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A cada ciclo eleitoral, a imprensa brasileira parece redescobrir uma velha e eficiente técnica de manipulação da opinião pública: a “teoria do espantalho”. Consiste em inflar artificialmente a imagem de um candidato – muitas vezes sem lastro real, sem proposta consistente e com apoio midiático desproporcional – para, em seguida, testar a reação do eleitorado e, sobretudo, medir a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo nunca foi vencer. O objetivo é, por meio de pesquisas no mínimo questionáveis, tentar provar o contrário do que os números reais indicam: que Lula não apenas lidera com folga, mas caminha para uma reeleição ainda no primeiro turno.
A “teoria do espantalho” opera em três atos. Primeiro, a grande mídia escolhe um nome – de preferência alguém com discurso antipetista, mas sem rejeição consolidada – e o transforma em “bala de prata” contra Lula. Segundo, as principais empresas de pesquisa, alinhadas a essa narrativa, produzem cenários em que o espantalho aparece em empate técnico ou numericamente à frente, sempre com aquele “efeito novidade” que a imprensa trata como fenômeno. Terceiro, quando a realidade das urnas se impõe, o espantalho desmorona, e a mesma mídia atribui o fracasso a “falta de tempo de TV” ou “falhas de campanha” – jamais à própria manobra.
Nos últimos meses, assistimos a uma sucessão de espantalhos. Primeiro foi a tentativa de emplacar um nome da “terceira via” consolidada – Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior, Romeu Zema – todos apresentados como “a única alternativa para derrotar Lula”. Quando as pesquisas reais (e não as encomendadas) mostraram que nenhum deles atingia dois dígitos sem o apoio explícito de Jair Bolsonaro, a imprensa partiu para o plano B: fabricar um espantalho instantâneo, com pouca ou nenhuma trajetória política, mas com enorme exposição nos jornais, revistas e telejornais.
O caso mais emblemático foi a breve, mas intensa, campanha midiática em torno de nomes como Flávio Bolsonaro – tratado como “presidenciável viável” enquanto interessava à estratégia do sistema. No entanto, conforme exposto em análises independentes (como a do youtuber Thiago dos Reis, no canal Plantão Brasil), essa cobertura nunca foi sincera. A partir do momento em que Flávio resistiu a apoiar o candidato “preferido” dos bilionários da comunicação, a mesma imprensa que o bajulava passou a massacrá-lo diariamente, revelando áudios, investigações e denúncias que antes eram convenientemente ignoradas. O espantalho, uma vez que não servia mais ao propósito de abalar Lula, foi descartado.
As pesquisas de intenção de voto, nesse contexto, servem como termômetro do espantalho – e não do eleitor. São construídas com recortes geográficos tendenciosos, perguntas induzidas e amostras que super-representam determinados estratos sociais. Exemplos recentes abundam:
A “teoria do espantalho” explica também por que a imprensa insiste em apresentar como “nova ameaça” figuras que nunca ameaçaram ninguém. O objetivo não é informar – é testar a resiliência da preferência por Lula. Cada espantalho que emerge e rapidamente se desfaz serve como um laboratório: até onde o eleitorado está disposto a abandonar Lula diante de uma “alternativa midiática”? A resposta, ciclo após ciclo, é a mesma: Lula não apenas resiste, como amplia sua vantagem quando confrontado com adversários artificiais. A tentativa de provar que a popularidade do presidente estaria em queda resulta exatamente no oposto – os números reais, colhidos em pesquisas sérias e auditáveis, mostram Lula numericamente à frente, com tendência de crescimento linear.
O desespero da grande imprensa tornou-se evidente nos últimos dias. Com a proximidade da janela eleitoral e a constatação de que nenhum espantalho colou, os editoriais passaram a atacar não os candidatos, mas o próprio sistema eleitoral. Acusações infundadas de “falta de debate”, “candidatura única” e até “risco à democracia” são repetidas à exaustão. Na prática, a mídia não suporta a ideia de que Lula possa se reeleger sem a necessidade de um segundo turno – o que, em sua lógica, seria um “atestado de fraqueza da oposição” e, ao mesmo tempo, um triunfo retumbante do projeto político do PT.
Os dados disponíveis, incluindo pesquisas que não são divulgadas oficialmente mas vazam para analistas independentes, apontam uma realidade incômoda para os fabricantes de espantalhos: Lula já alcançou patamar superior a 52% das intenções de voto válidas em diversos cenários. Para vencer no primeiro turno, bastaria consolidar algo entre 50% e 55% dos votos totais – considerando abstenções e votos nulos/brancos. A fragmentação do voto da direita entre três, quatro ou cinco candidatos (muitos deles espantalhos sustentados pela mídia) apenas beneficia essa projeção.
Nesse contexto, o verdadeiro desespero não é de Lula ou de sua campanha – é da imprensa que apostou todas as fichas na criação de um antagonista à altura. Sem um espantalho crível, sobram apenas duas alternativas: ou admitir que a popularidade do presidente é intocável, ou recorrer a narrativas conspiratórias sobre “manipulação das urnas” e “supressão da oposição”. A escolha, até aqui, tem sido a segunda – o que apenas evidencia o esgotamento do modelo jornalístico baseado na criação artificial de adversários.
Os fatos, no entanto, teimam em contrariar a ficção. A economia apresenta crescimento moderado mas consistente, o emprego formal bate recordes sucessivos, e a inflação está sob controle – fatores que, historicamente, garantem reeleição a qualquer presidente com um mínimo de popularidade. Lula, além disso, acumula vantagens estruturais: maior tempo de TV, capilaridade partidária, reconhecimento internacional e, crucialmente, a memória positiva dos governos anteriores. Um espantalho não pode competir com isso. Nem dez espantalhos.
A lição que a imprensa insiste em não aprender é que a teoria do espantalho só funciona enquanto o espantalho não sai do papel. Quando testado nas ruas, em comícios, no corpo a corpo da campanha, o artificial se desfaz. O eleitor brasileiro, mais maduro do que se supõe, distingue com clareza o que é produto da mídia e o que é projeto de país. E tem dado sua resposta – majoritariamente – a Lula.
Assim, o prognóstico que se desenha é cada vez mais nítido: Lula deve mesmo se reeleger ainda no primeiro turno. Não por falta de adversários – há vários –, mas porque a tentativa de criar um adversário artificial, um espantalho capaz de rivalizar com sua força política, fracassou repetidas vezes. A imprensa que apostou na “teoria do espantalho” agora colhe os frutos da própria desinformação: suas pesquisas de intenção de voto se tornaram piada entre os analistas, e sua credibilidade, um espantalho ainda maior.
Resta saber se, após a vitória antecipada de Lula, os mesmos veículos que fabricaram candidaturas fantasmas terão a humildade de reconhecer o erro – ou se inventarão uma nova teoria para explicar o inexplicável: que a vontade popular, quando livre da manipulação midiática, é soberana e, neste momento, está com Lula.
Com informações de Plantão Brasil (YouTube), Poder360, Folha de S.Paulo, O Globo, CNN Brasil, Datafolha, Ipec, UOL ■