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O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como "Mineiro", dono da Entre Investimentos e Participações, firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e confessou ter atuado como operador financeiro do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, em um esquema que envolve lavagem de dinheiro e evasão de divisas, com ramificações que alcançam o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Segundo a delação, Freixo Júnior intermediou repasses de recursos de Vorcaro a um fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos, chamado Havengate Development Fund, administrado pelo advogado Paulo Calixto, que atua como advogado de Eduardo Bolsonaro. Os repasses teriam sido feitos, oficialmente, para financiar o filme "Dark Horse", sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, as investigações da Polícia Federal apuram a suspeita de que parte dos valores pode ter sido desviada para custear despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, país onde o ex-parlamentar vive desde o ano passado.
O acordo de colaboração foi enviado ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito que investiga o caso. O ministro marcou para a próxima terça-feira, 8 de setembro, a audiência para ouvir o colaborador sobre a voluntariedade da delação. Cumprido esse requisito, Mendonça poderá homologar o acordo, o que dará validade jurídica às provas apresentadas.
Entre os elementos entregues pelos investigadores, estão:
De acordo com a delação, Freixo Júnior recebia valores de Vorcaro, convertia a quantia em dinheiro vivo e realizava a distribuição em malas. Esse formato de pagamento em espécie era preferido pelo banqueiro justamente para dificultar o rastreamento dos recursos pelas autoridades. Os intermediários envolvidos nessas operações cobravam 4% sobre o valor movimentado. O empresário, no entanto, afirmou não saber qual era o destino final dos valores entregues em espécie.
O fluxo financeiro descrito na delação indica que o dinheiro deixava o Brasil, passava pelas Bahamas e seguia para o Texas, nos Estados Unidos. Técnicos do Banco Central já haviam identificado movimentações atípicas de recursos da Entrepay, empresa do conglomerado Entre Investimentos, antes mesmo da delação. O Banco Central liquidou a instituição em março deste ano.
As investigações da Polícia Federal também apuram a suspeita de um esquema de evasão de divisas, modalidade que envolve a saída ilegal de dinheiro do país para o exterior. Além disso, há indícios de lavagem de dinheiro transnacional, ocultação de patrimônio e financiamento ilegal de atividades políticas.
O caso teve início em maio, quando o site Intercept Brasil revelou que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para o financiamento do filme "Dark Horse". A negociação envolveu cerca de R$ 134 milhões, dos quais aproximadamente R$ 65 milhões teriam sido efetivamente repassados ao fundo Havengate. Após a revelação, o próprio Flávio Bolsonaro admitiu ter pedido os recursos.
Em maio deste ano, Eduardo Bolsonaro negou ter recebido dinheiro do fundo ligado a Vorcaro, afirmando que seu status migratório nos Estados Unidos "não permitiria" o recebimento de valores. No entanto, as contradições nas versões apresentadas pelo ex-deputado e por seu irmão Flávio sobre a participação no projeto "Dark Horse" têm sido apontadas como elementos de interesse das investigações.
O acordo de delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior prevê o pagamento de multa de cerca de R$ 2 bilhões e o perdimento de bens. A defesa do empresário não quis se manifestar sobre o conteúdo da delação. Procurado, Eduardo Bolsonaro também não respondeu aos pedidos de posicionamento.
O desdobramento da delação pode trazer novos elementos para o inquérito que tramita no STF, cujo objetivo é apurar possíveis irregularidades na captação, intermediação e destinação dos valores vinculados ao financiamento de "Dark Horse", bem como esclarecer se alguma quantia foi de fato repassada a Eduardo Bolsonaro. A homologação do acordo, se confirmada pelo ministro André Mendonça, poderá consolidar as provas apresentadas pelo delator e acelerar o curso das investigações sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com informações de Valor Econômico, Diário do Centro do Mundo, Estadão, Poder360, Band, G1, Folha de S.Paulo, Intercept Brasil, TV Pampa, GP1, Revista Fórum e CBN ■