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"Night Stalkers" são avistados no Caribe em meio a tensões com a Venezuela
Unidade de elite que participou da operação que matou Osama Bin Laden é avistada a menos de 150 km da costa venezuelana em meio a uma escalada militar ordenada pelo governo Trump
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 23/10/2025

O 160º Regimento de Aviação de Operações Especiais (SOAR) do Exército dos EUA, conhecido como "Night Stalkers" (Caçadores da Noite), uma das unidades de aviação mais secretas e capacitadas do mundo, foi recentemente avistado realizando exercícios no mar do Caribe, a menos de 150 quilômetros da costa da Venezuela. A movimentação ocorre em um momento de crescente pressão militar e diplomática do governo de Donald Trump sobre o regime de Nicolás Maduro.

Imagens e vídeos que circularam no início de outubro mostram os helicópteros da unidade, incluindo modelos MH-60 Black Hawk e os menores AH-6 "Little Bird", sobrevoando a região próximo a plataformas de petróleo e gás. Uma análise do Washington Post confirmou que as aeronaves estavam a nordeste de Trinidad e Tobago, dentro da área de influência venezuelana. Fontes do governo Trump confirmaram que se tratava de "exercícios de treinamento preparatórios".

Quem São os "Caçadores da Noite"

Os "Night Stalkers" foram criados em 1980, na esteira do fracassado resgate de reféns americanos no Irã, com o propósito específico de executar missões aéreas de alto risco e alta complexidade, quase sempre sob o manto da noite. Sua reputação é a de serem os melhores pilotos de aeronaves de asas rotativas do mundo, especializados em inserir e extrair forças especiais como os Navy SEALs e os Green Berets em território hostil.

Seu histórico inclui algumas das operações mais emblemáticas das últimas décadas:

  • Operação Lança de Netuno (2011): Transportaram os SEALs até o complexo no Paquistão onde Osama Bin Laden foi morto.
  • Invasão do Panamá (1989) e Granada (1983): Foram a ponta de lança das invasões ordenadas pelos presidentes Bush e Reagan.
  • Batalha de Mogadíscio (1993): A unidade sofreu baixas quando dois de seus Black Hawks foram abatidos na Somália, episódio imortalizado no filme Black Hawk Down.

O lema não oficial do regimento, "Death Waits in the Dark" ("A Morte Espera na Escuridão"), resume bem sua filosofia operacional.

A Missão no Caribe e a Especulação sobre a Venezuela

A presença dos "Night Stalkers" na região é parte de um amplo deslocamento militar americano que inclui bombardeiros B-52, caças F-35 e uma frota naval com pelo menos oito navios. O governo Trump justifica as ações como uma ofensiva contra o narcotráfico, acusando Maduro de chefiar o "Cartel de Los Soles".

Especialistas, no entanto, veem a movimentação como um sinal de pressão por uma mudança de regime em Caracas. "Se você olhar o tipo de equipamento enviado para a Venezuela, não é um equipamento de prevenção ou de ação contra o tráfico", avalia Carlos Gustavo Poggio, professor do Berea College, nos EUA.

Analistas ouvidos pelo The Guardian apontam três possíveis desfechos para a crise: um golpe militar interno contra Maduro, uma operação americana para "decapitar" o regime, ou um acordo negociado que assegure a saída de Maduro do poder.

Capacidades e Equipamentos da Unidade

Os "Night Stalkers" operam uma frota especializada de helicópteros, adaptados para voos noturnos em baixa altitude e alta velocidade. Suas principais aeronaves incluem :

  • MH-60 Black Hawk: Helicóptero de transporte de tropas e assalto, versátil e furtivo.
  • MH-47 Chinook: Helicóptero de transporte pesado, ideal para missões de longa distância.
  • AH/MH-6 Little Bird: Helicópteros leves, ágeis e armados, usados para reconhecimento e ataque preciso.

A unidade também está se adaptando para conflitos futuros, explorando o uso de drones MQ-1C Gray Eagle como iscas eletrônicas e parcerias entre aeronaves tripuladas e não tripuladas para aumentar suas chances de sobrevivência em ambientes hostis.

Uma Crise em Andamento

A tensão na região continua a aumentar. Apenas nesta semana, os EUA realizaram dois bombardeios contra supostos barcos narcoterroristas, elevando para pelo menos 27 o número de mortos nesse tipo de operação desde setembro. Enquanto isso, o presidente Trump confirmou publicamente que autorizou operações secretas da CIA dentro do território venezuelano.

Denúncias de uma farsa norte-americana pressupõe tentativa de golpe de Estado orquestrado

Quatro denúncias foram suficientes para alimentarem uma conspiração sobre a tentativa de golpe de Estado na Venezuela, dentro da perspectiva de uma "guerra não declarada", contudo com escalada para cada vez mais próximo da costa terrestre do país:

  • O presidente Gustavo Petro fez uma declaração na imprensa internacional condenando os ataques, após denúncia de familiares de uma das vítimas em rede nacional de televisão. Segundo a família, a vítima era pescador e não tinha quaisquer relações com o tráfico de drogas.
  • Um dos sobreviventes, um equatoriano, foi liberado no país após a constatação da ausência de quaisquer indícios de crimes relacionados a ele, internamente ou no exterior.
  • Um guarda costeiro venezuelano acabou sendo uma das vítimas do penúltimo bombardeio a pequenas embarcações dentro de águas venezuelanas. Na tese óbvia, seria uma autoridade no apoio ao combate ao narcotráfico marítimo.
  • O ex-combatente Jordan Goudreau, que liderou a fracassada incursão armada "Operação Gedeón" em 2019, veio à imprensa denunciar a farsa do "Cartel de los Soles", segundo ele, criada pela CIA ainda na década de 1990. Na época, um carregamento de drogas teria chegado nos Estados Unidos articulado pela própria CIA em parceria com a Guarda Nacional da Venezuela, à época, governada por presidentes de direita.

O desfecho dessa crise é incerto, mas a presença dos "Night Stalkers" — uma unidade acostumada a operações consideradas impossíveis — sugere que todas as opções, incluindo uma incursão militar em solo venezuelano, estão sobre a mesa.

Com informações de: NY Post, Diário do Centro do Mundo, The Guardian, Wikipedia, G1, Task & Purpose, Student News Daily, Folha BV.■

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