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PF aponta melhor amigo de Flávio Bolsonaro como um dos maiores beneficiários do esquema do INSS
Advogado Willer Tomaz, alvo da nova fase da Operação Sem Desconto, é apontado como operador de esquema de fraudes em descontos de benefícios previdenciários; trio que integrava com Flávio e Frederick Wassef era conhecido em Brasília como "WWF"
Politica
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■   Bernardo Cahue, 05/08/2026

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira, 4 de agosto de 2026, a nova fase da Operação Sem Desconto, que aprofunda as investigações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a fraudes em descontos indevidos de benefícios do INSS. Entre os principais alvos da ação está o advogado e empresário Willer Tomaz de Souza, amigo pessoal do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Agentes da PF cumpriram mandado de busca e apreensão na residência de Willer Tomaz, em Brasília. Segundo a investigação, Tomaz aparece em um relatório da Polícia Federal que reúne movimentações financeiras consideradas atípicas — o documento aponta transações atribuídas ao advogado que somam R$ 45,5 milhões entre maio e novembro de 2021.

Os investigadores também registraram uma transferência de R$ 120 mil feita por ele, naquele ano, a Milton Salvador de Almeida Júnior, investigado por suposta participação no esquema e que, posteriormente, tornou-se diretor de empresas de Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", apontado pela corporação como o principal operador das fraudes. O contador de Flávio Bolsonaro, Alexandre Caetano dos Reis — que também prestava serviços ao "Careca do INSS" — está preso desde dezembro por decisão do ministro André Mendonça, do STF, na mesma apuração.

Embora a PF não afirme, até o momento, que essas movimentações tenham ligação direta com o esquema criminoso, a proximidade entre Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro é pública e amplamente documentada. Em 2021, durante a CPI da Covid, o senador referiu-se ao advogado como "meu amigo". Quatro anos depois, os dois viajaram juntos para a Flórida, nos Estados Unidos, em um jatinho pertencente aos donos do laboratório União Química.

Flávio também tem frequentado uma propriedade do advogado no Distrito Federal. Segundo a revista Veja, Willer mantém em Planaltina um local conhecido como "Rancho do Tomaz", com campo de futebol, piscina, quadra de tênis, píer, área para lancha e jet-sky, além de acesso a um lago. O senador já publicou fotos na chácara de luxo, que receberia convescotes de notáveis da política e do Judiciário.

Willer Tomaz também já foi investigado em um desdobramento da Operação Lava Jato. Em 2017, chegou a ser preso pela Polícia Federal e ficou detido por três meses, acusado de intermediar propinas ao procurador da República Angelo Goulart Villela, que seria um agente infiltrado no Ministério Público Federal responsável por repassar informações sobre investigações aos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS. A denúncia contra ele foi rejeitada pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região por mudanças nas versões dos delatores e ausência de outras provas documentais.

O trio WWF

Durante a gestão de Jair Bolsonaro na Presidência (2019 a 2022), Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz e Frederick Wassef — advogado do clã Bolsonaro que abrigou o ex-assessor Fabrício Queiroz, pivô do esquema das "rachadinhas" — eram apelidados em Brasília de "WWF". Basicamente, tudo na capital federal passava por eles: de grandes causas empresariais com interesses nos tribunais a indicações para cargos públicos relevantes, como a do ministro Kassio Nunes Marques ao Supremo Tribunal Federal. Interlocutores do ministro afirmam, no entanto, que nenhum dos três teve atuação direta em seu processo de indicação.

A influência de Willer Tomaz no universo do Judiciário em Brasília é notória. Ele tem acesso a ministros do STF e do Superior Tribunal de Justiça. Seu escritório funciona no Lago Sul, área nobre da capital federal, e ele é também defensor do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas-AL).

O envolvimento de Willer na disputa pela mansão de Richarlison

Além das investigações sobre fraudes no INSS, Willer Tomaz protagonizou uma polêmica disputa judicial envolvendo o jogador Richarlison, atacante da Seleção Brasileira e do Tottenham, da Inglaterra. O imbróglio gira em torno de uma mansão avaliada em R$ 10 milhões localizada em Ilha Comprida, Angra dos Reis (RJ), que teria "encantado" o senador Flávio Bolsonaro.

A mansão foi vendida em 2020 para a Sport 70, empresa de Richarlison e de seu empresário, Renato Velasco. No entanto, em maio de 2022, a Justiça concedeu uma liminar que transferiu a posse do imóvel para Willer Tomaz. A decisão foi obtida em episódio considerado suspeito, com a reintegração de posse executada à noite. A família do jogador foi pega de surpresa pela ordem.

A ação teve desdobramentos dramáticos, incluindo a expulsão da mulher do empresário do jogador, grávida, da casa durante a noite pela Polícia Militar do Rio. Uma senhora de 78 anos também disse ter sido enganada para assinar um documento. O senador Flávio Bolsonaro foi arrolado como testemunha no processo.

Em maio de 2023, o juiz titular da 2ª Vara Cível da Comarca de Angra dos Reis, Ivan Pereira Mirancos Júnior, julgou extinta a ação inicial que havia dado origem às investidas de Willer Tomaz, derrubando os argumentos iniciais do processo. A decisão tende a beneficiar Richarlison, e a mansão pode voltar à empresa do jogador.

Willer Tomaz entrou na briga pela casa há anos, desde quando o filho do presidente se encantou pela mansão. Em 2021, ele chegou a tentar comprá-la da mesma pessoa que a vendeu para a empresa de Richarlison. Sem sucesso, deu início a uma série de investidas judiciais para se tornar dono da propriedade.

Os principais pontos da investigação:

  • Willer Tomaz é apontado como um dos principais alvos da nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos indevidos de benefícios do INSS.
  • O relatório da PF aponta movimentações financeiras atípicas atribuídas a Tomaz que somam R$ 45,5 milhões entre maio e novembro de 2021.
  • Tomaz transferiu R$ 120 mil a um investigado que depois se tornou diretor de empresas do "Careca do INSS", apontado como principal operador do esquema.
  • O contador de Flávio Bolsonaro, que também prestava serviços ao "Careca do INSS", está preso na mesma investigação.
  • Flávio e Willer viajaram juntos para a Flórida em jatinho de luxo.
  • O senador frequenta o "Rancho do Tomaz", propriedade do advogado em Planaltina (DF).

O que se sabe sobre a disputa pela mansão de Richarlison:

  • A mansão em Ilha Comprida, Angra dos Reis, avaliada em R$ 10 milhões, foi vendida em 2020 para a empresa de Richarlison.
  • Em maio de 2022, Willer Tomaz obteve liminar que transferiu a posse do imóvel para ele.
  • Flávio Bolsonaro foi arrolado como testemunha no processo.
  • Em maio de 2023, juiz de Angra dos Reis julgou extinta a ação inicial que deu origem à disputa.
  • A reintegração de posse foi executada à noite, com a expulsão da mulher grávida do empresário do jogador.
  • Com informações de CartaCapital, Estadão, Metrópoles, UOL, Congresso em Foco, ConJur, Brasil 247, Plantaão Brasil e CUT ■

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