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Flávio Bolsonaro é desmentido ao vivo na Band
Senador e pré-candidato à Presidência reconheceu erro durante sabatina no 'Canal Livre' após afirmar que Smartmatik produziu urnas eletrônicas e ser corrigido por jornalistas; TSE já havia desmentido a informação
Politica
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■   Bernardo Cahue, 04/08/2026

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, foi desmentido ao vivo, neste domingo (2), durante participação no programa Canal Livre, da TV Band. O episódio ocorreu quando o parlamentar voltou a associar a empresa Smartmatic à fabricação das urnas eletrônicas utilizadas no Brasil, informação já classificada como falsa pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Ao longo da sabatina, Flávio Bolsonaro afirmou que a empresa Smartmatic — que atua em processos eleitorais de outros países, incluindo a Venezuela — teria produzido as urnas eletrônicas brasileiras ou "participado de todo o processo". A declaração, no entanto, foi imediatamente contestada pelos jornalistas Adriana Araújo e Eduardo Oinegue, que ancoravam o programa.

A jornalista Adriana Araújo foi a primeira a rebater a fala do senador. "Mas, senador, o problema é que a informação que o senhor trouxe para os diplomatas foi afirmar que as urnas brasileiras são fornecidas por uma empresa que fornece urnas para a Venezuela. O que é mentira", afirmou. Ela acrescentou que o próprio TSE já havia esclarecido, em nota oficial, que a Smartmatic não fornece e nunca forneceu as urnas eletrônicas utilizadas nas eleições brasileiras, tampouco trabalhou na programação desses aparelhos.

Diante da correção, Flávio Bolsonaro tentou justificar sua declaração: "Eu posso ter falado errado que eles forneceram as urnas, mas eles participaram de todo o processo do sistema eleitoral brasileiro". A jornalista, então, pontuou que, conforme o TSE, a participação da Smartmatic esteve restrita a atividades como o treinamento de profissionais que prestaram suporte técnico e operacional.

Na sequência, o jornalista Eduardo Oinegue também entrou no debate e foi enfático ao desmentir o senador: "A Smartmatic nunca produziu uma urna". Oinegue lembrou ainda que a fabricação dos equipamentos ocorre sob gestão da Justiça Eleitoral e citou as empresas que de fato produzem as urnas brasileiras.

Quem fabrica as urnas eletrônicas no Brasil

De acordo com informações oficiais do TSE, o projeto da urna eletrônica brasileira e o sistema eletrônico de votação foram concebidos e são geridos inteiramente pela Justiça Eleitoral. A produção das urnas ao longo dos anos ficou a cargo de diferentes empresas contratadas por meio de licitação. Entre elas, destacam-se:

  • Positivo — uma das principais fabricantes de equipamentos eletrônicos do Brasil, venceu o processo licitatório para a produção de novas urnas em 2020;
  • Unisys — empresa norte-americana de tecnologia que também integrou o processo de fornecimento de equipamentos e soluções para a Justiça Eleitoral;
  • Outras empresas norte-americanas, conforme os diferentes contratos firmados ao longo das últimas décadas.

O TSE reforça que a Smartmatic não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras. A empresa atuou apenas no treinamento de profissionais que prestaram suporte técnico e operacional para as urnas, além de ter disputado uma licitação para fabricação de novos equipamentos em 2020 — processo vencido pela Positivo.

Reconhecimento do erro

Após as contestações feitas pelos jornalistas durante o programa ao vivo, Flávio Bolsonaro reconheceu o equívoco. "Eu acabei de falar, nessa parte eu me equivoquei", declarou o senador.

O episódio na Band ocorre na esteira de declarações semelhantes feitas pelo parlamentar dias antes, em 21 de julho, durante reunião com diplomatas de mais de 40 países em Brasília. Na ocasião, Flávio Bolsonaro já havia afirmado que as urnas eletrônicas brasileiras teriam "a mesma origem" das urnas da Smartmatic, uma informação que o TSE já havia desmentido em nota publicada em 2020 e atualizada em 8 de julho de 2026.

A situação gerou ampla repercussão nas redes sociais, com internautas destacando o papel do jornalismo na checagem de informações em tempo real e a importância do debate baseado em dados oficiais.

Nota do TSE

Em seu site oficial, o TSE afirma categoricamente: "São falsas as mensagens que circulam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil". O tribunal complementa que "todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país".

O TSE destaca ainda que o sistema eletrônico de votação brasileiro "utiliza meios próprios e criptografados de comunicação e transmissão de dados, não tendo nenhum contato com redes públicas, como a internet. Em mais de 20 anos de trajetória, o sistema foi reiteradamente testado e comprovadamente isento de quaisquer formas de manipulação, de fraude".

Com informações de Portal Viggo, O Alagoano, G1 e Folha de S.Paulo.

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