Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
Planalto avalia que Milei é “peso pena” e age como candidato a gerente do Trump
Itamaraty convoca embaixadores em gesto inédito, mas Lula determina que não responderá formalmente às provocações para não "entrar no ringue" com o líder vizinho
Politica
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRjsiNpytRKbuZ_tzNWgJG2wGa5v3WpkOkB5GSaFK9YMSDdczbmjzIyNxsG&s=10
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 27/07/2026

O governo brasileiro decidiu adotar uma estratégia de distanciamento e ironia diante das duras críticas proferidas pelo presidente da Argentina, Javier Milei, durante a convenção do Partido Liberal (PL) no último sábado (25), em São Paulo. Apesar do tom agressivo das falas, que miraram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a avaliação no Palácio do Planalto é que um "peso pesado" como Lula não deve entrar no ringue com um "peso pena", como definem auxiliares próximos o mandatário argentino .

A avaliação do governo, compartilhada por integrantes do Planalto e da diplomacia, é que Milei atua como um "candidato a gerente do Trump na América Latina" e que responder diretamente aos ataques seria cair em uma armadilha criada pelo argentino para gerar um embate público. Dessa forma, ficou combinado que Lula se preservaria de um confronto direto com o chefe de Estado vizinho .

Críticas de Milei e gestos inéditos do Itamaraty

As declarações de Milei ofuscaram a convenção que oficializou a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência e provocaram uma crise diplomática entre os dois países. Como resposta institucional, o Itamaraty adotou medidas sem precedentes nas relações bilaterais :

  • O embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, foi convocado para prestar esclarecimentos sobre as falas de seu presidente.
  • O embaixador brasileiro em Buenos Aires foi chamado de volta a Brasília para consultas, um gesto considerado raro e severo nas relações entre os dois países.

“Chamar um embaixador do Brasil em Buenos Aires à Brasília para consultas é algo sem precedentes na história dos dois países”, avaliou a colunista Mônica Bérgamo, da BandNews, que primeiro trouxe os detalhes da estratégia governamental .

Apesar da escalada diplomática, Lula se reuniu com o chanceler Mauro Vieira e autorizou o Itamaraty a subir o tom pelas vias oficiais, mas determinou que ele próprio não entraria em confronto direto com o argentino. “Integrantes do governo dizem ainda que o Lula não pode discutir com um candidato a gerente do Trump na América Latina”, resumiu a jornalista .

Lula prega a relação histórica e ironias pontuais

Apesar da decisão de não responder formalmente, não está descartado que Lula, em pronunciamentos ou entrevistas, faça eventuais ironias ou dê indiretas. Em conversas reservadas, o presidente brasileiro destacou a importância da relação centenária entre Brasil e Argentina, ponderando que, por maiores que sejam as divergências, os dois povos são irmãos e compartilham interesses comuns .

“Nós somos povos irmãos com interesses comuns”, teria dito Lula, citando também o intenso fluxo turístico entre os países, que faz da Argentina a principal origem de turistas estrangeiros no Brasil, representando mais de 36% do total .

A estratégia adotada pelo governo brasileiro busca isolar o tom beligerante de Milei, tratando-o como um adversário menor no cenário político regional, enquanto mantém abertos os canais diplomáticos para administrar a crise sem ceder à provocação pública .

Com informações de Diário do Centro do Mundo ■

Mais Notícias