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A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) está foragida da Justiça italiana. Solta em 22 de maio de 2026, após a Corte Suprema de Cassação da Itália negar o pedido de extradição feito pelo governo brasileiro, a ex-parlamentar não teve nenhuma medida cautelar imposta, como o uso de tornozeleira eletrônica, e desapareceu. O paradeiro dela é atualmente desconhecido das autoridades italianas, conforme revelou o deputado italiano Angelo Bonelli, da coalizão Aliança Verde e Esquerda.
Zambelli estava presa desde 29 de julho de 2025 no presídio de Rebibbia, em Roma. Ela havia fugido do Brasil em maio daquele ano, atravessando a fronteira com a Argentina sem controle migratório, e seguiu para a Itália. A ex-deputada tem dupla cidadania italiana e buscava asilo político no país europeu para escapar do cumprimento de uma pena de 10 anos de prisão imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Em sua decisão, a Corte de Cassação italiana anulou a extradição referente ao caso da invasão hacker, sob o argumento de que o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo no Brasil, acumulava as funções de vítima e julgador, o que teria comprometido a imparcialidade do julgamento. O tribunal, no entanto, não julgou o mérito da acusação, mas apenas a regularidade do processo — uma prática comum nas instâncias superiores, que não reavaliam as provas, mas sim se o rito foi observado e se o réu teve direito à defesa.
O problema é que Zambelli não responde apenas por um crime. Ela também foi condenada no Brasil a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma, no episódio em que perseguiu um jornalista com uma pistola na véspera do segundo turno das eleições de 2022, em São Paulo. Esse segundo caso gerou um novo pedido de extradição do Brasil à Itália, que ainda não foi julgado. A audiência na Suprema Corte italiana para analisar esse pedido está marcada para 1º de julho de 2026.
Ao deixar a prisão, Zambelli não forneceu um endereço residencial às autoridades italianas. Em vez disso, indicou o escritório de seu advogado, Pieremilio Sammarco, como domicílio. Ela publicou um vídeo celebrando a liberdade ao lado do marido, o coronel Agnaldo de Oliveira, e do defensor italiano. Desde então, seu paradeiro é ignorado.
O deputado Angelo Bonelli, que já havia auxiliado as autoridades italianas a localizar Zambelli em julho de 2025, enviou uma carta em 12 de junho de 2026 ao ministro do Interior da Itália, Matteo Piantedosi, e ao chefe da Polícia de Estado, Vittorio Pisani, cobrando explicações sobre onde a ex-deputada está. Bonelli questiona se o governo italiano pretende executar o mandado de prisão preventiva decorrente do segundo alerta vermelho da Interpol, emitido em agosto de 2025.
Diante do silêncio das autoridades italianas, Bonelli declarou: "Até o momento, não recebi resposta do governo, e é provável que as autoridades policiais italianas também não saibam onde Carla Zambelli está morando. Considero preocupante que o governo italiano não tenha julgado necessário implementar qualquer forma de controle para garantir que, em caso de autorização de extradição, Carla Zambelli seja entregue às autoridades judiciais brasileiras".
O deputado italiano também criticou a falta de medidas cautelares:
Especialistas apontam que, por ser cidadã italiana, Zambelli pode transitar livremente pelo Espaço Schengen, que engloba a maior parte dos países da União Europeia, sem controle de fronteiras. Além disso, há suspeitas de que ela tenha alterado a aparência física para não ser reconhecida. A ex-deputada é ruiva, e especula-se que possa ter pintado o cabelo e mudado o visual. A facilidade de locomoção entre os países europeus — é possível, por exemplo, dirigir da Itália à Polônia em poucas horas — torna ainda mais difícil rastreá-la.
A situação jurídica de Zambelli permanece incerta. Embora sua defesa afirme que ela deve ser retirada da lista de difusão vermelha da Interpol após a decisão favorável da Justiça italiana, o nome pode voltar à lista se houver um novo pedido da Polícia Federal ou do governo brasileiro. O que é certo é que Zambelli não pode pisar em solo brasileiro neste momento, pois há uma ordem de prisão contra ela em vigor.
A possível fuga para países como Polônia ou Suíça — nações que, segundo analistas, têm histórico de acolher foragidos do Brasil — é uma das hipóteses levantadas. O caso do blogueiro Oswaldo Eustáquio, que teve extradição negada pela Espanha, e do influenciador Didi Redpill, que se refugiou na Polônia, são citados como precedentes.
A falta de controle sobre o paradeiro de Zambelli coloca em xeque a eficiência da Justiça italiana e expõe uma suposta imprudência das autoridades do país. A ex-deputada, que responde a uma segunda condenação no Brasil, pode jamais ser extraditada se continuar foragida, tornando a decisão de soltá-la sem qualquer cautela um erro que pode ter consequências irreversíveis para a cooperação jurídica entre Brasil e Itália.
Com informações de G1, Agência Brasil, BBC News Brasil, UOL, Congresso em Foco, CNN Brasil ■