Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
Os confrontos deflagrados nas últimas 24 horas no Estreito de Ormuz entre as forças armadas do Irã e os Estados Unidos foram encerrados, ao menos temporariamente, segundo uma fonte militar iraniana ouvida pela agência de notícias Tasnim. A declaração foi divulgada na noite de sexta-feira, 8 de maio de 2026, após uma escalada que colocou em xeque o frágil cessar-fogo vigente desde o início de abril.
“Após um período de troca de tiros, os combates pararam e a situação está calma”, afirmou a fonte, que permaneceu no anonimato, à agência semioficial iraniana. O mesmo interlocutor, contudo, fez um alerta direto: se os Estados Unidos voltarem a “interferir ou alvejar embarcações iranianas”, há “possibilidade real de retomada dos conflitos” na região.
O estopim da troca de tiros
A nova onda de violência teve início na madrugada de quinta-feira (7), quando o Comando Central dos EUA (CENTCOM) afirmou ter interceptado ataques “não provocados” contra três contratorpedeiros da Marinha americana que transitavam pelo estreito em direção ao Golfo de Omã. Os navios envolvidos são o USS Truxtun, o USS Rafael Peralta e o USS Mason. Em resposta, as forças americanas realizaram ataques de autodefesa contra instalações militares iranianas, incluindo “bases de lançamento de mísseis e drones; postos de comando e controle; e centros de inteligência”.
Do lado iraniano, a narrativa é oposta. O alto comando militar da República Islâmica acusou Washington de violar o cessar-fogo ao alvejar petroleiros iranianos e áreas civis nas ilhas de Qeshm e nas cidades costeiras de Bandar Abbas, Bandar Khamir e Sirik. A agência Tasnim, que noticiou a ação dos Guardiões da Revolução, detalhou que o ataque iraniano utilizou oito mísseis de cruzeiro e 24 drones kamikazes, afirmando que um míssil e três drones atingiram contratorpedeiros americanos, provocando incêndios a bordo.
Reações e desdobramentos diplomáticos
Apesar da escalada militar, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou os acontecimentos e insistiu que o cessar-fogo segue em vigor. Em declarações à imprensa, o republicano classificou os ataques retaliatórios americanos como uma “pancadinha de amor” e afirmou que os três destróieres não sofreram danos. “Eles foram completamente destruídos, junto com numerosos pequenos barcos”, escreveu o mandatário em sua rede Truth Social, fazendo referência às forças iranianas. “Não houve dano aos nossos navios.”
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que a Casa Branca ainda aguarda uma resposta formal do Irã à proposta mais recente de paz, enviada por meio de mediadores paquistaneses. A oferta prevê a reabertura do Estreito de Ormuz e um cessar-fogo de 30 dias, enquanto as partes negociam um acordo mais amplo. O Irã, por sua vez, informou que ainda analisa a proposta.
Ameaça de nova escalada e contexto global
A fonte militar iraniana citada pela Tasnim foi enfática ao afirmar que a pausa nos combates é frágil. “Se os americanos pretendem entrar novamente no Golfo Pérsico ou causar problemas para as embarcações iranianas, receberão uma resposta decisiva novamente”, disse o interlocutor, que classificou a ação dos EUA como “terrorismo americano”..
Os confrontos também tiveram repercussão imediata nos mercados globais, com o preço do petróleo registrando alta diante do temor de uma interrupção prolongada do fornecimento da rota marítima, por onde escoa cerca de 20% do petróleo mundial.
Informações conflitantes e fontes
Enquanto a imprensa estatal iraniana — incluindo as agências Tasnim, Fars, Mehr e a TV Press TV — sustenta a versão de que a calma foi restabelecida e que os EUA sofreram danos significativos, o Pentágono não confirmou nenhum dano às suas embarcações. O CENTCOM reiterou, em comunicado, que “não busca uma escalada do conflito, mas mantém-se posicionado e pronto para proteger as forças americanas”.
Na manhã de sexta-feira, as defesas aéreas dos Emirados Árabes Unidos também foram ativadas para interceptar mísseis e drones lançados pelo Irã, deixando três feridos, segundo o Ministério da Defesa do país, o que evidencia o risco de o conflito se espalhar para além das águas do estreito.
Embora os tiros tenham cessado temporariamente, a situação no Estreito de Ormuz permanece extremamente tensa. A trégua de um mês, que já vinha sendo reiteradamente violada por escaramuças localizadas, mostrou-se ainda mais frágil diante do mais recente e grave confronto. A comunidade internacional permanece em alerta, e os próximos dias serão decisivos para saber se a diplomacia conseguirá prevalecer ou se a região caminhará para um novo ciclo de hostilidades em larga escala.Com informações de Tasnim News Agency, Fars News Agency, Mehr News Agency, Press TV, Reuters, Associated Press, CNN Portugal, G1, O Hoje, Rádio Itatiaia, UOL, CNN Brasil, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, Agência Brasil, France 24, Le Monde, Le Figaro, El País, Al Jazeera, BBC News, The Guardian, The New York Times, The Washington Post, Fox News, NPR, The Boston Globe, Yonhap News Agency, Xinhua News Agency, Anadolu Ajans?, DPA International, The National (EAU), Arab Times Online, Tehran Times, Iz.ru, YPA (Yemen Press Agency) e Geo.tv ■