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Por telefone, Lula e Trump negociam tarifas; Planalto veta Rubio e mira influência bolsonarista
Presidente brasileiro classificou justificativas dos EUA como "infundadas"; primeira reunião entre equipes está marcada para 31 de agosto, e governo Lula busca canal direto com Trump para isolar secretário de Estado e expoentes da oposição
Politica
Foto: https://www.seudinheiro.com/uploads/2025/01/Trump-Lula-Brasil-EUA.jpg
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■   Bernardo Cahue, 26/08/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizaram na sexta-feira (21) um telefonema que durou uma hora e meia e teve como principal pauta a negociação sobre as tarifas impostas pelo governo americano a produtos brasileiros. De acordo com o Palácio do Planalto, a conversa ocorreu em tom "amistoso e cordial", mas colocou em evidência as profundas divergências comerciais entre os dois países e as articulações políticas que envolvem a crise.

Durante a ligação, Lula contestou veementemente os argumentos utilizados por Washington para justificar as sobretaxas, classificando as alegações como "infundadas". O presidente brasileiro afirmou que as medidas prejudicam não apenas a economia do Brasil, mas também a dos Estados Unidos, e defendeu a continuidade das negociações como o melhor caminho para a resolução do impasse. Trump, por sua vez, concordou com a necessidade de preservar os vínculos comerciais e propôs que as equipes dos dois governos voltassem a se reunir "o mais brevemente possível".

O desfecho do telefonema foi a confirmação de uma nova rodada de conversas técnicas. A primeira reunião entre as delegações dos dois países está marcada para a próxima segunda-feira, 31 de agosto, às 14h30 (horário de Brasília), em formato virtual. O encontro será entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer. A expectativa do governo brasileiro é, inicialmente, ampliar a lista de produtos isentos das tarifas americanas e, posteriormente, reverter integralmente as medidas.

Nos bastidores da negociação, um dos pontos mais sensíveis diz respeito à participação do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Segundo fontes do Planalto, Lula vetou por completo a participação de Rubio nas tratativas, buscando uma interlocução direta com Trump para contornar o que considera uma postura ideológica e intransigente do chefe da diplomacia americana. A estratégia do governo brasileiro é usar o pragmatismo empresarial de Trump para isolar a ala mais dura do Departamento de Estado, liderada por Rubio, e proteger o comércio bilateral em meio a tensões geopolíticas.

A decisão de Lula de vetar Rubio não ocorre por acaso. O secretário de Estado tem sido um dos principais críticos do governo brasileiro e foi o responsável direto pelo anúncio do tarifaço de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, em julho deste ano. À época, Rubio acusou Lula de "não negociar de boa-fé" e de ter "colocado o próprio ego à frente de um acordo". A medida americana, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, impôs sobretaxa adicional de 12,5% sobre alguns produtos, elevando a alíquota total a 37,5% em determinados setores.

Além da atuação direta de Rubio, o governo brasileiro também vê com preocupação a influência dos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro nas decisões comerciais dos EUA. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, enviou uma carta oficial a Rubio em junho pedindo que os EUA poupassem o Brasil de novas tarifas, mas também compartilhou publicações do secretário de Estado culpando Lula pelo tarifaço. A atuação de Flávio nos EUA, incluindo encontros com Trump e Rubio, gerou forte reação do PT, que cunhou o termo "tariflávio" para associar o senador às medidas americanas.

O governo Lula avalia que há um "jogo de cartas marcadas" entre Rubio e os bolsonaristas, e que a ala ideológica da gestão Trump age em sintonia com a oposição brasileira para desgastar o atual presidente. Por isso, a decisão de vetar Rubio das negociações e buscar um canal direto com Trump é vista como uma manobra de alto risco, mas necessária para desarmar o cerco diplomático e comercial imposto pelos EUA.

A primeira reunião de segunda-feira (31) será o termômetro inicial para avaliar se a estratégia de Lula surtirá efeito. O governo brasileiro já realizou mais de 30 contatos com autoridades americanas em diferentes níveis desde o anúncio das tarifas, mas a expectativa agora é que o diálogo direto entre os presidentes possa destravar um acordo que beneficie ambos os países. Enquanto isso, a disputa política interna no Brasil segue acirrada, com o tarifaço se tornando um dos principais temas da corrida presidencial de 2026.

Com informações de G1, Congresso em Foco, IstoÉ Dinheiro, Folha de S.Paulo, CNN Brasil, BBC Brasil e CartaCapital ■

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