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Argentino aliado de Flávio e Eduardo Bolsonaro é preso na Bolívia
Fernando Cerimedo, ex-estrategista de Javier Milei e indiciado pela PF no inquérito do golpe, foi detido no aeroporto de Santa Cruz de la Sierra quando tentava fugir para a Argentina
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 19/08/2026

O consultor político argentino Fernando Cerimedo, aliado dos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro e ex-estrategista digital do presidente da Argentina, Javier Milei, foi preso na tarde desta terça-feira (18) no Aeroporto Internacional Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Ele é suspeito de envolvimento em um ataque a tiros contra sua ex-mulher, a advogada boliviana Nadia Beller, ocorrido na noite de segunda-feira (17).

Segundo o jornal boliviano El Deber, Cerimedo foi interceptado por agentes da Força Especial de Combate ao Crime (Felcc) no terminal do aeroporto quando se preparava para embarcar em um voo da Aerolíneas Argentinas com destino a Buenos Aires. Ele foi levado para uma delegacia de Santa Cruz de la Sierra para prestar depoimento. A defesa do argentino ainda não foi localizada até a última atualização.

O atentado contra Nadia Beller ocorreu na entrada de um edifício próximo ao canal Isuto, em Santa Cruz de la Sierra. A vítima foi atingida por três tiros no peito e permanece hospitalizada. Os projéteis já foram retirados e ela está fora de perigo. Imagens de câmeras de vigilância mostram dois homens vestidos como entregadores, com mochilas de aplicativos de entrega e capacetes, subindo a escada do edifício. Um deles disparou contra a mulher, que caiu no chão. Após o ataque, a dupla fugiu em uma motocicleta roubada, que foi abandonada em seguida. Um dos motociclistas já foi preso.

O comandante da Polícia de Santa Cruz de la Sierra, David Gómez, confirmou que Cerimedo foi preso no aeroporto e afirmou que o ex-consultor e a advogada tiveram “um problema de caráter sentimental”. As autoridades bolivianas investigam o suposto envolvimento de Cerimedo no crime.

Quem é Fernando Cerimedo

Cerimedo ganhou projeção no Brasil em 2022 ao realizar transmissões ao vivo com informações falsas sobre o sistema eletrônico de votação do país. Em uma live no dia 4 de novembro de 2022, dias após o segundo turno das eleições presidenciais, ele apresentou um documento apócrifo que apontava, de forma falsa, uma suposta disparidade na distribuição de votos entre modelos antigos e recentes de urnas. Segundo o influenciador, urnas fabricadas antes de 2020 não teriam sido auditadas e supostamente favoreceriam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — o que seria “estatisticamente impossível de justificar”. Um site ligado a Cerimedo também publicou um texto afirmando que a eleição brasileira havia sido “roubada”.

Por causa dessas ações, Cerimedo foi indiciado pela Polícia Federal por integrar o chamado “Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral” na investigação que apurou a tentativa de golpe de Estado no Brasil após a derrota do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022. O relatório da PF cita o nome do argentino 65 vezes. No entanto, ele não foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e, portanto, não respondeu ao processo.

Ligação com os Bolsonaro

Cerimedo é descrito como amigo de longa data do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Ele recebeu o parlamentar em Buenos Aires poucas semanas antes do segundo turno das eleições brasileiras de 2022. Em julho de 2026, Cerimedo e Eduardo Bolsonaro voltaram a fazer transmissões ao vivo sobre o sistema eleitoral, logo após o senador Flávio Bolsonaro (PL), irmão de Eduardo e candidato à Presidência, ter atacado o sistema eletrônico de votação em reunião com diplomatas no Brasil.

Durante uma live com Eduardo Bolsonaro nas últimas semanas, Cerimedo voltou a atacar o sistema eleitoral brasileiro. Eduardo leu uma apresentação de slides e afirmou: “O fim da teoria da conspiração. Questionar a integridade de urnas eletrônicas controladas por fornecedores privados deixou de ser negacionismo para se tornar uma grave vulnerabilidade de segurança nacional documentada pela CIA”. O deputado também disse que “é impossível auditar as urnas eletrônicas brasileiras” e que “é por isso que gerou revolta e, em última análise, gerou o 8 de janeiro de 2023 no Brasil”.

Mensagens analisadas pela PF mostram que, quatro dias depois de uma live de Cerimedo sobre as urnas em 2022, o tenente-coronel Sérgio Ricardo Cavaliere comentou com Mauro Cid sobre um material de hackers que apontaria supostos problemas nas máquinas. Cid respondeu: “Nosso pessoal que fez… Haaahahahaahha. Isso foi a base”.

Atuação internacional

Além de sua atuação no Brasil, Cerimedo atuou como estrategista digital do presidente da Argentina, Javier Milei, durante a campanha presidencial do país em 2023. Atualmente, ele vive na Bolívia, onde, segundo o jornal argentino Clarín, trabalha como assessor do presidente boliviano, Rodrigo Paz. Cerimedo também integrou equipes digitais ligadas ao presidente hondurenho Nasry Asfura e trabalhou com o estrategista estadunidense Brad Parscale, que participou da campanha de Donald Trump em 2016.

O caso segue em investigação pelas autoridades bolivianas. Cerimedo permanece à disposição da Justiça local, e a defesa do argentino ainda não se manifestou publicamente sobre as acusações.

Com informações de Estadão, G1, Band, Money Times, Acre Infoco e El Deber ■

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