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Presidente interina da Venezuela tem paradeiro envolto em contradições após captura de Maduro
Enquanto fontes afirmam que a vice-presidente está em Moscou, o governo russo nega a informação, criando um véu de incerteza sobre a liderança do país em meio à crise
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 03/01/2026

A localização da vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, tornou-se um ponto central de tensão e desinformação após a confirmação da captura do presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos. Enquanto quatro fontes familiarizadas com seus movimentos afirmam que ela está na Rússia, o governo russo veio a público para desmentir formalmente a sua presença em Moscou. A situação coloca Rodríguez, agora a principal figura na linha sucessória constitucional do país, no centro de uma crise geopolítica instantânea.

O Desmentido Russo e a Busca por Clareza

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia classificou como falsa a notícia de que Delcy Rodríguez estaria em território russo. O desmentido, no entanto, não exclui a realização de contatos diplomáticos de alto nível. O ministro Sergei Lavrov manteve uma conversa telefônica com Rodríguez, na qual expressou "firme solidariedade" ao povo venezolano frente à "agressão armada". Especialistas apontam que o Kremlin, ao condenar a operação americana por violar o direito internacional, aproveita a situação para fortalecer sua narrativa política global.

A Linha Sucessória e a Luta pelo Poder

Com a remoção de Maduro, a Constituição venezuelana coloca Delcy Rodríguez como a primeira na linha de sucessão para assumir a presidência interina, com a tarefa de convocar novas eleições. Analistas descrevem Rodríguez como uma figura moderada e tecnocrata dentro do chavismo, arquiteta de uma reforma econômica que privatizou ativos estatais e buscou estabilizar a economia. No entanto, sua legitimidade é contestada pela oposição, que considera todo o governo Maduro como usurpador devido às alegações de fraude eleitoral.

O futuro político dela pode depender de negociações que já estavam em curso. Relatos indicam que, em tentativas anteriores de acordo com os EUA, o próprio Maduro chegou a propor Rodríguez como chefe de um governo de transição que conduziria o país a novos comícios, uma proposta rejeitada pela Casa Branca.

Quem é Delcy Rodríguez: Da Sombra ao Centro do Poder

Conhecer o perfil da possível presidente interina é crucial para entender os rumos da Venezuela:

  • Carreira Política: Sua trajetória é marcada por total lealdade ao chavismo. Serviu como Ministra da Comunicação (2013-2014), Chanceler (2014-2017) — sendo a primeira mulher no cargo — e Presidenta da Assembleia Nacional Constituinte antes de assumir a vice-presidência em 2018.
  • Perfil e Sanções: É vista como uma operadora política pragmática com formação internacional, mas também é alvo de sanções da União Europeia, Estados Unidos e Canadá por seu alegado papel no desmantelamento da democracia e em violações de direitos humanos.
  • Conexão Familiar: Seu irmão, Jorge Rodríguez, é o presidente da Assembleia Nacional e principal estrategista político de Maduro, formando uma dupla poderosa no regime. Fontes indicam que, ao contrário da irmã, ele permanece em Caracas.

Um Cenário de Incerteza e Reações Imediatas

O vácuo de poder foi imediato. Horas após o anúncio da captura de Maduro, Delcy Rodríguez apareceu em uma mensagem de áudio transmitida pela televisão estatal venezuelana. Na gravação, sua voz soava eufórica e desafiadora, exigindo "prova de vida imediata" do presidente e de sua esposa, Cilia Flores. A mensagem foi sua primeira reação pública, mas não esclareceu sua localização física.

Enquanto isso, outros atores chave se posicionam. A vencedora do Prêmio Nobel da Paz e líder opositora, María Corina Machado, declarou que chegou a hora da liberdade, enquanto o candidato oposicionista Edmundo González, que teria vencido as eleições de 2024, possui a reivindicação legal mais forte à presidência, embora esteja no exílio. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, e o poderoso ministro do Interior, Diosdado Cabello — que tem uma recompensa de US$ 25 milhões oferecida pelos EUA — são peças militares e políticas fundamentais cujo apoio será decisivo para qualquer governo.

Com informações de: Valor Econômico, SIC Notícias, R7, Semana, France 24, San Juan Daily Star, Wikipedia ■

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