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O que começou como uma brincadeira nas redes sociais se transformou em um dos protestos digitais mais criativos e eficazes da história recente do Brasil. Em julho de 2025, brasileiros organizaram um verdadeiro "vampetaço" contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e contra autoridades do governo americano. A motivação veio após o anúncio de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA e a abertura de uma investigação comercial que mirava, entre outros pontos, o Pix — o sistema de pagamentos instantâneos que se tornou um símbolo de orgulho nacional.
O movimento, batizado de "vampetaço" — uma referência ao ex-volante da seleção brasileira campeã do mundo em 2002 —, consiste em inundar as menções e os comentários do alvo com a famosa foto de Vampeta nu, publicada na revista G Magazine em 1999. Mas os internautas foram além: a imagem passou por montagens criativas, com o órgão genital do jogador coberto por frases de protesto. Entre as mensagens mais compartilhadas estavam "Alô, Trump! Tira a mão do meu Pix", "Trump is on Epstein's list" e "Brasil Soberano".
O estopim para a mobilização foi a publicação, no dia 15 de julho de 2025, do perfil oficial do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) no X (antigo Twitter). No post, o órgão anunciava a investigação comercial contra o Brasil e sugeria que o Pix conferia uma vantagem desleal ao país. Para os brasileiros, porém, a mensagem foi interpretada como um ataque direto a uma das maiores conquistas tecnológicas e sociais do país. A reação foi imediata e avassaladora.
O "vampetaço" não se limitou ao perfil do USTR. Os protestos se espalharam pelas redes de Trump, de seus apoiadores e até de figuras públicas alinhadas ao republicano, como o ator Rob Schneider. Em poucas horas, os comentários com a imagem de Vampeta dominaram as publicações, tornando o movimento um dos assuntos mais comentados do momento. A brincadeira, que já havia sido usada em outras ocasiões — como em brigas de fãs do BBB, rivalidades entre torcidas de futebol e até contra Elon Musk, após críticas ao Supremo Tribunal Federal —, ganhou uma dimensão inédita.
O sucesso do movimento, no entanto, não se deu apenas pelo humor. Para muitos, o "vampetaço" representou uma forma de resistência cultural e política. As imagens de Vampeta se tornaram, há anos, uma forma de protesto online usada por brasileiros diante de ataques que consideram dirigidos ao país. A mobilização costuma levar montagens e comentários às páginas de políticos, instituições e personalidades estrangeiras. Desta vez, não foi diferente. Entre as respostas ao post do Departamento de Estado dos EUA, que defendeu a Doutrina Monroe e a hegemonia americana nas Américas, usuários escreveram "Doutrina Vampeta neles".
O próprio Vampeta, que hoje é comentarista esportivo e figura conhecida do público, reagiu com bom humor à onda de protestos. Em entrevista ao portal A Tarde, o ex-jogador afirmou que não se importa com o uso de sua imagem e que considera a brincadeira uma honra. "Para mim, é até uma honra", disse ele. Vampeta também lembrou que o movimento já havia sido usado em outras ocasiões, como quando fãs brasileiros usaram a foto para irritar um cantor internacional que criticou o Brasil e a Amazônia. "Acho que para algum cantor internacional que veio falar mal do Brasil, da Amazônia. Algum cara criou isso, entrou nas redes sociais desse cantor. E aí deu certo, a gente virou moda. Então, para mim... para mim, é tranquilo, eu não esquento, não. Tá tranquilo", completou.
Além do humor e da criatividade, o "vampetaço" também carregou um forte teor político. Parte das publicações exaltou o Brics, grupo de países emergentes do qual o Brasil participa, como alternativa à dependência política dos Estados Unidos no cenário internacional. Outras montagens incluíram a frase "Trump está na lista do Epstein", em referência às supostas ligações do presidente americano com o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais.
O movimento, que começou como uma reação ao tarifaço, acabou se tornando um símbolo da capacidade dos brasileiros de transformar adversidade em criatividade. E, para muitos, o "vampetaço" já é considerado um patrimônio imaterial da internet brasileira — uma forma única e irreverente de dizer "não" quando o país se sente desrespeitado.
O fenômeno foi tão impactante que chegou a ser noticiado pela imprensa internacional e gerou debates sobre o poder dos memes como ferramenta de protesto. O "vampetaço" contra Trump entrou para a história como um dos momentos mais emblemáticos da cultura digital brasileira, provando que, às vezes, uma foto de um ex-jogador nu pode ser mais poderosa do que qualquer discurso diplomático.
O que é o "vampetaço"?
O "vampetaço" é um protesto digital bem-humorado que consiste em:
Principais alvos do "vampetaço"
Ao longo dos anos, o "vampetaço" já foi usado contra diversos alvos, incluindo:
O "vampetaço" contra Trump, no entanto, foi o mais expressivo de todos. Ele não só mobilizou milhões de brasileiros como também chamou a atenção da mídia internacional, consolidando o ex-jogador como um símbolo inesperado de resistência nacional.
Com informações de G1, Poder360, UOL, Diário do Centro do Mundo, Brazilian Report, Canaltech, A Tarde ■