Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
Cuba rejeita relatório dos EUA sobre suposta influência subversiva e denuncia panfleto medíocre
Governo cubano classifica documento como propaganda e acusa Washington de financiar ações para desestabilizar a ilha; presidente Díaz-Canel afirma que país “jamais obrou para danificar o povo americano”
Central e Caribe
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTFI4_SYZvHYawlx3SdvE9QBchqGi7NW3mGpoRjTgNHEw&s=10
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 22/07/2026

O governo de Cuba rejeitou, nesta terça-feira (21), “nos termos mais enérgicos” o relatório divulgado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos que acusa a ilha de exercer “influência subversiva” contra o território norte-americano. Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores de Cuba classificou o documento de 100 páginas, intitulado “Cuba: a capital do comunismo no século XXI”, como um “medíocre panfleto de propaganda” que “pretende apuntalar o mensagem mentiroso de que Cuba constitui uma ameaça para os EUA, pretexto que esse governo utiliza para o castigo coletivo e o genocídio contra o povo cubano”.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, também se manifestou por meio de suas redes sociais, afirmando que o relatório é parte de uma estratégia de Washington para justificar agressões contra a ilha. “'Cree el ladrón que todos son de su condición'. Nada mais acertado para caracterizar o informe do Departamento de Estado contra Cuba, promovido por um dos funcionários mais corruptos da atual administração, de comprovados vínculos com narcotraficantes e terroristas da Flórida”, escreveu o mandatário, em referência ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

Díaz-Canel enfatizou que, se há um país que espionou e agrediu outro em níveis “obscenos”, esse país são os Estados Unidos contra Cuba. O presidente recordou as milionárias verbas anuais destinadas pelo governo americano a programas de mudança de regime na ilha, além de uma longa lista de episódios criminosos, como a introdução de pragas e doenças – incluindo o dengue hemorrágico, que causou a morte de 101 crianças –, o derrubamento de um avião civil com 73 pessoas a bordo, atentados a bomba em hotéis, tentativas de magnicídio e operações de guerra psicológica.

Acusações dos EUA e resposta cubana

O relatório do Departamento de Estado, publicado na segunda-feira (20), acusa o governo cubano de ter conduzido, ao longo de quase sete décadas, uma “campanha sustentada de subversão” contra os Estados Unidos, incluindo a formação de terroristas, abrigo a fugitivos, infiltração no governo americano e a manutenção de instalações militares e de inteligência estrangeiras no território cubano. O documento também afirma que Cuba teria desempenhado um papel central na formação dos “movimentos extremistas mais famosos e influentes” dos EUA.

Em resposta, a chancelaria cubana afirmou que “resulta hipócrita” que o Departamento de Estado acuse Cuba de promover ações de subversão quando “é o governo estadunidense o que cada ano destina dezenas de milhões de dólares de seu orçamento federal para subverter a ordem interna em Cuba, provocar fome, desesperação e o derrocamento do governo cubano”. A nota oficial acrescenta que o relatório se insere no discurso do suposto “terrorismo de esquerda” promovido por Marco Rubio, com o objetivo de “arremeter contra todo rasgo progressista, compromisso social ou manifestação de esquerda dentro e fora do território estadunidense”.

A declaração cubana classifica como “mentira” a acusação de que Cuba é um Estado patrocinador do terrorismo e sustenta que “nem neste nem em outro informe se podem apresentar provas, nem o mais mínimo indício para tão ilegítima acusação, pois não existe”. O ministério também denunciou que, em território americano, “encontraram proteção e total impunidade quem financia, organiza e instiga atos violentos e terroristas contra Cuba”.

Histórico de tensões e acusações recíprocas

O presidente Díaz-Canel destacou o bloqueio econômico imposto pelos EUA à ilha e a “dimensão genocida” que ele adquire com o atual reforço e cerco energético, afirmando que “não há maior ato de subversão contra um Estado, concebido e descrito oficialmente pelos EUA para esgotar o povo e fragilizar seu apoio à Revolução”.

O mandatário cubano reafirmou que “Cuba jamais obrou para danificar o povo estadunidense, nem se propôs afetar a segurança nacional dos EUA” e que “o que a Revolução cubana fez ao longo de sua história é se defender dessas sucessivas e intermináveis agressões, por legítimo direito”. Ele também denunciou o “neomcarthismo transnacional” que, segundo ele, se reinstaura nos EUA a partir de uma “corrente claramente fascista” que “recorre à mentira para gerar pretextos sobre os quais sustentar agressões contra Cuba e coarctar liberdades civis nos EUA”.

Repercussão internacional

A China também se manifestou sobre o caso, rejeitando as acusações americanas de suposta cooperação de inteligência com Cuba e reafirmando seu apoio à soberania da ilha contra interferências estrangeiras. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, classificou as alegações do relatório como “infundadas”.

Este novo episódio de confronto diplomático ocorre em um momento de escalada das tensões entre Washington e Havana, que já vinham se intensificando nos últimos meses com a imposição de novas sanções e o aperto do bloqueio econômico contra a ilha.

Pontos centrais do relatório americano e da rejeição cubana:

  • Relatório dos EUA: documento de 100 páginas acusa Cuba de subversão, espionagem e formação de terroristas por 67 anos; afirma que a ilha abriga instalações militares e de inteligência que ameaçam a segurança nacional americana.
  • Rejeição cubana: governo classifica o relatório como “panfleto medíocre” e “hipócrita”; nega todas as acusações e aponta a falta de provas.
  • Acusação recíproca: Cuba afirma que os EUA destinam milhões de dólares anuais para subverter a ordem interna na ilha, financiar oposição e promover mudança de regime.
  • Histórico de agressões: Díaz-Canel listou ataques, sabotagens, introdução de doenças, atentados e o bloqueio econômico como evidências da agressão americana contra Cuba.
  • Discurso do “terrorismo de esquerda”: Cuba denuncia que os EUA criam um novo inimigo para justificar repressão interna e externa contra movimentos progressistas.

O governo cubano encerrou sua nota oficial reafirmando que continuará exercendo seu legítimo direito de defesa e que não se deixará intimidar por “mentiras” e “pretextos” fabricados por Washington. As relações entre os dois países, que já vivem um dos momentos mais tensos das últimas décadas, devem permanecer sob forte pressão nos próximos meses.

Com informações de Infobae, Xinhua, La Jornada, Actualidad RT, Radio Habana Cuba ■

Mais Notícias