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Milei é atacado com pedradas
Presidente foi evacuado às pressas de ato eleitoral em Lomas de Zamora, enquanto crise econômica e protestos marcam seu governo
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 27/08/2025

O presidente argentino, Javier Milei, foi atacado com pedradas durante uma carreata de campanha na cidade de Lomas de Zamora, na província de Buenos Aires, nesta quarta-feira (27). O incidente violento obrigou a comitiva presidencial a interromper o ato e evacuá-lo às pressas para evitar agressões físicas. Milei não ficou ferido, mas o episódio expõe a tensão política no país semanas antes das eleições legislativas de outubro.

Segundo relatos, manifestantes contrários ao governo atiraram pedras, garrafas e outros objetos contra o veículo aberto em que Milei estava junto com sua irmã, Karina Milei, e o candidato de seu partido, José Luis Espert. A confusão ocorreu no centro de Lomas de Zamora, região tradicionalmente ligada ao peronismo e ao kirchnerismo. Dois indivíduos foram detidos, um deles por "atentado contra a autoridade".

O governo atribuiu o ataque a militantes peronistas e kirchneristas. Em suas redes sociais, Milei postou: "Los kukas tira piedras carentes de ideas, recurrieron otra vez à violência". A ministra da Segurança, Patricia Bullrich, também responsabilizou o kirchnerismo pela agressão.

Este é o segundo incidente violento em um ato público de Milei nas últimas semanas, ocorrendo em um momento delicado para o presidente, que enfrenta:

  • Denúncias de corrupção envolvindo a Agência Nacional de Deficiência (ANDIS) e sua irmã Karina Milei
  • Queda nos mercados financeiros e no valor do peso argentino
  • Crise de governabilidade com o fim dos poderes especiais concedidos pelo Congresso

O ataque ocorre em um contexto de profundas transformações e desafios econômicos desde que Milei assumiu o poder em dezembro de 2023. Seu governo implementou um plano de ajuste radical que, embora tenha reduzido drasticamente a inflação, também aprofundou a pobreza e a recessão no país.

Entre as principais crises econômicas enfrentadas pela Argentina sob o governo Milei, destacam-se:

  1. Inflação descontrolada: A taxa anual beirava 300% em 2023, mas foi reduzida para cerca de 2,7% mensal em 2024. Apesar do progresso, a população ainda sofre com preços altos e perda do poder de compra.
  2. Aumento da pobreza: Mais de 5 milhões de argentinos caíram na pobreza desde que Milei assumiu, com a taxa subindo de 40% para mais de 50% em alguns momentos.
  3. Queda do consumo: O consumo massivo recuou 15% entre janeiro e novembro de 2024, reflectindo a dificuldade das famílias em acessar produtos básicos.
  4. Corte de gastos públicos: O governo implementou reduções drásticas nos gastos com saúde, educação e serviços sociais, afetando ainda mais a população vulnerável.
  5. Altos níveis de endividamento: 91% dos lares argentinos possuem algum tipo de dívida, com 58% dos empréstimos sendo usados para comprar alimentos.

Apesar destes desafios, Milei mantém níveis de aprovação de around 53-56%, segundo pesquisas recentes. Seus apoiadores destacam o fim dos déficits fiscais, a estabilização da moeda e a expectativa de crescimento económico de 5% em 2025, conforme previsão do FMI.

O incidente em Lomas de Zamora ilustra a polarização política na Argentina, que se intensifica à medida que se aproximam as eleições legislativas de outubro, onde o futuro das reformas de Milei estará em jogo.

Com informações de: BBC.com, CNN Brasil, Infobae, Le Monde, Al Jazeera, El Mundo, Reuters, O Globo, The New York Times, Libre Estado. ■

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