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Segue escrita invicta norueguesa contra o Brasil
Em cinco confrontos, a seleção norueguesa construiu um retrospecto impecável contra a pentacampeã mundial — um tabu que expõe fragilidades estruturais do futebol brasileiro para além do folclore esportivo
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Foto: https://noataque.com.br/wp-content/uploads/2026/07/tore-andre-flo.jpg
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■   Bernardo Cahue, 05/07/2026

Há tabus que se alimentam de coincidências. Há outros que se constroem com solidez tática, repetição histórica e, acima de tudo, com a exploração cirúrgica de defeitos crônicos do adversário. O retrospecto invicto da Noruega contra o Brasil pertence a esta segunda categoria — e a eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, com direito a dois gols de Erling Haaland, escancarou de vez que não se trata de mera “maldição”, mas de um diagnóstico do futebol brasileiro diante de oponentes europeus organizados.

Desde o primeiro encontro, em 1988, até a mais recente derrota em solo americano, são cinco jogos, três vitórias norueguesas e dois empates — o Brasil nunca venceu. Mais do que números, cada confronto carrega lições que parecem ter sido ignoradas pela CBF e por sucessivos comandantes técnicos.

Os cinco capítulos de um tabu
  1. Amistoso em Oslo (27/07/1988) — Noruega 1 x 1 Brasil: O primeiro capítulo já trazia o presságio. Sob o comando de Carlos Alberto Silva, um Brasil em transição — com Taffarel, Jorginho e o jovem Romário — não passou de um empate no Ullevaal Stadion. Jan Åge Fjørtoft abriu o placar, Edmar igualou. Na época, tratou-se de um tropeço isolado. Hoje, sabe-se que era o começo de um padrão.
  2. Amistoso em Oslo (29/05/1997) — Noruega 4 x 2 Brasil: O choque de realidade veio um ano antes da Copa da França. Com Zagallo no comando e um ataque formado por Romário e Ronaldo, o Brasil levou quatro gols em Oslo. Tore André Flo marcou duas vezes; Petter Rudi, Egil Østenstad completaram a goleada. Curiosidade que ganhou contornos proféticos: o lateral Alf-Inge Haaland, pai de Erling, era titular da Noruega naquela partida.
  3. Copa do Mundo de 1998 (23/06/1998) — Brasil 1 x 2 Noruega: O único confronto em Mundiais até então. O Brasil já estava classificado, relaxou, abriu o placar com Bebeto e viu a virada nos minutos finais. Tore André Flo e Kjetil Rekdal marcaram os gols que consolidaram a lenda. A derrota não custou a classificação, mas plantou a semente de um complexo psicológico.
  4. Amistoso (16/08/2006) — Noruega 1 x 1 Brasil: O primeiro jogo do ciclo pós-Alemanha 2006 terminou empatado. Mais um tropeço em amistoso — o tipo de resultado que, no futebol brasileiro, costuma ser varrido para debaixo do tapete com a desculpa de que “não valia nada”.
  5. Oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 (05/07/2026) — Noruega 2 x 1 Brasil: O capítulo mais doloroso. Desta vez, em jogo eliminatório, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. O Brasil teve a chance de abrir o placar com pênalti, mas Bruno Guimarães parou na defesa de Nyland. Endrick perdeu chance cara a cara. E Haaland, o filho do lateral de 1997, decidiu o jogo com dois gols. O Brasil não vence uma seleção europeia em mata-mata de Copa desde 2002 — e a Noruega segue invicta.
A escrita que não é folclore

Não se trata de “zica” ou “maldição”. A Noruega construiu sua invencibilidade com base em elementos objetivos: superioridade física, organização tática, eficiência nas bolas paradas e exploração dos pontos fracos brasileiros. O técnico norueguês, Ståle Solbakken — que esteve em campo em 1998 — resumiu bem a evolução: “A seleção de 1998 era muito baseada na defesa e nos contra-ataques. Hoje procuramos marcar mais, controlar o jogo e pressionar o adversário”. Enquanto o Brasil apostava em lampejos individuais de Vini Jr., Endrick e Neymar (entrando aos 22 do segundo tempo), a Noruega jogava como um bloco coeso.

A eliminação de 2026 expõe um padrão preocupante: o Brasil é eliminado por seleções europeias em Copas desde 2002 — França, Holanda, Alemanha, Bélgica, Croácia e, agora, Noruega. O futebol brasileiro, que outrora encantava o mundo com sua criatividade e improviso, parece ter perdido a capacidade de impor seu jogo diante de adversários que combinam intensidade física com disciplina tática.

Os números são impiedosos: em cinco confrontos, o Brasil somou apenas dois pontos em 15 possíveis. É o único país que enfrentou a seleção brasileira mais de uma vez e nunca perdeu. Mais do que um tabu, é um atestado de que o futebol brasileiro precisa repensar sua formação, sua preparação física e sua abordagem tática para enfrentar o que o futebol europeu tem de melhor.

A invencibilidade da Noruega não é um acaso. É a consequência de um modelo de jogo que o Brasil insiste em não aprender a enfrentar. Enquanto isso, Haaland e seus companheiros seguem invictos — e o Brasil, mais uma vez, volta para casa com a sensação de que o tempo passou, mas as lições ficaram pelo caminho.

Com informações de ge.globo.com, EFE.com, UOL.com.br, Placar.com.br, CNNBrasil.com.br, Lance.com.br, CorreioDoPovo.com.br■

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