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O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acionou formalmente a Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por supostas irregularidades e infrações cometidas durante a Convenção Nacional do PL, realizada no último sábado (25). A iniciativa foi confirmada pelo próprio parlamentar em vídeo publicado em suas redes sociais neste domingo (26).
Na representação enviada à PGR, Lindbergh Farias concentra as acusações na prática de eventuais crimes eleitorais e atos de lesão à soberania nacional ao longo do evento que oficializou o senador Flávio Bolsonaro como candidato do PL à Presidência da República. O deputado classificou a convenção da sigla oposicionista como um "fracasso" de público e de articulação política, destacando que o evento ocorreu de forma isolada e sem a presença de partidos aliados.
Participação de Milei é apontada como crime eleitoral
Entre as principais ilegalidades apontadas por Lindbergh está a participação do presidente da Argentina, Javier Milei, no palanque da convenção. O parlamentar citou o Artigo 337 do Código Eleitoral, que proíbe a participação de estrangeiros em atos partidários e de propaganda política.
"O Milei esteve lá, xingou todo mundo, falou um bocado de palavrão, pediu voto para Flávio Bolsonaro. Isso é proibido", enfatizou o deputado. Segundo Lindbergh, o discurso proferido pelo presidente argentino "investiu contra a jurisdição brasileira".
Em suas manifestações, os parlamentares do PT destacam que o discurso de Milei não se tratou de "saudação protocolar nem de gesto de cortesia entre nações", mas sim de um ato de campanha eleitoral. O presidente argentino fez um longo e duro discurso no qual criticou o presidente Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, chegando a chamar o magistrado de "lixo".
Durante a convenção, Milei afirmou que "somente Flávio pode parar Lula" e lamentou não poder visitar Jair Bolsonaro, que se encontra em regime de prisão domiciliar. O governo Lula, como desdobramento diplomático, chamou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli.
Uso de inteligência artificial de Jair Bolsonaro é alvo de crítica
Outro ponto considerado grave na ação é a utilização de recursos de inteligência artificial para simular a presença de Jair Bolsonaro na convenção. O ex-presidente está preso após condenação pelo STF por tentativa de golpe de Estado e tem os direitos políticos suspensos por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Para Lindbergh, a manobra teve o objetivo deliberado de contornar as sanções da Justiça Eleitoral. "Jair Bolsonaro tem os direitos políticos suspensos. Ele foi condenado. Então, usar ele com inteligência artificial foi uma forma de burlar essa suspensão dos direitos políticos", afirmou. O deputado alertou ainda para o risco de que a prática se repita na propaganda eleitoral: "Tem que ter uma decisão, porque daqui a pouco eles vão usar na propaganda eleitoral alguém que está com os direitos políticos suspensos. É impressionante".
Apelo a intervenção dos EUA é classificado como "traição à Pátria"
O deputado também teceu duras críticas à aliança da extrema-direita brasileira com líderes e figuras internacionais, classificando a postura como um ato de subserviência e ingerência externa nas instituições do país. "Eles falam de ingerência externa em todo o processo eleitoral, apelam para os Estados Unidos, para o Trump, para o Marco Rubio", observou.
Em publicação em suas redes sociais, Lindbergh foi ainda mais incisivo: "O crime mais grave é o pedido para que Trump e os EUA interfiram nas nossas eleições. São traidores da Pátria".
Cena da tesoura e críticas ao modelo econômico argentino
Durante sua fala, Lindbergh destacou o simbolismo negativo de uma cena protagonizada por Flávio Bolsonaro na convenção, na qual o senador dançou empunhando uma tesoura em alusão ao "método" do presidente argentino. "Na campanha do Milei ele usava uma motosserra, falando dos cortes [de gastos]. Ontem apareceu esse Flávio Bolsonaro, que não tem nada na cabeça, com uma tesoura, dançando com um 'tesouraço'", ironizou.
O deputado aproveitou para criticar os efeitos das políticas econômicas adotadas na Argentina: "Vocês sabem o que aconteceu na Argentina? Os cortes na educação são de 36% do orçamento. Na saúde, 34%. Sabe de quanto foi a redução do salário mínimo na Argentina? 38%. É isso que eles estão planejando aqui para o Brasil".
Contexto e desdobramentos
A representação contra Flávio Bolsonaro foi protocolada por Lindbergh Farias e outros deputados federais do PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os parlamentares questionam a legalidade da presença estrangeira e do uso de IA, citando possíveis violações à legislação eleitoral.
Caberá agora ao Ministério Público avaliar eventuais crimes eleitorais praticados na convenção que confirmou o primogênito do ex-presidente como candidato ao Planalto. Esta não é a primeira ação movida por Lindbergh contra Flávio Bolsonaro. O deputado já havia acionado a Polícia Federal, a PGR e o STF em outras ocasiões, além de pedir investigação sobre notas fiscais emitidas por escritório do senador.
A convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro ocorreu em São Paulo e marcou o início oficial da disputa presidencial de 2026 pela direita brasileira. O senador, filho mais velho de Jair Bolsonaro, foi eleito senador em 2018 e já atuou como deputado estadual no Rio de Janeiro.
Além das questões judiciais, o episódio gerou repercussão no campo diplomático e acirrou ainda mais os ânimos entre os campos políticos de esquerda e direita às vésperas da campanha eleitoral de 2026.
Com informações de Brasil 247, O Globo, Veja ■