Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
O ator João Victor Gonçalves, de 24 anos, conhecido por interpretar o personagem Mau Mau na novela das nove da TV Globo "Quem Ama Cuida", foi vítima de ataques homofóbicos na noite de sexta-feira (4), quando se dirigia ao Rock in Rio. O episódio ocorreu no entorno da Cidade do Rock, no Rio de Janeiro, e foi transmitido ao vivo pela plataforma Kick durante uma live do streamer GH Rell RJ.
De acordo com as imagens que viralizaram nas redes sociais, o ator caminhava sozinho em direção à entrada do festival quando foi abordado pelo streamer e por outros dois jovens que o acompanhavam. O grupo começou a seguir João Victor pelas ruas enquanto fazia comentários depreciativos sobre suas roupas, entre risadas e deboches.
"Caralho, que é isso. Cara horroroso. Cara meteu um tomate", dizem os rapazes na gravação. Em outro momento, um dos integrantes do grupo ergue um saco preto que quase atinge a cabeça do artista. O ator aparece visualmente incomodado com a situação, mas não respondeu aos comentários e continuou andando. Toda a ação foi registrada durante a live do streamer GH.
Desabafo emocionado e paralelo com o personagem
Após a repercussão do vídeo, João Victor Gonçalves se manifestou nas redes sociais, onde apareceu chorando ao relembrar os ataques. O ator fez um paralelo emocionado entre o que viveu e a história de seu personagem Mau Mau na novela "Quem Ama Cuida". Na trama, o jovem enfrenta a homofobia estrutural dentro de casa e precisa lidar com o preconceito do avô, interpretado por Tony Ramos.
"Realmente, isso é o retrato de tudo o que a gente mostra. O Mau Mau é um personagem forte e valente que encara essa homofobia estrutural que vive dentro de casa de uma forma muito corajosa. Ele engole e segue. Talvez tenha sido isso que eu fiz hoje. Eu engoli e segui", disse o ator, visivelmente emocionado.
João Victor também confessou que, no momento da abordagem, sentiu medo de ser roubado. "Dentro de mim talvez eu estivesse sentindo alguma coisa, mas o meu medo de ser roubado era maior, eu acho", relatou. Em seguida, agradeceu o carinho das pessoas que se solidarizaram e afirmou que os agressores não ficarão impunes.
"Nós somos muito mais fortes que qualquer coisa. Impunes não vão ficar. Homofobia é crime", escreveu o ator na legenda de uma das publicações. Em outro momento, ele destacou: "Homofobia não é entretenimento".
Streamer GH pede desculpas e nega preconceito
Após a forte repercussão negativa nas redes sociais, o streamer GH também se pronunciou. Em vídeo publicado em suas redes, ele pediu desculpas pelas ofensas e afirmou que estava fazendo uma transmissão ao vivo na rua com o objetivo de gerar "entretenimento".
"Fui fazer um entretenimento com o cara que estava passando na rua e me dei mal. Cliparam, postaram no Twitter e estou recebendo um monte de hate. Se eu errei, eu peço desculpas", declarou o streamer.
GH negou ter cometido atos homofóbicos contra o ator. "Tem um monte de gente mandando mensagem, dizendo que fui homofóbico. Jamais. Não tenho preconceito contra ninguém. Só fiz aquilo pelo entretenimento, pelo conteúdo", afirmou.
O streamer ainda justificou que a live estava "sem conteúdo" e que precisava animar a transmissão. "Se vocês repararem no vídeo, eu nem tava com vontade de rir. Tava rindo forçado, só pra gerar o entretenimento pra quem tava assistindo a live", declarou.
Repercussão e desdobramentos
O caso gerou grande comoção nas redes sociais, com internautas e personalidades se manifestando em apoio ao ator. Colegas de elenco de "Quem Ama Cuida", como Pedro Alves, publicaram mensagens em defesa de João Victor. O influenciador Gil do Vigor também se revoltou com o episódio e classificou o ocorrido como crime.
Em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu enquadrar a homofobia como crime, equiparando-a ao racismo. A legislação prevê pena de reclusão de um a cinco anos, prestação de serviços à comunidade ou multa.
O g1 procurou a assessoria de João Victor Gonçalves, o streamer GH e a plataforma Kick para esclarecer o episódio e saber quais são as políticas em relação a abordagens e comportamentos como os registrados na transmissão. Até a última atualização, não houve retorno de nenhuma das partes.
Entenda o caso:
Principais declarações:
Com informações de G1, O Tempo, Folha de S.Paulo, Extra, O Liberal, Estado de Minas, iG Gente, Notícias ao Minuto, Alô Alô Bahia, Diário do Centro do Mundo, Jornal de Brasília, Brasil 247 e Portal Área VIP.
■