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Flávio Bolsonaro irrita-se com jornalistas ao ser cobrado sobre prestação de contas de Dark Horse
Senador e candidato à Presidência afirmou que prestação de contas do filme já foi apresentada, negou recuo e transferiu cobranças para o presidente Lula; decisão de Flávio Dino que autoriza PF a acessar provas sobre o caso ocorreu no mesmo dia
Politica
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■   Bernardo Cahue, 26/08/2026

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, reagiu com irritação na noite desta segunda-feira (24) ao ser questionado por jornalistas sobre a prestação de contas do filme “Dark Horse” – cinebiografia que retrata a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ao ser cobrado sobre a divulgação do contrato firmado entre a produtora do longa e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o senador indagou: “Vocês vão parar no tempo?”.

As declarações foram dadas após participação na reunião quinzenal da diretoria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na avenida Paulista, em São Paulo. Flávio Bolsonaro afirmou que a responsabilidade pelas explicações sobre os recursos do filme não é dele, mas sim do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Quem tem que prestar contas não sou eu; é o Lula que tem que prestar contas”, declarou.

O episódio ocorre cerca de três meses depois de Flávio ter afirmado, em maio, que divulgaria um relatório com informações sobre a origem e a utilização do dinheiro empregado no longa. Na ocasião, após o vazamento de áudios em que ele pedia R$ 61 milhões a Vorcaro para financiar a produção, o senador disse que solicitaria à produtora Go Up Entertainment uma prestação de contas detalhada em até 30 dias e afirmou, em julho, estar “100% disposto” a apresentar o contrato relacionado ao filme. O prazo terminou em 18 de junho, mas os documentos não foram divulgados publicamente.

Pressionado sobre o suposto recuo, Flávio negou ter mudado de posição e afirmou que as informações financeiras já foram apresentadas no âmbito de uma investigação conduzida em São Paulo e divulgadas pela imprensa. Ele citou reportagem do G1 para embasar sua versão: “Dá um Google aí. Está lá na matéria do G1 dizendo que a produtora gastou mais até do que recebeu de investimento”. Segundo o material apresentado pela produtora, o filme teria custado R$ 75,1 milhões, conforme perícia contratada pela empresária Karina da Gama e anexada ao inquérito da Polícia Civil. Desse total, R$ 54 milhões teriam sido gastos no exterior e R$ 20,9 milhões no Brasil. A documentação, porém, não apresentou recibos ou notas fiscais que comprovassem os gastos nem detalhou a origem dos recursos utilizados.

Questionado se estaria disposto a divulgar o contrato com Vorcaro, Flávio não respondeu diretamente. Afirmou que se trata de uma relação privada, envolvendo recursos de um fundo particular e sem contrapartida pública, e acusou a imprensa de tentar colocá-lo “na mesma página” do presidente Lula. Em seguida, o candidato direcionou as cobranças ao filho do petista, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e afirmou que Lula teria participado de conversas para beneficiar integrantes do Banco Master – acusações feitas sem a apresentação de provas.

O caso “Dark Horse” continua sob investigação em múltiplas frentes. No mesmo dia em que Flávio deu as declarações aos jornalistas, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino autorizou o compartilhamento com a Polícia Federal dos dados coletados em operação da Polícia Civil de São Paulo contra a produtora do filme. O material, apreendido em busca e apreensão que mirou a empresária Karina da Gama – proprietária do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e sócia da Go Up Entertainment –, inclui dados de computadores, celulares, documentos contábeis e registros financeiros. A PF apura se emendas parlamentares foram usadas para financiar o longa, enquanto a Polícia Civil e o Ministério Público investigam possível desvio de recursos públicos de um contrato de R$ 108 milhões firmado entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de wi-fi na periferia.

Além da investigação sob relatoria de Dino, o ministro André Mendonça, também do STF, autorizou a abertura de inquérito para apurar os repasses de R$ 61 milhões feitos por Vorcaro à produção. Os valores efetivamente transferidos pelo banqueiro, no entanto, ainda não foram totalmente esclarecidos.

Ao longo do evento na Fiesp, Flávio Bolsonaro seguiu os passos do pai e defendeu pautas como a exploração de terras indígenas, argumentando que “os indígenas querem ser incluídos”. Sobre o filme, porém, manteve a estratégia de desviar o foco das perguntas sobre a prestação de contas, repetindo que o Brasil “está lambendo em chamas, todo mundo endividado” e que os jornalistas insistem em uma pauta que considera superada.

Com informações de G1, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, Gazeta do Povo, CartaCapital, Poder360 e ICL Notícias ■

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