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Foragido nos EUA, ex-deputado Alexandre Ramagem é interrogado por videoconferência no STF
Audiência de 50 minutos ocorreu após ministro Alexandre de Moraes retomar processo sobre crimes de 8 de janeiro, antes suspenso por imunidade parlamentar. Ministério da Justiça já enviou pedido de extradição aos Estados Unidos
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 06/02/2026

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), atualmente foragido nos Estados Unidos, prestou depoimento por videoconferência ao Supremo Tribunal Federal (STF) na quinta-feira (5). A oitiva, que durou cerca de 50 minutos, foi conduzida por uma juíza auxiliar do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.

Ramagem responde nesta ação penal pelos crimes de dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, ambos relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O processo esteve suspenso devido ao foro privilegiado do ex-parlamentar, mas foi retomado por Moraes em dezembro de 2025, logo após a cassação do mandato de Ramagem pela Mesa da Câmara dos Deputados. Com a perda do mandato, ele deixou de usufruir da imunidade que protegia crimes cometidos após sua diplomação, em dezembro de 2022.

Esta é uma ação separada da que resultou na condenação principal de Ramagem. Em setembro de 2025, ele foi sentenciado a 16 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, integrante do mesmo julgamento da trama golpista.

Fuga e pedido de extradição

Alexandre Ramagem fugiu do Brasil em setembro de 2025, pouco antes do trânsito em julgado de sua condenação e da decretação de sua prisão. Segundo a Polícia Federal, ele saiu de forma clandestina pela fronteira com a Guiana e, de lá, embarcou para os Estados Unidos utilizando um passaporte diplomático. Aliados do ex-deputado afirmam que ele pretende pedir asilo político nos EUA.

O ministro Alexandre de Moraes determinou o pedido de extradição em dezembro. O Ministério da Justiça informou ao STF que a solicitação formal foi entregue ao governo dos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2025.

Declarações durante o interrogatório

Durante o depoimento, Alexandre Ramagem negou todas as acusações e atacou o ministro Alexandre de Moraes e o próprio STF. De acordo com informações da TV Globo e da CNN Brasil, ele teria dito que o processo é "completamente falso" e uma "armação", e classificou a Corte como um "juízo incompetente" que age com "abuso de autoridade".

Em sua defesa, o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também negou categoricamente o uso ilegal do sistema de monitoramento First Mile para espionar adversários do governo Bolsonaro. Afirmou que o contrato com a ferramenta havia sido encerrado em maio de 2021 e que nunca determinou qualquer monitoramento de autoridades. Sobre os atos de 8 de janeiro, Ramagem declarou que não estava no Brasil e não teve qualquer participação, questionando: "Como que eu vou atentar contra o Congresso Nacional (...) na Casa que eu com tanto esforço trabalhei para ser eleito?".

Contexto do processo

O julgamento da trama golpista de 2022-2023, do qual Ramagem é réu, ocorreu no STF entre 9 e 11 de setembro de 2025. A decisão, que condenou ele e outros envolvidos, foi tomada por 4 votos a 1 na Primeira Turma da Corte, com o ministro Luiz Fux sendo o único voto dissidente. A ação penal retomada agora é um desdobramento que trata especificamente de supostos crimes contra o patrimônio público ocorridos durante a invasão das sedes dos Três Poderes.

Com informações de G1, Agência Brasil, Folha de S.Paulo, CNN Brasil, Terra ■

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