase proferida como veredito, antecipando qualquer investigação e consolidando uma narrativa de culpa antes mesmo de Moraes ser ouvido.
Agora, com a crise institucional fora de controle — com o afastamento e reintegração da cúpula da PF, pedidos de impeachment contra Mendonça, e ministros do STF acusando colegas de “decisão em causa própria” e tentativa de golpe institucional —, a Globo se vê desesperada para conter os danos. A emissora, que ajudou a inflamar a crise com sua cobertura desequilibrada, tenta agora dar a entender o que acontece pisando em ovos, como se pudesse apagar o rastro de seu próprio linchamento midiático.
O JN de 8 de setembro, por exemplo, tratou como “celebração” um ato golpista na Avenida Paulista convocado pela campanha de Flávio Bolsonaro, registrando críticas a Moraes e a defesa de sua saída do STF, enquanto deu cobertura modesta e institucional ao desfile oficial de 7 de Setembro em Brasília. A fala escolhida para encerrar a reportagem sobre Flávio foi a promessa de nomear integrantes do STF contrários ao aborto, às drogas e à “ideologia de gênero nas escolas” — um claro aceno ao eleitorado conservador.
Para analistas, a hesitação atual da Globo é um sintoma de que a emissora percebeu que seu aposta em desgastar Moraes — e, por extensão, o governo Lula — pode ter saído do controle. O que era para ser uma pressão midiática calculada transformou-se em uma crise que envolve os Três Poderes, com ministros do STF se acusando mutuamente e o Senado e a PGR preparando pedidos de impeachment contra André Mendonça. A Globo, que durante semanas atuou como fiscal do linchamento, agora tenta se apresentar como observadora isenta — mas o tom hesitante e defensivo de sua cobertura recente denuncia o desespero de quem vê o fogo que ajudou a atear se espalhar para além do alvo original.
O silêncio ensurdecedor sobre as revelações que ligam Mendonça a Vorcaro e a ênfase desproporcional contra Moraes não são erros de pauta — são escolhas editoriais que revelam um padrão de blindagem seletiva. E agora, com o cerco se fechando sobre Mendonça e a crise expondo as fragilidades de todos os envolvidos, a Globo não pode mais esconder o elefante na sala: seu jornalismo, ao menos neste episódio, serviu menos à verdade e mais a uma agenda política.
Com informações de NaTelinha, Notícias ao Minuto, Diário do Centro do Mundo, Imprensa Ética, O Globo, Poder360, Correio Braziliense, ICL Notícias, Jornal de Brasília■