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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (21) que suspendeu o "tarifaço" que seria aplicado a oito países europeus a partir de 1º de fevereiro. A medida ocorre após Trump afirmar que o governo norte?americano e a OTAN estabeleceram a estrutura de um futuro acordo envolvendo a Groenlândia e a região do Ártico.
Segundo o mandatário, o entendimento – discutido em reunião com o secretário?geral da aliança, Mark Rutte – atenderia aos interesses dos EUA e de todos os países membros da OTAN. Embora não tenha detalhado os termos, Trump adiantou que as negociações abrangem questões estratégicas de segurança e presença no Ártico.
A trégua nas ameaças comerciais parece ser uma tentativa de reduzir a tensão com a União Europeia, que havia reagido ao discurso anterior de Trump sobre a anexação da Groenlândia suspendendo a ratificação de um acordo comercial com os Estados Unidos.
Enquanto os líderes negociam, a população dinamarquesa e groenlandesa expressa seu descontentamento de forma humorada. Bonés vermelhos com a frase "Make America Go Away" – uma paródia do slogan "Make America Great Again" de Trump – viraram símbolo de protesto em Copenhagen e nas redes sociais.
Os acessórios, criados por um lojista local, trazem ainda a frase "Nu det NUUK!", um trocadilho com a expressão dinamarquesa "Nu det nok" ("agora chega") e o nome da capital groenlandesa. A procura pelos itens explodiu nas últimas semanas, esgotando estoques e levando à produção de centenas de novas unidades[.
"Quero mostrar meu apoio à Groenlândia e também mostrar que não gosto do presidente dos Estados Unidos", disse um manifestante de 76 anos que usava um dos bonés em um protesto no sábado (17).
Apesar da sinalização de acerto, a presença militar da OTAN na Groenlândia segue firme. Países como Alemanha, Suécia, França e Noruega confirmaram o envio de tropas para a ilha nesta semana para participar de exercícios conjuntos com as forças dinamarquesas.
A Dinamarca, responsável pela defesa do território autônomo, anunciou que está expandindo sua presença militar "em estreita cooperação com os aliados da OTAN". A iniciativa é vista como uma demonstração de solidariedade em um momento de tensão sem precedentes dentro da aliança, cujo maior membro (os EUA) ameaça anexar um território de outro membro.
Enquanto isso, a Base Espacial de Pituffik, no noroeste da Groenlândia, mantém cerca de 150 soldados americanos estacionados, lembrando que a ilha já abriga uma presença militar dos EUA desde 1951.
Analistas avaliam que os gestos de Trump podem representar uma tática para ganhar tempo e evitar uma ruptura completa com os europeus. No entanto, pontos de atrito permanecem:
O episódio, que já foi batizado de "Novela Groelândia", segue com capítulos diários. O próximo deve ser a reunião de emergência de líderes europeus em Bruxelas, marcada para esta quinta?feira, onde a resposta europeia à nova postura de Trump será definida.
Com informações de: G1, AP News, CNN Brasil ■