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Pode anotar aí, caro leitor: 2026 é ano eleitoral, e a família Bolsonaro acabou de ressuscitar o enredo de maior sucesso da franquia. Não, não é um novo filme da Disney – embora Eduardo, o “Bananinha”, more tão perto dos parques da empresa em Orlando que até confunde política com animação. Desta vez, o roteiro é o seguinte: Flávio Bolsonaro está em perigo iminente. Pelo menos é o que jura o irmão Eduardo, que, das terras do Tio Sam, disparou alertas dignos de filme de ação de baixo orçamento (sim, eles estão se especializando nisso).
A trama, amigos, tem todos os elementos de um suspense mal escrito. Eduardo afirma que, se Flávio for assassinado, a eleição fica “entregue de bandeja” para Lula. E complementa: “Cada vez mais vai valer mais a pena assassiná-lo”. Pronto. Está armado o palco para a nova fakadinha – termo que, aliás, já deveria estar no dicionário político como “estratégia de vitimização baseada em supostos ataques que nunca se concretizam, mas rendem votos”.
E não é que a história já tem até vilã? Segundo o funkeiro MC Misa, em um canal do TikTok, a advogada Deolane Bezerra – que gravou vídeo com Lula e é acusada de lavagem de dinheiro para o PCC – teria articulado um plano para matar o senador. Flávio, claro, não perdeu tempo: declarou que está “colocando a própria vida em risco para libertar milhões de brasileiros”. E, para completar o figurino, já anda de colete à prova de balas, porque, nas palavras dele, “não posso dar sopa para o azar”.
Mas vamos combinar: a história tem mais furos que um queijo suíço. Primeiro, a denúncia partiu de um MC em um canal de TikTok. Segundo, a Polícia do Senado abriu investigação, mas até agora nada de concreto. Terceiro, e mais importante: já vimos esse filme antes. Em 2018, a facada em Juiz de Fora foi o divisor de águas que alavancou a campanha de Jair Bolsonaro. Na época, o então candidato estava estagnado nas pesquisas; depois do atentado, disparou. Coincidência? Talvez. Conveniência? Com certeza.
Ora, se a facada de 2018 foi determinante para o resultado das eleições – e isso é um fato consumado na análise política –, por que não tentar repetir a dose? A diferença é que, em 2018, houve um agressor, uma faca e um hospital. Em 2026, temos um funkeiro, um TikTok e uma advogada presa. A qualidade do enredo caiu, mas a intenção é a mesma: criar uma narrativa de perseguição, mobilizar a base com o discurso do martírio e desviar o foco do que realmente importa.
E o que realmente importa, caro leitor? Bem, enquanto Flávio e Eduardo viajam para os EUA em busca de endosso de Trump e tentam emplacar a “fakadinha” do irmão, o senador enfrenta um “derretimento acelerado nas pesquisas” e pressões crescentes por revelações envolvendo suas relações com o ex-dono do Banco Master. Ou seja: a cortina de fumaça já está armada. O problema é que, desta vez, o público já conhece o truque.
Não é à toa que as redes sociais já apelidaram a dupla de “Flávio Rachadinha” e “Eduardo Bananinha” – uma referência, respectivamente, ao esquema de desvio de salários de funcionários do gabinete quando Flávio era deputado estadual no Rio, e à passagem de Eduardo pelos Estados Unidos, onde atuou como “lobista” de si mesmo. A dupla, que já deveria ter virado série de comédia na Netflix, agora tenta emplacar o maior sucesso de bilheteria da família: a fakadinha 2 – O Retorno do Colete.
O mais impressionante é a falta de criatividade. Em vez de apresentar propostas, debater ideias ou enfrentar os adversários no campo das urnas, a estratégia é sempre a mesma: apelar para o medo, a comoção e a narrativa de que “eles” querem matar um Bolsonaro. É quase um bordão. E, confesso, já ficou cansativo.
O problema é que essa tática, além de banalizar a violência política real, desvia a atenção de temas que realmente afetam a vida dos brasileiros: inflação, emprego, saúde, educação. Enquanto a dupla dinâmica corre atrás de uma nova fakadinha, o país precisa de soluções, não de novelas. Mas, pelo visto, a temporada 2026 da “Família Bolsonaro em Busca do Voto Perdido” ainda terá muitos capítulos. E, com eles, muitas risadas – ou lágrimas, dependendo do seu ponto de vista.
Ao final, fica a pergunta: será que o eleitor vai cair nessa de novo? A história mostra que a facada de 2018 foi determinante para o resultado das eleições. Mas, como diz o ditado, “quem conta um conto aumenta um ponto”. E, neste caso, o conto já foi contado, recontado, e agora está sendo reciclado. Resta saber se o público ainda compra a mesma história, ou se já percebeu que, no fundo, é só mais uma fakadinha.
Com informações de Poder360, Folha de S.Paulo, Gazeta do Povo, Pleno.News, Revista Cenarium, Brasil 247, O Globo, UOL, CNN Brasil, G1, Congresso em Foco, CartaCapital, Revista Fórum e GGN■