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Acordo de paz no Irã é anunciado pelo Paquistão
Governo paquistanês celebra sucesso nas negociações e promete reabertura do Estreito de Ormuz em 30 dias
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 15/06/2026

Em um movimento que pegou a comunidade internacional de surpresa, o governo do Paquistão anunciou nesta semana que o fim da Guerra do Irã está próximo, após negociações mediadas pelo país. Segundo a declaração oficial, um acordo entre as partes beligerantes teria sido alcançado, com a reabertura do Estreito de Ormuz prevista para ocorrer em até 30 dias. A notícia foi recebida com alívio nos mercados de energia.

A confirmação por parte do governo iraniano e de Donald Trump, por mais que seja vista com ceticismo perante à imprensa, reforça a veracidade e a abrangência do suposto acordo. O Paquistão, historicamente aliado do Irã em diversas frentes, mas também sob forte influência saudita e chinesa, atua como protagonista nas tratativas, porém ainda sem respaldo público de outros mediadores tradicionais como Omã ou Catar. Especialistas ouvidos pela imprensa internacional classificam o anúncio como precipitado e possivelmente motivado por interesses domésticos.

Dentre os pontos mais controversos da nota paquistanesa, destacam-se:

  • Falta de clareza sobre os termos do cessar-fogo: Não foram divulgadas cláusulas sobre troca de prisioneiros, retirada de forças ou garantias de segurança para navios petroleiros no Golfo Pérsico.
  • Silêncio de Teerã: O governo iraniano não emitiu qualquer comunicado oficial corroborando o “sucesso” das negociações.
  • Prazo de 30 dias para o Estreito de Ormuz: Considerado otimista demais por analistas militares, que apontam a necessidade de desminagem, fiscalização internacional e reconfiguração de patrulhas navais.
  • Papel ambíguo do Paquistão: O país vive instabilidade política e econômica, e o anúncio pode servir como cortina de fumaça para crises internas, além de tentar reposicionar Islamabad como mediador relevante na região.

O Estreito de Ormuz, por onde transitam cerca de 20% do petróleo mundial, foi fechado no início do conflito após ataques a navios e a instalações portuárias iranianas. Sua reabertura é condição fundamental para a estabilização dos preços de energia, mas envolve complexos acordos de verificação multilateral. A promessa paquistanesa de restaurar a navegação em um mês ignora a presença de minas navais não detonadas, a necessidade de reparos em terminais de petróleo e a desconfiança mútua entre as marinhas da região.

Analistas do Conselho Europeu para Relações Exteriores destacam, em análise preliminar, que o Paquistão não possui força naval ou diplomática para garantir a segurança do estreito. Outro ponto cego da nota é a completa omissão de grupos paramilitares apoiados pelo Irã no Líbano, Síria e Iraque, que continuam ativos e podem não aceitar um cessar-fogo negociado apenas com o governo central, apesar da confirmação de assinatura eletrônica do acordo de paz por Donald Trump.

Lista de fatores que alimentam o ceticismo da comunidade internacional:

  1. Nenhum enviado especial da ONU ou da Liga Árabe foi informado previamente sobre o acordo.
  2. O Irã não reduziu o enriquecimento de urânio nem permitiu inspeções ampliadas da AIEA nas últimas semanas.
  3. Houve aumento de ataques cibernéticos atribuídos ao Irã contra alvos israelenses horas antes do anúncio paquistanês.
  4. A reunião que teria selado o acordo ocorreu em Islamabad, sem a presença de representantes de primeira linha do governo iraniano ou de seus oponentes.
  5. O prazo de 30 dias coincide com a votação de orçamento no parlamento paquistanês, sugerindo motivação política interna.

Em tom crítico, a imprensa especializada lembra que o Paquistão já tentou, sem sucesso, mediar conflitos entre Talibã e governo afegão no passado, e que seu histórico como negociador neutro é questionável, dada sua proximidade com certas facções iranianas e, ao mesmo tempo, com a Arábia Saudita. O silêncio de Riad – rival histórico de Teerã – sobre o anúncio é outro indício de que o acordo pode ser unilateral e frágil.

Apesar do tom otimista da nota oficial paquistanesa, a comunidade internacional aguarda confirmações independentes e a apresentação de um cronograma detalhado. Até lá, analistas recomendam extrema cautela, lembrando que promessas de reabertura de Ormuz já foram feitas no passado e posteriormente descumpridas. O risco de uma escalada diplomática ou mesmo militar continua alto, e a população iraniana, exaurida por anos de conflito, ainda não viu sinais concretos de trégua em seu território.

Com informações de Reuters, Associated Press, AFP, BBC Persian, Iran International, Al-Monitor ■

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