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Apoiadores do PL esvaziam convenção em discurso de Flávio Bolsonaro
Senador se emociona com vídeo do pai em inteligência artificial e critica Lula e o STF; organização do evento foi marcada por confusão, superlotação e imprensa barrada
Politica
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcStSEMMtLCOlw8asej1KRxSrxxXTlNCfwWmVtJCQrxPLnZfHCVjQewhUu0&s=10
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■   Bernardo Cahue, 27/07/2026

A convenção nacional do Partido Liberal (PL) realizada neste sábado (25) no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, em São Paulo, oficializou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato do partido à Presidência da República nas eleições de 2026. O evento, que reuniu aliados como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o presidente da Argentina, Javier Milei, teve um momento que chamou a atenção de apoiadores e imprensa: parte do público começou a deixar a arena justamente durante o discurso do candidato.

Cerca de duas horas após o início da cerimônia, espaços do local começaram a ficar vazios enquanto Flávio discursava para os apoiadores presentes. A debandada parcial de militantes ocorreu após uma longa sequência de exibições e participações, incluindo vídeos dos irmãos Carlos e Eduardo Bolsonaro, da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e uma reprodução feita por inteligência artificial com uma mensagem atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O senador dedicou boa parte de sua fala ao pai, que cumpre prisão domiciliar, e se apresentou como “o filho mais velho do capitão”. “Faço questão de dizer a cada um de vocês que sei exatamente o tamanho da responsabilidade que meu nome carrega, o filho mais velho do capitão, o homem que defendeu a liberdade com a própria vida”, declarou. Flávio afirmou que Bolsonaro é perseguido e vítima “da maior farsa” da história do país. O candidato também criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que uma eventual reeleição do petista levaria o Brasil a uma ditadura. “Imagina ele indicando [ao STF] mais quatro Alexandres de Moraes para onde o Brasil vai?”, questionou.

Em um dos momentos mais marcantes do evento, os apresentadores da convenção anunciaram uma surpresa para o candidato: a exibição de um vídeo de Jair Bolsonaro feito com inteligência artificial. No conteúdo, o ex-presidente afirmou: “Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu, isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feito com inteligência artificial. Como todos aqui sabem, eu estou preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária baseada em algo que eu nunca fiz. (...) Por isso, peço que vocês recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, meu filho Flávio.”

O evento, no entanto, não transcorreu sem contratempos. O início da convenção foi marcado por uma confusão por causa da lotação do espaço. O local tem capacidade para 7 mil pessoas, mas bombeiros e seguranças admitiram que o espaço ultrapassou a capacidade permitida. Jornalistas de veículos nacionais e internacionais foram barrados do evento, e a alegação de assessores é que o partido teria autorizado um credenciamento maior do que a capacidade do espaço destinado aos profissionais de imprensa. A confusão chegou ao ponto de apoiadores que tentavam entrar no local derrubarem as grades que estavam na porta, e a equipe de segurança precisou ser reforçada.

O presidente da Argentina, Javier Milei, também discursou no evento, criticou Lula e o que chamou de “merda socialista”. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que estava rompida com o enteado até dias antes do evento, participou por meio de vídeo, após uma reconciliação pública.

Entre as propostas apresentadas por Flávio Bolsonaro em seu discurso, destacam-se:

  • Defesa de que os filhos devem ser “estudantes e não militantes”
  • Respeito ao agronegócio, que deve ser “respeitado e não endividado”
  • Defesa de que o salário deve voltar a durar até o fim do mês
  • Castração química para estupradores de crianças
  • Aumento do tempo de prisão para agressores de mulheres

Além disso, o senador defendeu que os “poderes voltem a respeitar a Constituição e sejam independentes e harmônicos entre si”. A convenção ocorre em um momento delicado para o candidato, que enfrenta queda nas pesquisas e acusações que impactam sua campanha.

Com informações de Diário do Centro do Mundo, BNews, Poder360, UOL, O Globo, Brasil de Fato e Terra ■

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