Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
PF prende Willer Tomaz, advogado apontado como "hub financeiro" de esquema bilionário contra o INSS
Amigo de Flávio Bolsonaro e operador de Weverton Rocha, criminalista já havia sido alvo de busca e apreensão na última terça-feira (4); prisão foi decretada após novas evidências colhidas na análise de materiais apreendidos
Politica
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTbaO7euB-BdJc-yfmoT98XlgFC2-6ZAk7FMfuf3AOX_Q&s=10
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 11/08/2026

A Polícia Federal prendeu preventivamente na manhã desta terça-feira (11) o advogado e empresário Willer Tomaz de Souza, apontado como um dos principais operadores do esquema de fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas do INSS. A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ocorreu após a PF concluir a análise de materiais apreendidos na nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada na semana passada .

Willer Tomaz já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão na última terça-feira (4), quando agentes da PF estiveram em seu escritório no Lago Sul, em Brasília, e em sua residência. Na ocasião, os investigadores apreenderam uma máquina de contar dinheiro e valores em espécie, além de documentos e dispositivos eletrônicos que, segundo a corporação, reforçaram as suspeitas sobre seu papel central na organização criminosa .

A investigação descreve o advogado como um "hub financeiro, patrimonial e logístico", responsável por prover a sustentação econômica do esquema que desviava recursos de aposentadorias e pensões do INSS por meio de cobranças associativas indevidas . Segundo a decisão de Mendonça, a estrutura ligada a Tomaz reunia empresas, imóveis, aeronaves, pilotos, funcionários, operadores financeiros e interlocutores políticos, tudo colocado à disposição dos beneficiários finais dos atos ilícitos .

O alvo principal das movimentações seria o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula no Senado. A PF aponta que Tomaz teria repassado ao menos R$ 11 milhões à esposa do parlamentar, Samya Bernardes Rocha, por meio de suas empresas, além de ter adquirido uma casa avaliada em R$ 6 milhões em Brasília onde o senador reside . Familiares de Rocha também foram alvos de busca e apreensão na semana passada .

Em nota divulgada após as buscas de terça-feira, a defesa de Willer Tomaz sustentou que a medida "decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha" e que o advogado "não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes" . A mesma defesa afirmou, ainda, que todas as transações envolvendo Samya Rocha foram documentadas e declaradas regularmente .

No entanto, os elementos apreendidos nos últimos dias levaram a PF a pedir, e o STF a conceder, a prisão preventiva. A corporação identificou novos indícios de que Tomaz atuava como articulador da "estrutura externa de suporte" aos envolvidos, com capacidade de movimentar grandes volumes de recursos e ocultar a origem ilícita do dinheiro por meio de uma rede de empresas, incluindo postos de combustíveis e emissoras de comunicação no Maranhão .

Conforme revelou a revista piauí neste sábado (8), a PF encontrou no celular do senador Weverton Rocha uma foto que mostra Willer Tomaz em uma piscina com ao menos oito parlamentares . O registro foi feito em 23 de abril de 2023 no Rancho Tomaz, propriedade do advogado em Planaltina (DF), e estava em uma pasta chamada "Grupo Seleto" no aplicativo de mensagens do senador .

Além de Weverton Rocha, aparecem na imagem os deputados:

  • Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara
  • Juscelino Filho (PSDB-MA)
  • Elmar Nascimento (União Brasil-BA)
  • Paulo Azi (União Brasil-BA)

Também estão na foto os senadores Efraim Filho (União-PB), Angelo Coronel (Republicanos-BA) e o ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Abin .

Embora a foto não tenha sido mencionada na decisão que autorizou as buscas, os investigadores a analisam como parte do contexto das relações comerciais e políticas do advogado . Em nota, Willer Tomaz repudiou a divulgação da imagem, classificando-a como "vazada ilegalmente" e "sem qualquer relação com sua atividade profissional ou com os fatos noticiados" . O senador Weverton Rocha afirmou que pedirá ao STF que investigue o "vazamento criminoso de fotos pessoais" .

A trajetória de Willer Tomaz já acumula controvérsias. Em 2017, ele foi preso pela PF em um desdobramento da Operação Lava Jato, suspeito de intermediar propina a um procurador da República, mas a denúncia foi rejeitada pela Justiça por falta de provas . Em 2019, ele e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sacaram cerca de R$ 1,5 milhão em espécie em um cassino de Las Vegas, episódio que gerou grande repercussão .

A relação de intimidade entre Tomaz e Flávio Bolsonaro é amplamente documentada: em 2021, o senador referiu-se a ele como "meu amigo" durante a CPI da Covid; em 2025, viajaram juntos para a Flórida em um jatinho de luxo . O advogado também é ligado ao "Careca do INSS" – Antônio Carlos Camilo Antunes, preso desde dezembro – por meio do contador Alexandre Caetano dos Reis, irmão da administradora do escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro .

Com a prisão preventiva, Willer Tomaz deve ser encaminhado ao sistema penitenciário do Distrito Federal, onde aguardará as decisões da Justiça. A Operação Sem Desconto segue em andamento, com novos desdobramentos esperados nos próximos dias.

Com informações de O Tempo, O Povo, UOL Notícias, Gazeta do Povo, O Globo, Correio Braziliense, Revista Fórum, Metrópoles, CartaCapital e Congresso em Foco ■

Mais Notícias