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Milei ignora cobrança do Itamaraty e compartilha novo insulto contra Lula
Crise diplomática entre Brasil e Argentina atinge novo patamar após o argentino reproduzir em suas redes sociais publicação em que o deputado republicano Carlos Gimenez se refere a Lula como “delinquente” e “porco” — ato ocorre dois dias após o chanceler Mauro Vieira pedir publicamente o fim das agressões
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 11/08/2026

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a alimentar a tensão diplomática com o Brasil ao compartilhar, neste domingo (9), uma publicação em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é chamado de “porco”. O insulto partiu do deputado republicano norte-americano Carlos A. Gimenez, aliado de Donald Trump, e foi amplificado por Milei em sua conta na rede social X (antigo Twitter). A atitude ocorre apenas dois dias após o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, cobrar publicamente, em entrevista ao jornal argentino Clarín, o fim imediato das agressões como condição para a normalização das relações bilaterais.

Na postagem original, Gimenez afirmou que “o ódio e o desprezo com que o criminoso Lula da Silva, do Brasil, se manifesta em relação ao nosso secretário de Estado, Marco Rubio, vêm diretamente de seus chefes na ditadura castro-comunista”. O deputado completou: “Os brasileiros merecem muito mais do que esse porco”. O parlamentar ainda afirmou que o Congresso americano “denuncia o corrupto e criminoso Lula da Silva, que destruiu o Brasil” e que o petista “apoia todas as ditaduras comunistas do hemisfério” e “deve ser responsabilizado”.

Além da republicação do ataque de Gimenez, Milei também compartilhou uma postagem do veículo “Meio Independente” que reproduz as mesmas acusações contra o presidente brasileiro, acompanhada de um comentário irônico do argentino: “Ups”.

O gesto de Milei representa uma resposta direta à cobrança feita pelo chanceler brasileiro. Em entrevista ao Clarín, Mauro Vieira afirmou que “a Argentina deveria cessar imediatamente as agressões para normalizar a relação com o Brasil”. O chefe do Itamaraty classificou as ofensas como “muito graves” e defendeu a preservação do vínculo bilateral, que considera “primordial”. “Essas ofensas foram graves. Portanto, deve-se preservar esta relação, suspender as agressões e retomar o caminho da normalidade no vínculo binacional”, declarou Vieira.

A crise diplomática entre os dois países vem se deteriorando nas últimas semanas. O estopim ocorreu em 25 de julho, quando Milei participou da convenção nacional do PL em São Paulo, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. No evento, o presidente argentino chamou Lula de “ladrão” e “presidiário” e se referiu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como “lixo careca”.

Em resposta, o Itamaraty adotou uma série de medidas. O governo brasileiro chamou o embaixador em Buenos Aires para consultas e, posteriormente, rebaixou o nível das relações diplomáticas com a Argentina, que passaram a ser administradas por encarregados de negócios — ou seja, sem embaixadores residentes em ambos os países. O Itamaraty condicionou a reversão da medida ao fim das ofensas do presidente argentino.

As desavenças entre Lula e Milei remontam a 2023, quando o argentino ainda era candidato, e se intensificaram ao longo dos últimos meses. Em entrevista à emissora argentina LN+ no início de agosto, Milei voltou a chamar Lula de “ladrão” e “corrupto”.

O novo compartilhamento de Milei, no entanto, veio na direção oposta à cobrança brasileira, demonstrando que o presidente argentino não está disposto a cessar os ataques. A atitude foi amplamente repercutida pela imprensa brasileira e acendeu novo alerta no Itamaraty, que acompanha a escalada da crise. Segundo analistas, a crise é apontada como a mais grave entre os dois países em décadas. O governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre o mais recente episódio.

Com informações de RFI, Jornal de Brasília, SBT News, Gazeta do Povo, CartaCapital, Matraqueiro, Terra, O Globo, O Antagonista, Diário do Centro do Mundo, TV Pampa e Brasil 247 ■

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