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Marçal admite que candidatura ao Planalto tem como objetivo ajudar Flávio Bolsonaro
Influenciador diz em entrevista que será "escudeiro" do senador; especialistas veem manobra para deslocar votos de Lula e fortalecer candidato do PL
Politica
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■   Bernardo Cahue, 19/08/2026

O empresário e influenciador Pablo Marçal (PRTB) assumiu publicamente que sua candidatura à Presidência da República, registrada no último dia 15 no limite do prazo legal, tem como principal objetivo auxiliar a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Marçal afirmou que "política é guerra" e que pretende atuar como "escudeiro" do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro na disputa contra a esquerda.

"Eleição é guerra, e serei escudeiro de Flávio Bolsonaro se for preciso", declarou o influenciador, que acumula 13,1 milhões de seguidores no Instagram. A afirmação ocorre em meio a uma estratégia política que, segundo analistas, visa dividir votos do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, e fortalecer a posição de Flávio Bolsonaro no primeiro turno.

Relação próxima e articulação nos bastidores

Marçal revelou que Flávio Bolsonaro foi a primeira pessoa para quem ligou após conseguir registrar sua candidatura. "Segue seu caminho em paz, que você não vai ter problema comigo", teria dito o influenciador ao senador, em referência a uma eventual disputa entre os dois pelo mesmo eleitorado. "Ele riu", contou Marçal sobre a reação de Flávio.

O vínculo entre os dois não é recente. Em dezembro de 2025, Marçal já havia declarado apoio público à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, afirmando em evento em Barueri (SP): "Vamos apoiar Flávio Bolsonaro para presidente do Brasil. Chega de PT, chega de Lula. Ele é o Bolsonaro que a gente sempre sonhou". O encontro foi articulado por Filipe Sabará, ex-secretário de Desenvolvimento Social de São Paulo que coordenou a campanha de Marçal à Prefeitura de São Paulo em 2024.

Estratégia reconhecida por adversários

O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, afirmou nesta segunda-feira (17) que a presença de Marçal na disputa tem "o intuito de beneficiar a campanha do senador Flávio Bolsonaro". "Era até esperado que ele fosse aparecer agora e fazer algum tipo de bagunça, e eu acho que esse tipo de coisa era para beneficiar o Flávio", disse Renan em coletiva de imprensa. O presidenciável do Missão lembrou que Marçal vinha atuando como consultor de marketing da campanha de Flávio.

Inelegibilidade e situação jurídica

Apesar do registro da candidatura, Marçal segue inelegível até 2032 por decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), que o condenou por uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha eleitoral de 2024. O empresário tem pelo menos três condenações no TRE-SP relativas à sua campanha a prefeito de São Paulo, quando oferecia prêmios em dinheiro e brindes a apoiadores que produzissem cortes de vídeo com seus conteúdos.

A liminar obtida no último sábado pelo juiz Gustavo Nardi, da 428ª Zona Eleitoral de Santana do Parnaíba (SP), reconheceu retroativamente sua filiação ao PRTB em 4 de abril – data-limite para cumprir a exigência de vínculo partidário de seis meses antes da eleição. No entanto, a decisão não afastou a inelegibilidade. Cabe agora ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisar o pedido de registro. Enquanto não houver decisão final, Marçal permanece na disputa como candidato sub judice.

Objetivo declarado: desgastar Lula e dividir a esquerda

Em suas declarações, Marçal tem sido enfático ao afirmar que sua missão é "quebrar o ciclo do PT" e fazer com que "o PT vire o PSDB, por ostracismo". Apesar da inelegibilidade, o influenciador afirmou que pretende participar dos debates eleitorais e disse que o resultado das próximas pesquisas vai "assustar" os adversários.

Especialistas em direito eleitoral, no entanto, avaliam que a chance de Marçal ter sua candidatura aprovada pelo TSE é praticamente nula. Ainda assim, enquanto o pedido estiver pendente de julgamento, ele poderá manter campanha e seguir atuando como uma espécie de "linha auxiliar" da candidatura de Flávio Bolsonaro, conforme avaliou o adversário Renan Santos.

Com informações de UOL, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, CNN Brasil, Veja ■

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