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Lula afirma que Trump o trata com respeito, mas chama Rubio de bolsonarista que odeia o Brasil
Em visita ao INPE, presidente brasileiro volta a criticar secretário de Estado dos EUA e afirma que ele adota medidas contrárias ao acordado com Trump; Rubio é apontado como articulador de sanções ao Brasil em parceria com aliados de Bolsonaro
Politica
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■   Bernardo Cahue, 09/08/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (7) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o trata com “respeito”, mas voltou a direcionar duras críticas ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a quem classificou como “bolsonarista” e alguém que “odeia o Brasil”. As declarações foram feitas durante visita ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP).

“Ele [Trump] tem um cidadão que não gosta do Brasil, que não gosta da América Latina e que é um bolsonarista, que é o Marco Rubio. Eu disse para o Trump: esse moço não gosta do Brasil. Ele é um anti-latino-americano, ou um latino-americano frustrado”, afirmou Lula. O presidente brasileiro também destacou a origem cubana do secretário de Estado para justificar sua avaliação: “Ele é um descendente de cubano em Miami, então, ele odeia. Odeia Cuba, odeia a Colômbia, odeia o Brasil e faz as coisas diferentes daquilo que a gente conversa com o Trump”.

Lula fez questão de diferenciar o tratamento recebido de Trump da atuação de Rubio. “Eu e o Trump já tivemos algumas reuniões e ele sempre me tratou com muito respeito. Eu trato ele com muito respeito”, disse o presidente. A estratégia do governo brasileiro, segundo aliados, tem sido justamente buscar negociação direta com Trump, contornando a atuação de Rubio, que é visto como um obstáculo nas relações bilaterais.

As críticas ocorrem em um momento de forte tensão diplomática entre Brasília e Washington. Desde que Trump anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros – que podem chegar a até 37,5% –, o governo federal tem buscado negociar uma saída para reduzir os impactos sobre as exportações. Lula relembrou a reunião que teve com Trump na Casa Branca, em maio, e afirmou que apresentou ao presidente norte-americano documentos relacionados à balança comercial entre os dois países. Segundo o petista, após o encontro, representantes do governo brasileiro mantiveram contatos frequentes com integrantes da administração norte-americana, mas não receberam o retorno esperado. “E aí, fiquei esperando, não teve telefonema, mas veio pela imprensa um tarifaço”, afirmou.

Além da disputa tarifária, a relação bilateral foi afetada pela suspensão do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, e pela demora do Brasil em conceder o agrément ao indicado por Trump para a embaixada em Brasília, o deputado republicano Daniel Perez, ligado a Rubio. A indicação de Perez foi aprovada pelo Senado dos EUA na sexta-feira (7).

Rubio e a articulação com o bolsonarismo

Marco Rubio, secretário de Estado do governo Trump, é descendente de cubanos e nasceu em Miami. Sua trajetória política é marcada por posições duras contra governos de esquerda na América Latina e por uma agenda que críticos classificam como xenofóbica. No governo Trump, Rubio tem sido peça-chave na condução da política externa para a região, incluindo a imposição de tarifas e sanções ao Brasil.

Nos bastidores da diplomacia, Rubio é apontado como articulador de sanções contra o Brasil em parceria com aliados do bolsonarismo. O empresário e influenciador Paulo Figueiredo, aliado do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e o próprio Eduardo Bolsonaro têm atuado junto ao governo Trump para pressionar por punições contra o Brasil, por meio de diversas alegações consideradas falsas pelo governo Lula.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também tem mantido contato com Rubio. Em uma carta, o secretário de Estado respondeu ao senador e reforçou a posição do governo Trump de defender a imposição de tarifas ao Brasil. Flávio se reuniu com Rubio e, segundo relatos, o secretário se mostrou favorável às pautas defendidas pela família Bolsonaro. A avaliação da equipe de Lula é que Rubio está “fechado com a família Bolsonaro por questões ideológicas”.

Em resposta à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pela Justiça brasileira, Rubio chegou a prometer “resposta à altura” dos EUA. O governo Lula, por sua vez, afirmou que “não se intimidará” diante das pressões.

Entre as principais medidas promovidas por Rubio contra o Brasil estão:

  • Proposta de sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, com base em acusações de desmatamento ilegal, trabalho escravo e falhas na aplicação de leis anticorrupção;
  • Classificação de facções brasileiras como organizações terroristas;
  • Inclusão do Brasil na lista de países não considerados aliados dos EUA, ao lado de Nicarágua, Cuba e Venezuela;
  • Suspensão do visto da embaixadora brasileira em Washington.

Lula tem rebatido publicamente as acusações feitas por Rubio. Sobre a alegação de que o Brasil falharia no combate ao desmatamento, o presidente afirmou que enviaria dados do INPE para os Estados Unidos. “Ninguém, nem os Estados Unidos, levam a sério clima como o Brasil”, destacou. Quanto à acusação de trabalho escravo, Lula classificou a alegação como “absurda” e disse que os EUA “se referiam à China”.

O presidente também criticou a postura negacionista de Trump em relação às mudanças climáticas. “Eu vi o Trump falando na ONU que não acredita nesse negócio de questão climática, que é tudo mentira”, afirmou Lula. “Neste País, a gente leva a questão climática com muita seriedade porque nós não somos negacionistas”.

Em meio à escalada de tensões, Lula sinalizou a aliados que pode conversar com Trump já na próxima semana. A estratégia do governo brasileiro é buscar uma negociação direta com o presidente americano, na expectativa de que Trump esteja mais aberto ao diálogo do que seu secretário de Estado.

Com informações de G1, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, Correio Braziliense, Veja, A TARDE, BBC Brasil, CNN Brasil, Estadão, Agência Pública, Brasil de Fato, CartaCapital, SBT News, Gazeta do Povo, Rádio Itatiaia, JC Online, O Globo, EFE, El Diario NY, Al Mayadeen, A PUBLICADA e Reuters ■

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