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Deepfake bolsonarista tenta distorcer sucesso de ato de Lula em São Bernardo
Manipulação digital é a mais nova arma da desinformação na corrida presidencial de 2026; enquanto petista lota estádio no ABC, candidato do PL reúne menos de 10 mil na orla carioca
Politica
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■   Bernardo Cahue, 19/08/2026

O primeiro domingo de campanha oficial para as eleições presidenciais de 2026 foi marcado por dois eventos contrastantes e por mais um episódio de desinformação envolvendo inteligência artificial. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lotava o Estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), com uma multidão que superou a capacidade do local, apoiadores do candidato Flávio Bolsonaro (PL) recorreram a um deepfake para tentar criar a falsa impressão de que o ato petista teria sido um fracasso de público.

A manobra desinformativa ocorre em meio a um acirrado debate sobre o uso de inteligência artificial na política. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem discutido nos últimos dias a proibição do uso de deepfakes em campanhas eleitorais, e a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) já acionou a corte contra o uso de vídeos manipulados por inteligência artificial na campanha de Flávio Bolsonaro. A estratégia, agora, parece ter se voltado contra o próprio presidente, com a circulação de conteúdos falsos que distorcem a realidade do ato em São Bernardo.

O fracasso real de público, ironicamente, ocorreu no ato de Flávio Bolsonaro na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, no mesmo dia. Embora a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) tenha calculado inicialmente um público de 3 mil pessoas presentes no ato em Copacabana, números reais podem ter sido ainda menores – algumas estimativas sugerem que o contingente pode ser de 3 ou 4 vezes inferior ao divulgado pela campanha do bolsonarista.

Enquanto isso, em São Bernardo do Campo, o ato de lançamento da campanha de Lula à reeleição foi um sucesso de público. O evento, que tinha como mote "Brasil pronto para mais", ocorreu no estádio da Vila Euclides, palco histórico de assembleias dos metalúrgicos do ABC Paulista durante a ditadura militar. O presidente discursou por 35 minutos em tom nostálgico, lembrando sua trajetória sindical e cobrando da militância que saiba de cor a comparação de números de seu governo com o do antecessor, Jair Bolsonaro.

A capacidade total do Estádio 1º de Maio é de 41.138 pessoas, de acordo com auto de vistoria do Corpo de Bombeiros. A campanha de Lula esperava reunir entre 20 mil e 30 mil pessoas, mas a expectativa foi amplamente superada. O PT afirmou que 40.000 pessoas compareceram ao ato – número que, se confirmado, representa praticamente a lotação total do estádio. O partido organizou caravanas vindas de outros estados para garantir a presença maciça.

O sucesso do evento foi tão grande que, segundo relatos, cerca de 10 mil pessoas que não conseguiram entrar no estádio acompanharam o ato do lado de fora das arquibancadas, reforçando a dimensão do comparecimento popular. A equipe de campanha do presidente, no entanto, não autorizou o sobrevoo de drones no local, o que impediu a realização de uma estimativa independente de público por parte de institutos de pesquisa.

A disparidade entre os dois eventos é significativa e expõe os diferentes momentos das duas campanhas. Enquanto Lula mobilizou dezenas de milhares de pessoas em seu berço político, Flávio Bolsonaro, que tenta se firmar como sucessor do pai na corrida presidencial, registrou um público modesto em um dos palcos mais simbólicos do bolsonarismo, a Praia de Copacabana.

O uso de deepfakes para desinformar, por sua vez, acendeu um alerta no TSE e na classe política. Ministros da corte se reuniram para avaliar a proibição do uso da tecnologia na campanha eleitoral, e a Federação Brasil da Esperança já acionou a Justiça Eleitoral contra a campanha de Flávio Bolsonaro por propaganda eleitoral antecipada e uso de inteligência artificial. O episódio deste domingo demonstra que a desinformação digital continua sendo uma das principais armas da disputa política em 2026.

A nota oficial da campanha de Lula ainda não se manifestou sobre o deepfake que circula nas redes sociais. Procurada, a assessoria de imprensa de Flávio Bolsonaro não respondeu até o fechamento desta edição.

Com informações de Folha de S.Paulo, Poder360, Cebrap, Congresso em Foco, BBC Brasil, O Globo, Metrópoles, Brasil de Fato, Reuters, G1, Valor Econômico, O Estado de S. Paulo, UOL, Jornal GGN, Migalhas, Agência Lupa, TV Sim Brasil, e Fórum■

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