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Sarampo nas Américas: OPS emite alerta epidemiológico e classifica risco como “muito alto”
Organismo regional reforça apelo à imunização diante da propagação geográfica e do maior número de casos em 22 anos
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 09/08/2026

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPS) emitiu um novo alerta epidemiológico para as Américas diante da aceleração preocupante dos casos de sarampo em 2025 e 2026. O chamado ocorre em meio à transmissão persistente em diversos países e ao maior volume de infecções registrado na região nas últimas duas décadas, com o nível de risco avaliado como “muito alto” devido à rápida propagação geográfica do vírus.

De acordo com o documento divulgado pelo organismo regional, até a semana epidemiológica 28 de 2026 (encerrada em 18 de julho), as Américas contabilizaram 47.459 casos confirmados de sarampo em 16 países e um território, além de 44 mortes registradas em três nações. Esse número representa mais que o triplo do total de 2025, quando foram notificados 15.011 casos confirmados e 32 óbitos em 15 países.

Guatemala, México, Estados Unidos e Peru concentram 95% dos casos confirmados neste ano. Conforme a alerta epidemiológica, a Guatemala lidera com 30.371 casos e 26 mortes, seguida por México (12.255 casos e 17 óbitos), Estados Unidos (2.260 casos), Peru (1.277 casos) e Canadá (1.107 casos). Esse cenário faz de 2026 o ano com a mais alta incidência de sarampo nas Américas desde 2004, superando todos os registros dos últimos 22 anos.

Embora alguns dos maiores surtos atuais apresentem sinais recentes de desaceleração, a transmissão comunitária segue ativa em várias localidades. A atualização da matriz de risco da OPS mantém a classificação regional como “muito alta”, levando em conta as lacunas persistentes na cobertura vacinal, o acúmulo de suscetíveis, a elevada mobilidade populacional e a ocorrência de eventos de massa – fatores que amplificam o potencial de disseminação do vírus dentro dos países e através das fronteiras.

A avaliação também enfatiza o aumento da letalidade observado em 2026 em comparação ao ano anterior, bem como a detecção de casos em novas áreas geográficas. O impacto é desproporcionalmente maior sobre populações com barreiras de acesso aos serviços de saúde, incluindo comunidades indígenas e grupos com baixas taxas de vacinação.

Para efeito de comparação, em 2025 a região havia notificado 14.891 casos confirmados e 29 mortes – um incremento de 32 vezes em relação aos 466 casos de 2024. Nos primeiros meses de 2026, a curva ascendente se manteve: entre as semanas epidemiológicas 1 e 20, já eram 20.521 casos confirmados, com 25 óbitos, distribuídos por 16 países e um território.

No Panamá, foram registrados três casos – dois importados (turistas não vacinados) e um secundário, contraído a partir do contato com um dos estrangeiros. Em termos globais, até julho de 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) contabilizou 186.168 casos confirmados no mundo, um acréscimo de 12% em relação ao mesmo período de 2025, o que demonstra que a situação regional faz parte de uma tendência mundial de ressurgência da doença.

Perfil epidemiológico dos casos confirmados em 2026

  • Faixa etária predominante: o grupo de 20 a 29 anos concentra a maior proporção (24%), seguido por 10 a 19 anos (20%) e 30 a 39 anos (16%). Contudo, as maiores taxas de incidência ocorrem entre menores de 1 ano (9,7 casos por 100 mil hab.), crianças de 1 a 4 anos (4,1) e de 5 a 9 anos (3,0).
  • Histórico vacinal: entre os casos com informação disponível, 78% não tinha nenhuma dose da vacina e em 11% o registro era desconhecido. Em outra base de apuração, 45% eram não vacinados e 45% tinham situação ignorada ou indisponível.
  • Genótipos circulantes: das 560 sequências genéticas da região N-450 analisadas, 97,2% correspondem ao genótipo D8 e 2,8% ao genótipo B3.

Coberturas vacinais e brechas de imunidade

Embora as coberturas regionais com a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola – SCR) tenham apresentado leve melhora em 2024 em relação a 2023 (passando de 87% para 89% na primeira dose, e de 76% para 79% na segunda), os índices permanecem abaixo dos 95% recomendados para garantir a eliminação sustentada. Apenas 33% dos países e territórios atingiram 95% ou mais na primeira dose, e somente 20% alcançaram essa meta na segunda aplicação. Estima-se que cerca de 1,5 milhão de crianças não tenham recebido nenhuma dose do imunizante em 2024.

O sarampo não admite complacência. Sabemos como detê-lo: alcançar altas coberturas vacinais, detectar precocemente todo caso suspeito e responder com agilidade para interromper as cadeias de transmissão”, afirmou Daniel Salas, gerente de Imunizações da OPS. “Cada surto revela as lacunas de imunidade que ainda persistem e que precisam ser fechadas com urgência, especialmente em crianças, comunidades com baixa vacinação e populações com menor acesso aos serviços de saúde”, acrescentou.

Diante do cenário, a OPS recomenda aos países da região:

  • Reforçar a vigilância epidemiológica e a busca ativa de casos, com suporte laboratorial para diagnóstico confirmatório;
  • Implementar atividades complementares de vacinação para fechar as brechas de imunidade, com foco em áreas de maior risco;
  • Garantir resposta rápida e eficaz diante de qualquer caso suspeito, com isolamento e bloqueio vacinal;
  • Realizar buscas ativas comunitárias, institucionais e laboratoriais para identificação precoce e rastreamento de contatos;
  • Intensificar a preparação para surtos, com atenção especial a regiões de transmissão ativa e populações com maiores vulnerabilidades.

A Organização reitera que atingir e sustentar coberturas de pelo menos 95% com duas doses da vacina contra o sarampo é condição essencial para interromper a circulação viral, proteger os grupos mais suscetíveis e recuperar o status de eliminação da doença nas Américas – conquista que vem sendo ameaçada nos últimos anos.

No contexto da Copa do Mundo de Futebol de 2026 e de outros grandes eventos que mobilizam milhões de viajantes, a OPS recomenda que os países aumentem a sensibilidade de seus sistemas de vigilância, implementando buscas ativas para detectar oportunamente qualquer caso importado ou secundário, evitando assim a instalação de novos surtos.

A OPS segue prestando cooperação técnica contínua aos Estados-membros para fortalecer a vigilância, acelerar campanhas de vacinação, aprimorar os planos de resposta e reforçar a comunicação de riscos à população.

Com informações de Organização Pan-Americana da Saúde (OPS/PAHO), Organização Mundial da Saúde (OMS/WHO), ONU México, La Web de la Salud, ReliefWeb ■

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