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Há tabus que se alimentam de coincidências. Há outros que se constroem com solidez tática, repetição histórica e, acima de tudo, com a exploração cirúrgica de defeitos crônicos do adversário. O retrospecto invicto da Noruega contra o Brasil pertence a esta segunda categoria — e a eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, com direito a dois gols de Erling Haaland, escancarou de vez que não se trata de mera “maldição”, mas de um diagnóstico do futebol brasileiro diante de oponentes europeus organizados.
Desde o primeiro encontro, em 1988, até a mais recente derrota em solo americano, são cinco jogos, três vitórias norueguesas e dois empates — o Brasil nunca venceu. Mais do que números, cada confronto carrega lições que parecem ter sido ignoradas pela CBF e por sucessivos comandantes técnicos.
Os cinco capítulos de um tabuNão se trata de “zica” ou “maldição”. A Noruega construiu sua invencibilidade com base em elementos objetivos: superioridade física, organização tática, eficiência nas bolas paradas e exploração dos pontos fracos brasileiros. O técnico norueguês, Ståle Solbakken — que esteve em campo em 1998 — resumiu bem a evolução: “A seleção de 1998 era muito baseada na defesa e nos contra-ataques. Hoje procuramos marcar mais, controlar o jogo e pressionar o adversário”. Enquanto o Brasil apostava em lampejos individuais de Vini Jr., Endrick e Neymar (entrando aos 22 do segundo tempo), a Noruega jogava como um bloco coeso.
A eliminação de 2026 expõe um padrão preocupante: o Brasil é eliminado por seleções europeias em Copas desde 2002 — França, Holanda, Alemanha, Bélgica, Croácia e, agora, Noruega. O futebol brasileiro, que outrora encantava o mundo com sua criatividade e improviso, parece ter perdido a capacidade de impor seu jogo diante de adversários que combinam intensidade física com disciplina tática.
Os números são impiedosos: em cinco confrontos, o Brasil somou apenas dois pontos em 15 possíveis. É o único país que enfrentou a seleção brasileira mais de uma vez e nunca perdeu. Mais do que um tabu, é um atestado de que o futebol brasileiro precisa repensar sua formação, sua preparação física e sua abordagem tática para enfrentar o que o futebol europeu tem de melhor.
A invencibilidade da Noruega não é um acaso. É a consequência de um modelo de jogo que o Brasil insiste em não aprender a enfrentar. Enquanto isso, Haaland e seus companheiros seguem invictos — e o Brasil, mais uma vez, volta para casa com a sensação de que o tempo passou, mas as lições ficaram pelo caminho.
Com informações de ge.globo.com, EFE.com, UOL.com.br, Placar.com.br, CNNBrasil.com.br, Lance.com.br, CorreioDoPovo.com.br■