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O presidente da Colômbia, Gustavo Petro (Pacto Histórico), denunciou publicamente que a eleição presidencial no país teria sido alvo de um esquema internacional de fraude eleitoral envolvendo agentes de Israel e dos Estados Unidos. Em declarações publicadas em suas redes sociais no domingo (2) e reforçadas nesta segunda-feira (3), o mandatário afirmou que o verdadeiro vencedor do pleito foi o candidato da esquerda, Iván Cepeda, e não o presidente eleito Abelardo de la Espriella (Defensores de la Patria, de extrema direita), que tem posse agendada para o próximo dia 7 de agosto.
De acordo com Petro, o resultado das urnas teria sido alterado a partir do exterior por meio de um software de inteligência privada israelense, que teria manipulado algoritmicamente cerca de 1,8 milhão de votos. O esquema teria sido financiado por duas fontes distintas: recursos provenientes do narcotráfico de cocaína destinado aos Estados Unidos e verbas de empresas privadas de inteligência sediadas em Israel.
Em atualização feita nesta segunda-feira (3), Petro detalhou que a fraude teria ocorrido em regiões como Antioquia, Bogotá e Norte de Santander. Nesses locais, segundo ele, jurados ligados ao esquema teriam sido posicionados em mesas estratégicas após o afastamento prévio dos testemunhos eleitorais do Pacto Histórico. O presidente classificou o episódio como “uma das maiores afrontas à democracia na ordem global” e afirmou categoricamente que o novo governo prestes a assumir é ilegítimo por não refletir o voto popular.
Petro anunciou ainda a realização de uma coletiva de imprensa nacional e internacional, promovida por testemunhas digitais e pela “frente digital”, para apresentar detalhadamente o conjunto de evidências colhidas. Segundo o presidente, as provas demandam uma investigação profunda, pública e transparente por parte do Poder Judiciário. “O regime eleitoral da Colômbia deve mudar substancialmente se não quisermos mais violência”, advertiu.
Às vésperas de transmitir o cargo, em 7 de agosto, Gustavo Petro convocou a população a realizar atos massivos, porém pacíficos, em cidades como Cali, Barranquilla e Bogotá. O mandatário revelou ter informações de inteligência que supostamente apontam para a presença de dezenas de toneladas de explosivos na cidade de Cali. De acordo com ele, grupos do narcotráfico planejam ações terroristas com o objetivo de gerar um pretexto para a decretação de estado de comoção interior, o que permitiria a Abelardo de la Espriella revogar por decreto as reformas sociais aprovadas recentemente. Diante do cenário de tensão, Petro enfatizou sua autoridade como Comandante Supremo das Forças Públicas até as 15h da sexta-feira.
Em mensagem publicada nas redes sociais, Petro afirmou que existem “evidências de um fraude eleitoral por via algorítmica e com financiamento estrangeiro proibido” e convocou manifestações para o próximo 20 de julho, data em que se comemora o Dia da Independência e se instala o novo Congresso. O mandatário atribuiu a vitória de De la Espriella a supostos “algoritmos desde a Califórnia” desenvolvidos por “empresas de inteligência privada de Israel”, e afirmou que tanto a justiça colombiana quanto a justiça americana terão acesso às provas, já que, segundo disse, os delitos teriam sido cometidos em território dos Estados Unidos. “Claro que minhas declarações são graves, mas não irresponsáveis. Estão completamente provadas”, afirmou Petro, que acrescentou: “só o fraude leva corruptos a serem presidentes”.
No centro da denúncia está a empresa israelense Black Cube, uma companhia conhecida por seus questionados métodos de vigilância e interceptações de pessoas de alto perfil. Petro acusa a empresa de ter fornecido “algoritmos viciados” que teriam alterado o resultado eleitoral. A empresa, fundada em 2010 por ex-membros das Forças de Defesa de Israel, já esteve envolvida em outras polêmicas, incluindo espionagem a críticos do então primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán e a atuação em uma campanha eleitoral na Eslovênia. Seus métodos de espionagem lhe renderam o apelido de “Mossad privado”, também porque muitos de seus agentes trabalharam na agência de inteligência israelense.
Petro também questionou a Thomas Greg & Sons, empresa colombiana contratada pela Registraduría Nacional para prover a logística tecnológica e informática das eleições. O presidente já havia alertado que o “software dos irmãos Bautista” era vulnerável. “Adverti que o software dos irmãos Bautista era vulnerável e que deveria ser trocado por um software público. Solicitei a tempo uma auditoria especializada do software dos irmãos Bautista, e o registrador não o permitiu. Pois bem, hoje temos evidências de uma mudança de endereços IP de vários servidores da Registraduría”, disse Petro no dia das eleições. No mesmo mensagem, escreveu: “Significa que o software foi violado e outros escreveram dados de mesas e locais de votação. O único com capacidade de fazer isso no mundo é o Estado de Israel”.
As denúncias de Petro, no entanto, contrastam com a avaliação de observadores internacionais. O chefe da Missão Eleitoral da Organização dos Estados Americanos na Colômbia, Leonel Fernández, afirmou que o dia da eleição foi “cívico, pacífico e participativo”, confirmando que a contagem dos votos foi realizada “de acordo com os procedimentos estabelecidos”. A Missão de Observação Eleitoral da União Europeia também concluiu que a Colômbia “prosseguirá para o segundo turno após um processo eleitoral transparente e confiável”. O procurador-geral, Gregorio Eljach, afirmou que não existe nenhuma prova de fraude no processo. O chefe da Registraduría, Hernán Penagos, destacou que a contagem é manual e que “o registro físico comprova um processo que é impossível de alterar”.
Petro, por sua vez, insiste que não reconhece “a legitimidade do Governo entrante” e que o presidente eleito “não ganhou as eleições”. As declarações contrastam com o mensagem que o próprio mandatário entregou no final de junho, quando assegurou que seu governo estava disposto a levar adiante uma transição ordenada e transparente. A animosidade de Petro contra Israel tem longa data, mas se intensificou com a ofensiva na Faixa de Gaza, levando o presidente a romper relações diplomáticas com o Estado judeu e a chamar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de “genocida”.
A crise política na Colômbia se aprofunda às vésperas da posse de Abelardo de la Espriella, marcada para 7 de agosto, com o presidente em exercício convocando a população para atos pacíficos e denunciando uma suposta conspiração internacional que envolve Israel, Estados Unidos e empresas de inteligência privada.
Com informações de Brasil 247, Folha de S.Paulo, CNN Brasil, El País, Radio Universidad de Chile.
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