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Insatisfeitos com o desfecho da final da Copa do Mundo de 2026, torcedores argentinos convocaram uma manifestação para a noite desta sexta-feira (24) no Obelisco, em Buenos Aires, com o objetivo de pedir a repetição da partida contra a Espanha. A mobilização, que se espalhou rapidamente pelas redes sociais nos dias seguintes à decisão, reúne milhares de argentinos que classificam o resultado como “um roubo” e cobram uma posição oficial da Federação Internacional de Futebol (FIFA).
A final, disputada no dia 19 de julho no MetLife Stadium, em Nova Jersey (EUA), consagrou a Espanha como campeã mundial após vitória por 1 a 0 na prorrogação. O revés amargou a torcida albiceleste, que viu a seleção jogar abaixo do esperado em campo. A partir daí, parte dos torcedores passou a defender a tese de que a arbitragem do esloveno Slavko Vin?i? teria favorecido os espanhóis.
O ato público foi marcado para um dos principais pontos de concentração política e esportiva de Buenos Aires. O Obelisco, tradicional palco de comemorações e manifestações ligadas à seleção argentina, deve receber os torcedores a partir das 17h no horário local (22h de Brasília). Sob o lema “Lleva tu bandera y tu bronca” (“Leve sua bandeira e sua bronca”), a convocação pede um protesto pacífico para que os milhares de descontentes possam reivindicar a repetição da partida.
Os organizadores do movimento argumentam que a decisão do juiz principal foi marcada por erros graves e que há indícios de corrupção. Em uma imagem que circula amplamente na internet, os argentinos afirmam que a final “foi um roubo” e exigem: “a FIFA tem que dar uma resposta”. A indignação, no entanto, esbarra em números incontestáveis dentro das quatro linhas. Ao longo dos 90 minutos regulamentares e da prorrogação, a Espanha dominou por completo as ações ofensivas:
Apesar das estatísticas desfavoráveis, o movimento ganhou força nos dias seguintes à partida e culminou na convocação do ato público. A derrota também provocou desdobramentos dentro da própria seleção argentina. O zagueiro Nicolás Otamendi anunciou sua aposentadoria da equipe nacional após o vice-campeonato, enquanto Ángel Di María afirmou que Lionel Messi deve decidir quando quiser encerrar sua trajetória pela Argentina.
O ex-atacante Mario Kempes, campeão mundial em 1978, pediu publicamente que os argentinos abandonem as teorias conspiratórias sobre a final. O técnico Lionel Scaloni também se manifestou sobre o assunto e afirmou: “Não tenho ideia” sobre as teorias, acrescentando que não possui redes sociais para acompanhar a tendência. Scaloni deu à Espanha o status de justo vencedor. Vários jogadores argentinos já haviam felicitado os espanhóis pela conquista, reconhecendo que “foram melhores”. O vestiário da Albiceleste, portanto, se desmarca por completo das teorias conspiratórias que circulam nas redes.
Paralelamente à manifestação, uma enxurrada de mobilizações online tomou conta da internet. A argentina Gisela Sánchez lançou uma petição na plataforma Change.org com o título “Repetir a final da Copa do Mundo Argentina x Espanha e trocar o árbitro corrupto”. O abaixo-assinado acusa o árbitro Slavko Vin?i? de atuação “cheia de controvérsias e corrupta” e pede que a FIFA reconsidere o resultado da decisão. Em poucos dias, a petição ultrapassou a marca de 96 mil assinaturas.
Em uma reviravolta curiosa, outra petição ganhou força nas redes pedindo exatamente o oposto: a exclusão da Argentina da Copa do Mundo. Criada por um usuário anônimo, a iniciativa “Kick Argentina Out” já ultrapassou 23 milhões de assinaturas de mais de 170 países. O texto da petição afirma: “É óbvio que a FIFA e os árbitros favorecem Messi e a Argentina. Quando o campeão já está definido, por que o resto do mundo deveria competir? Tirem a Argentina da Copa e deem uma chance justa aos outros”. Curiosamente, o próprio site da petição registrou, após a final: “A FIFA nos ignorou, mas a Espanha cumpriu sua promessa. Obrigado, Espanha”.
Especialistas e a imprensa internacional consideram praticamente impossível que a FIFA atenda ao pedido dos torcedores argentinos. A entidade só cogita a repetição de uma partida em casos de violação flagrante das regras do jogo — como uma equipe com 12 jogadores em campo ou um atleta que recebeu dois cartões amarelos e não foi expulso. O último caso de uma partida remarcada ocorreu nas eliminatórias para a Copa de 2006, entre Uzbequistão e Barein, quando um erro na aplicação das regras por parte do árbitro afetou diretamente o resultado.
O movimento dos torcedores argentinos não é inédito no futebol mundial. Após a final da Copa de 2022, torcedores franceses também organizaram uma petição exigindo a repetição da decisão contra a Argentina, argumentando que Lionel Messi cobrou um pênalti com vários jogadores invadindo a área antes da cobrança. Na ocasião, os franceses reuniram 215 mil assinaturas, mas a FIFA não alterou o resultado. Os argentinos, por sua vez, responderam com outra petição pedindo que os franceses “parassem de chorar”, que superou o número de assinaturas dos rivais.
A manifestação desta sexta-feira no Obelisco acontece dias após uma série de confrontos entre torcedores e a polícia na capital argentina. Imediatamente após a derrota para a Espanha, no último domingo (19), milhares de fãs se reuniram no mesmo local para homenagear a seleção. O que começou como um ato de apoio rapidamente se transformou em caos: por volta das 23h30, alguns torcedores passaram a atirar pedras e garrafas contra os policiais, que responderam com gás lacrimogêneo e jatos de água. O confronto deixou ao menos três policiais feridos e resultou na prisão de 15 pessoas. O FBI também confiscou o celular do presidente da Associação Argentina de Futebol (AFA) como parte de uma investigação em andamento. A FIFA, por sua vez, confirmou que investiga a conduta dos jogadores argentinos após as cenas de confusão no fim da partida.
Apesar da forte comoção popular e da manifestação marcada para esta noite, a FIFA mantém o título da Espanha como válido e não há qualquer indicação de que a entidade pretenda rever o resultado ou cogitar um novo jogo. A polêmica, no entanto, segue repercutindo entre os torcedores argentinos, que prometem levar sua insatisfação às ruas de Buenos Aires.
Com informações de Diário do Centro do Mundo, Metrópoles, Portal R10, AS, World Journal, ???, Yahoo Sports, ???, China Times, Givemesport e WIONews ■