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O primeiro avião com ajuda humanitária dos Estados Unidos chegou a Cuba nesta terça-feira (21), informou o Ministério do Comércio Exterior do país caribenho. A aeronave, que partiu do Aeroporto Internacional de Miami com cerca de 18 toneladas de carga, transporta alimentos — como arroz, feijão e óleo de cozinha — além de kits de higiene e lanternas. O carregamento, suficiente para atender aproximadamente 700 famílias, é a primeira parcela de um pacote de US$ 100 milhões proposto em maio pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. Desse total, a remessa inicial corresponde a US$ 60 milhões.
A iniciativa faz parte de um esforço do governo Donald Trump para prestar assistência direta aos residentes da ilha enquanto mantém a pressão sobre o governo cubano. O Departamento de Estado dos EUA afirmou que os suprimentos serão distribuídos diretamente à população cubana por meio de grupos católicos, contornando o governo de Havana. A entrega será realizada pela Catholic Relief Services (CRS), em parceria com a Igreja Católica local e a Cáritas Cuba.
O subsecretário de Estado para Assistência Externa, Assuntos Humanitários e Liberdade Religiosa, Jeremy Lewin, declarou em entrevista coletiva antes da decolagem que "o compromisso dos EUA com o povo cubano é de ferro". Lewin afirmou ainda que, como padres locais e grupos católicos estão encarregados da distribuição, "há muito pouca, se alguma, oportunidade de o regime interferir na entrega da assistência". Sean Callahan, presidente e CEO da Catholic Relief Services, disse ter visitado a ilha há algumas semanas para garantir a responsabilidade na distribuição da ajuda. "Esperamos que este seja um pequeno passo à frente no lado humanitário. Mas, com sorte, aproximaremos o povo dos Estados Unidos e de Cuba no futuro".
O envio ocorre em meio a uma grave crise energética em Cuba, agravada pelo bloqueio ao suprimento de petróleo imposto pelos EUA. Em janeiro de 2026, Washington intensificou as sanções ao vedar à ilha suas fontes externas de petróleo, provenientes de Venezuela e México. O bloqueio energético e petrolero, segundo o Departamento de Estado americano, "paralisou praticamente a economia cubana e a vida cotidiana das pessoas na ilha". A rede elétrica do país falhou três vezes somente em julho, deixando milhões de cubanos sem energia e aprofundando a incerteza sobre serviços essenciais como educação, transporte e saúde.
O governo cubano, por meio do Ministério do Comércio Exterior, confirmou a chegada da ajuda, mas ressaltou que o carregamento "contrasta com a realidade imposta pelo castigo coletivo infligido pelos Estados Unidos", em referência às sanções econômicas e ao bloqueio petrolero. As autoridades cubanas afirmaram que não se opõem à assistência, mas insistiram que a verdadeira solução para a crise passa pelo fim do bloqueio.
No início de julho, o chanceler cubano Bruno Rodríguez já havia classificado os anúncios de ajuda que ainda não haviam chegado como "fantasia", minimizando o montante em contraste com as perdas diárias causadas pelo bloqueio. "US$ 100 milhões certamente ajudariam, embora devamos reconhecer que isso equivale apenas a cinco dias do bloqueio", afirmou o ministro. De acordo com cifras apresentadas por Rodríguez em recente sessão da Assembleia Geral da ONU, os danos econômicos causados pelo bloqueio entre março de 2025 e fevereiro de 2026 somaram US$ 8,103 bilhões. O dano acumulado desde a imposição do bloqueio, há mais de seis décadas, chega a US$ 178,7 bilhões a preços correntes.
A ajuda humanitária americana chega em um momento de tensões elevadas entre os dois países. Na segunda-feira (20), o Departamento de Estado divulgou um extenso documento acusando Cuba de conduzir uma vasta operação de espionagem e influência esquerdista nos Estados Unidos nas últimas cinco décadas. O secretário de Estado Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, tem demonstrado interesse pessoal em pressionar Havana a realizar mudanças em seu sistema socialista, enquanto o presidente Donald Trump já sugeriu em várias ocasiões que os EUA poderiam tomar ação militar para derrubar o governo comunista da ilha.
O programa de assistência atual baseia-se em um esforço anterior que, no ano passado, entregou US$ 9 milhões em apoio direto à ilha após a passagem do furacão Melissa. A distribuição da nova remessa será feita nos municípios de Alquízar e Bejucal, e a expectativa é que a ajuda alcance um total de 196 mil famílias em toda a ilha.
O governo cubano, embora tenha aceitado a assistência após negociações com autoridades americanas, reiterou que a ajuda humanitária não substitui a necessidade do fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos EUA há mais de 60 anos. A Assembleia Geral da ONU já condenou o bloqueio contra Cuba em 31 votações consecutivas, e a comunidade internacional tem demonstrado crescente solidariedade com o povo cubano diante da crise.
Com informações de The Canadian Press, Associated Press, CNN Brasil, Reuters, CBS News, Los Angeles Times, El Universal, O Estado de S. Paulo, RTVE, WTOP News, India Today, Cuba Información, Semana, Infobae, El Nuevo Herald, Nación, Radio Cubana, Vietnam.vn, Spokesman.com, Miami Herald, TASS, PL English, Bernama, CGTN, China Daily, France 24, BBC, Teletica, Ecotvpanama, Diario Libre, El Destape Web, Mediospublicos.uy, Xinhuanet, Saba.ye, Raymond James, Tribuna, Martinoticias, REN.tv, Radio Habana Cuba, Phenominal World, Wapa.tv, La Mecha.ar, GovInfo, Halifax City News, News of Bahrain, Ministerio del Transporte de Cuba, MITRANS, DCA, Granma, People's Daily, MINDUS, Internationale, Marketscreener, NewsBreak, La Prensa, Jamaica Gleaner, AJC, Seattle Times, Baltimore Sun, The Record, KGET, Diário do Grande ABC, Times Brasil CNBC, NMAS, Informador, DGABC, El País (internacional) ■